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Edição 1 620 - 20/10/1999
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Reforma agrária Marchando para trásÀ medida que radicaliza suas ações, o Maurício Lima
Quando surgiu como movimento social, o MST atraiu muita simpatia porque defendia uma bandeira justíssima: a reforma agrária. Hoje, os líderes do movimento mudaram de rumo. Eles começaram invadindo terras produtivas. Números do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Incra, mostram que um terço das terras tomadas pela turma da bandeira vermelha é de áreas produtivas. Depois, passaram a promover saques. Em apenas um mês de 1998, eles fizeram mais de uma centena de pilhagens. Agora, o objetivo do MST é outro. Eles desfilam pelas ruas exigindo coisas tão estapafúrdias como a moratória da dívida externa, a reestatização das empresas privatizadas e até mesmo o impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso. Nesses momentos, o MST se esquece do adubo, do trator e do inseticida. E a população brasileira se esquece um pouco mais do MST. A próxima meta política do movimento é engrossar uma paralisação nacional já convocada para o dia 10 de novembro pelas oposições. "Eles transformaram-se de movimento em movimentismo. Se todos os integrantes recebessem terras, o MST ignoraria isso e continuaria a marchar", diz o cientista político Bolívar Lamounier. A radicalização política do MST vem arrebanhando opositores até de onde menos se espera. Há quinze dias, quando o líder do movimento, João Pedro Stedile, pregou o quebra-quebra de pedágios nas rodovias brasileiras, membros do PT o censuraram. Hoje, alguns setores mais moderados do partido já estão querendo mostrar que as bandeiras vermelhas do PT são diferentes das do MST. O raciocínio é simples: baderna não traz votos. O ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque, candidato assumido à Presidência da República pelo PT, é um dos defensores dessa tese. Para ele, o MST representa apenas uma parcela da população. Cristovam diz que o PT precisa aprender de uma vez por todas que o partido é uma representação da sociedade brasileira e não de alguns grupos organizados. |
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