Edição 1876 . 20 de outubro de 2004

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Bebida
Potável e nacional

Espumante fabricado na Serra Gaúcha
conquista prêmios no exterior


Carina Nucci

O excesso de chuvas e a acidez do solo distanciam a qualidade da produção de vinhos tintos na serra do Rio Grande do Sul da excelência das clássicas regiões vinícolas do mundo. Essas características impedem que a uva amadureça e fique doce o suficiente. Curiosamente, essas mesmas condições de clima e solo são ideais para a produção de espumantes. E justamente por isso o produto feito no Brasil, segundo o olfato e o paladar dos jurados de concursos internacionais, não tem muito a dever à mesma bebida feita em regiões mais tradicionais.

Na soma das medalhas distribuídas nas últimas edições de Effervescents du Monde, Chardonnay du Monde e Muscats du Monde, o espumante brasileiro ficou atrás somente do produto francês. Trata-se de um segundo lugar cheio de honras porque a primeira colocação só poderia ser mesmo da França, o berço do champanhe. Apenas as bebidas produzidas em Champagne, região a leste de Paris, podem ser chamadas de champanhe. As outras, inclusive na própria França, são proibidas de usar essa denominação. Os italianos, argentinos e portugueses chamam a bebida de espumante e os espanhóis, de cava.

Na serra do Rio Grande do Sul, o volume médio de chuva é de 1.800 milímetros anuais, até oito vezes mais do que nas clássicas regiões vinícolas do mundo. "Um bom espumante depende de frescor e aroma. Qualidades obtidas quando a uva não amadurece muito e, por isso, não fica muito doce. É exatamente o que acontece no Sul", explica o enólogo Antonio Czarnobay, vice-presidente da União Internacional dos Enólogos.

Nos últimos dez anos, a produção brasileira de espumante aumentou 150% e, em 2004, deve chegar à marca dos 6 milhões de litros. Foi justamente nesse período que a área plantada de uvas como chardonnay e pinot noir, dois tipos usados na preparação da bebida, aumentou na Serra Gaúcha. Com matéria-prima de qualidade, os produtores passaram a participar de competições no exterior. Em 2003, os espumantes brasileiros ganharam 23 medalhas nos sete principais concursos internacionais realizados na França, Inglaterra, Itália e nos Estados Unidos. Neste ano, a participação brasileira nas mesmas competições rendeu às vinícolas nacionais 35 medalhas. Diz Daniel Geisse, um dos proprietários da Cave de Amadeu: "Quando o assunto é vinho tinto, existem diversas regiões do mundo onde o produto é excelente. Mas, quando falamos em espumantes, são raros os lugares onde se obtém um produto de alta qualidade".

 
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