Edição 1876 . 20 de outubro de 2004

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Lya Luft
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DVDS

Fotos divulgação
O Dia Depois de Amanhã: documentários e jogo no disco à venda


O Dia Depois de Amanhã
(The Day After Tomorrow,
Estados Unidos, 2004. Fox) – Da noite para o dia, uma nova era glacial toma conta da Terra, instaurando o pânico na multidão e a diversão na platéia. O filme-catástrofe do diretor Roland Emmerich é um programa em si, mas os extras que constam do disco duplo na versão para venda ao consumidor também não fazem feio. Além do making of e das cenas deletadas de praxe, há dois bons documentários. Um deles trata do cabo-de-guerra travado entre ciência e política a respeito das mudanças climáticas no planeta. O outro mostra exemplos dessas alterações em várias partes do mundo. E, sem muita pretensão além de entreter, o jogo City Freeze especula sobre o que aconteceria em diversas cidades em caso de nova era glacial. Veja cenas.


Gordon Liu pronto para a briga: lutas coreografadas

Câmara 36 de Shaolin (Hong Kong; 1978, 1980 e 1984; China Video) – Esta trilogia é um marco do cinema de artes marciais – gênero que se tornou cult com suas lutas coreografadas e seus roteiros e interpretações mambembes. Um de seus maiores fãs é o cineasta Quentin Tarantino. Em seu trabalho mais recente, Kill Bill, ele aproveita Gordon Liu, ator principal da trilogia, em dois papéis: o do vilão Johnny Mo e o do mestre Pai Mei. As tramas da série são simplórias, mas os filmes são muito divertidos. No primeiro, Liu massacra os vilões que invadiram um templo sagrado. Em Retorno à Camara 36 ele se faz passar por um mestre do kung fu e em Discípulos da Câmara 36 atua como um monje cuja missão é disciplinar um jovem – e irresponsável – lutador.

 

LIVROS

Vinte Anos e Um Dia, de Jorge Semprún (tradução de Rosa Freire d'Aguiar; Companhia das Letras; 266 páginas; 42 reais) – Em 1936, quando começava a guerra civil na Espanha, um grupo de agricultores invadiu uma fazenda perto de Toledo e assassinou seus proprietários. Vinte anos depois, um historiador americano presencia uma encenação daquele episódio, uma espécie de auto sacramental dedicado a mostrar que os derrotados pelo general Franco eram criminosos. Habilmente construído entre essas duas datas e um terceiro momento, já na Espanha democrática de 1985, Vinte Anos e Um Dia mistura personagens reais e fictícios para revisar os dilemas (e as taras) da Espanha depois da guerra civil. É o primeiro livro que o autor espanhol, radicado desde jovem na França, escreve em sua língua natal.

Hamlet – Poema Ilimitado, de Harold Bloom (tradução de José Roberto O'Shea; Objetiva; 320 páginas; 48,90 reais) – Em Shakespeare – A Invenção do Humano, o americano Harold Bloom, talvez o mais influente crítico literário da atualidade, analisou todas as peças do bardo. Hamlet, porém, exigia uma abordagem mais detalhada – afinal, a peça se tornou, no dizer do próprio Bloom, "o centro de uma escritura secular". Neste ensaio, o crítico mais idiossincrático do planeta desfaz a trama de vingança para demonstrar que o príncipe Hamlet é um personagem complexo demais para o enredo em que Shakespeare tentou situá-lo. A edição brasileira vem acompanhada do texto de Hamlet, em tradução de Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça. Para o leitor revisar o texto na boa companhia de Harold Bloom.
Leia trecho.

 

 
Tchekov: do conto à novela  

Minha Vida, de Anton Tchekov (tradução de José Pereira Júnior; Nova Alexandria; 152 páginas; 32 reais) – Tchekov (1860-1904) preferia a forma contida do conto e da peça de teatro. Não por acaso, o escritor russo consagrou-se como um dos nomes fundamentais do conto moderno. A novela Minha Vida é de suas poucas peças mais longas. Narra uma história exemplar de má consciência: Missail Poloznek é um nobre que decide abandonar a hipocrisia de seu meio social para viver entre trabalhadores e mujiques. O personagem, porém, acaba se desiludindo ao descobrir que também entre a gente simples existem atos de injustiça e violência. Tchekov insistia em que essa obra não tem nada de autobiográfico – embora muitos elementos tenham sido claramente inspirados em sua experiência como médico.

 

DISCOS

 
Brian Wilson: 38 anos depois...  

Smile, Brian Wilson (Warner) – Dorival Caymmi demorou dez anos para terminar João Valentão, uma de suas músicas mais conhecidas. Pois o compositor e cantor americano Brian Wilson superou o recorde do compositor baiano. Smile, disco que considera sua obra-prima, levou 38 anos para ser finalizado. Wilson deu início às gravações em 1966, porém abandonou o trabalho porque seu envolvimento com as drogas o levou à beira da loucura. O projeto foi retomado apenas no início deste ano, com participação do mesmo letrista do projeto anterior, Van Dyke Parks. Smile é uma homenagem à canção americana. As composições evocam desde os temas dos peregrinos que desembarcaram nos Estados Unidos até temas sinfônicos de George Gershwin (1898-1937). Não faltam também as canções de apelo pop, como Surf's Up e Good Vibrations.
Ouça o disco.

 
Rosa: consagrada lá fora, a descobrir aqui  

Amorosa, Rosa Passos (Sony Music) – No Brasil, o talento da cantora baiana ainda está restrito ao mercado alternativo. Mas Rosa Passos tornou-se uma das artistas brasileiras que mais agradam ao paladar internacional. Ela participou de Obrigado, Brazil, disco em que o violoncelista Yo-Yo Ma homenageia a MPB, e ganhou um contrato com o selo americano Sony Classical. Amorosa, o CD de estréia de Rosa nessa gravadora, relembra as bossas do cantor e violonista João Gilberto. Rosa tem uma afinação impecável e suas releituras estão além do óbvio. O segredo está no bem azeitado quarteto que acompanha Rosa e nas canjas do saxofonista Paquito D'Rivera, do cantor Henri Salvador e de Yo-Yo Ma. Este último dá um toque de renovação à eternamente regravada Chega de Saudade.
Ouça o disco.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinenses; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Fnac, Laselva, Saraiva, Sodiler, Submarino, Nobel.
 
 
 
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