Edição 1875 . 13 de outubro de 2004

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Gustavo Franco
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"É triste saber que as mulheres estão fazendo a mesma coisa que sempre condenaram no sexo masculino. Preferiria que os homens fossem mais fiéis."
Flaviana Figueiredo
Salvador, BA

 

Infidelidade

Não há nenhum motivo, por mais delicada que seja a vida do casal, que justifique uma traição, seja ela praticada pelo homem, seja pela mulher. O que falta para os casais que traem é a coragem de assumir suas falhas, dialogar e buscar uma saída honesta para a resolução dos problemas matrimoniais que estejam enfrentando ("Infidelidade – Eu traio, tu trais, ela também", 13 de outubro).
Neuton Luiz Ramos de Melo
Formoso do Araguaia, TO

A promiscuidade feminina é tão intensa quanto a masculina, porém os valores arraigados em nossa sociedade fizeram com que mascarassem por anos a fio a traição feminina pelo medo da não aceitação, da discriminação e da perda de direitos conquistados ao longo da história.
Ubiratan Coutinho
Araguari, MG

Ainda acredito em respeito mútuo, mas também acredito que só há esse respeito se tivermos maturidade para administrar nossas falhas e tentações. Se traímos, é porque algo não está bom e, se algo não está bom, falta diálogo, falta sinceridade ou mesmo amor. Qualquer relacionamento só funciona se houver confiança com ou sem traição. Na verdade, não sabemos mais o que é o amor. Hoje "eu te amo" significa apenas eu te amo até que outra(o) mais interessante apareça em nossas vidas.
Angela Baratella
Vitória, ES  

Para satisfazer as mulheres que são fiéis, lembro do sábio que disse: "Existem duas inverdades no planeta. A primeira é a mentira, a segunda é a estatística". Seguramente, atuando com mulheres no consultório há vinte anos, tendo 18.000 delas como amostra, não vejo tão grande número de mulheres que não dão valor a compromissos.
Julio Bernardi
Tocoginecologista
São Paulo, SP

Acho que se não estivermos felizes com nossos companheiros, em vez de traí-los e não sentir culpa, devemos terminar o relacionamento. Isso sim seria um avanço e bem mais digno.
Daniela Ferrasini
Curitiba, PR  

A mulher trai quando sente que seu companheiro não lhe dá atenção, quando ele prefere estar com seus amigos em bares a estar com ela. Quando ele chega em casa alcoolizado e nem percebe a mulher que se produziu para esperá-lo com muito amor.
Vera Lucia Bonadio
São Paulo, SP  

O mais engraçado é que quando termina essa relação a sensação maior que fica é de alívio, pois o medo da "saída e da chegada" é muito grande. Hoje sou casada de novo e não trairia meu marido por nada neste mundo. Encontrei a felicidade e o aconchego que faltavam em meu lar anterior.
Alessandra
Por e-mail

A reportagem nos conduz ao seguinte raciocínio: cornalgia. Deus permita que eu não tenha, se tiver, que eu não saiba e, se souber, que eu não me aborreça.
Mauro Muller
São Paulo, SP

 

Colin Powell

Tenho certeza de que Colin Powell (Amarelas, 13 de outubro) é um grande homem, mas é uma pena que ele só fale do lado bom de tudo e se vanglorie dos tratados que assinaram para o bem da humanidade. Mas o que ele teria a dizer sobre o Protocolo de Kioto? Por enquanto, nada, afinal, nem ele nem Bush estarão vivos para sentir os estragos desta poluição toda.
Silvana Maschio
Passo Fundo, RS  

O Iraque possuía, sim, uma grande arma que poderia causar transtornos de âmbito mundial: o petróleo.
Vitor Toffoli
Maringá, PR  

Fingir, como faz o secretário de Estado americano, Colin Powell, que a guerra contra o terrorismo não tem relação com o Islã é, no mínimo, ingenuidade. Tampouco a afirmação do presidente Bush de que o Islã é uma "religião de amor e misericórdia" reflete a realidade existencial do islamismo de hoje. Ademais, é óbvio que as raízes do terrorismo não serão dirimidas com a mera conquista de um dos países mais esgotados e destroçados do mundo – o Iraque. Juntamente com a perseguição militar aos terroristas que cometeram os crimes de 11 de setembro, é preciso haver uma guerra paralela contra a pobreza, a miséria e a injustiça. Mais ainda, desenraizar o terror também requer um sério reexame da política externa americana, para garantir que os erros do passado não se repitam.
Hugo Lins Coelho
Recife, PE

 

Sudão

A reportagem "Um genocídio impune" (13 de outubro) me deixou profundamente triste. Será que aquelas imagens de crianças em um campo de refugiados numa província do Sudão não comovem os integrantes da ONU, que parecem não se importar com o genocídio? Para que serve então essa organização, que foi criada justamente para intervir e agir com rigor nesses casos?
Ivana Torres Di Lucca
Londrina, PR

 

Cuba

A reportagem "A revolução no escuro" (13 de outubro), sobre a crise energética de Cuba, mostra o triste fim do sonho das revoluções da esquerda. Seus defensores, os mesmos que pregam que globalização é um demônio a ser evitado, ainda insistem no argumento de que Cuba sofre as conseqüências do isolamento imposto pelos Estados Unidos. Ou seja, o comunismo e o socialismo repudiam o capitalismo, mas não sobrevivem sem ele.
Marcus de Medeiros Matsushita
Marília, SP

 

Eleições

A foto das páginas 38 e 39 da edição 1 875 de VEJA é mais uma demonstração da prática abusiva do PT de misturar o partido com o governo. O presidente Lula e alguns ministros, numa sala da sede do governo federal, recebem candidatos petistas eleitos prefeitos em primeiro turno, num claro flagrante de uso da máquina pública para fazer política partidária. Outra demonstração cabal desse abuso é a presença, nessa reunião, do senhor José Genoíno, que não ocupa nenhum cargo executivo ou legislativo. Esse senhor tem livre trânsito nas esferas do poder central porque é presidente do PT. Gostaria de conhecer o limite onde termina o PT e começa o governo ("Os novos donos da política", 13 de outubro).
Rozalvo Faria
Sete Lagoas, MG  

É gratificante verificar a síntese da política brasileira demonstrada na dinâmica do processo eleitoral último. Assim como o voto eletrônico, a evolução política nacional parece estar dando um salto de qualidade em relação ao resto do mundo.
Ivanoska Carmen Jatobá Machado
Salvador, BA

 

Café

Interessante a reportagem "Eu preciso de café" (13 de outubro). Quando a ciência, médicos e leigos sabem bastante sobre o genoma humano, muitos ainda pensam que café é só cafeína. Por isso é importante que médicos, repórteres e consumidores saibam que o café contém inúmeros compostos bioativos em maior quantidade que a cafeína, os quais podem trazer benefícios à saúde (niacina, minerais, ácidos clorogênicos e quinídeos), como prevenir depressão/suicídio, alcoolismo/cirrose, diabetes, Parkinson, câncer de cólon. Como Einstein escreveu: "Tristes tempos os nossos, em que é mais fácil desintegrar o átomo que o preconceito e o desconhecimento".
Darcy Roberto Lima
Mestre e doutor (Ph.D.) pela Universidade de Londres, Inglaterra
Coordenador do Projeto Cérebro, Café & Saúde do Instituto de Neurologia (INDC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, RJ

 

Vinho

De grande utilidade a reportagem sobre os benefícios do vinho no retardamento do envelhecimento pela ingestão do resveratrol (Guia, 13 de outubro); contudo, é de suma importância salientar que um dos órgãos mais afetados pelos processos biológicos do envelhecimento é o fígado, e a ingestão de álcool só causa mais sobrecarga a esse órgão, já tão carregado pela altíssima ingestão de fármacos preconizada pela medicina atual. É salutar a ingestão de tão importante substância – o resveratrol –, mas o veículo, quanto menos nocivo for aos outros órgãos responsáveis pela sua absorção, melhor.
Walter Daniel Pacheco Oliveira
Odontólogo, mestrando em gerontologia e enófilo
Brasília, DF

 

Radar

Sobre a nota "Concorrência atropelada" (Radar, 22 de setembro), gostaríamos de informar que a Petrobras Distribuidora identificou no exterior e disponibilizou no Brasil produtos asfálticos modificados por polímeros, além de novas técnicas de pavimentação asfáltica que aliam elevado desempenho com baixo custo. A companhia busca agora desenvolver programas de pavimentação asfáltica que permitam acelerar a restauração e construção de estradas no Brasil, em consórcio com empresas construtoras brasileiras, responsáveis pela parte da construção civil, interessadas em estabelecer parcerias que permitam executar obras de qualidade, com baixo custo. Atuamos nesse mercado de forma competitiva e nunca utilizamos nenhum privilégio. Alguns Estados brasileiros estão interessados em desenvolver programas de pavimentação asfáltica no modelo acima descrito, tendo inclusive inserido tais soluções de pavimentação nas suas licitações. A Petrobras Distribuidora entende que o modelo adequado passa pela união entre empresas produtoras de asfalto com elevado conteúdo tecnológico e empresas construtoras de reconhecida competência. De todo o exposto entendemos que os maiores ganhadores, com esses tipos de processo licitatório, são os Estados, municípios e a federação, e não a Petrobras Distribuidora.
Rodolfo Landim
Presidente da Petrobras Distribuidora
Rio de Janeiro, RJ

 

Claudio de Moura Castro

Há necessidade da inclusão da música na grade escolar desde o ensino fundamental. A música também estimula o raciocínio, a sensibilidade e o trabalho em grupo. Quero lembrar que não apenas Tatuí e Brasília se preocupam com a exclusão musical dos mais jovens. Minha cidade, Itapecerica da Serra, tem um programa excelente, conhecido já fora do Brasil, denominado Barracões Culturais da Cidadania, em que crianças e jovens podem aprender a tocar instrumentos musicais, canto, dança, teatro, pintura e até a confeccionar instrumentos de percussão ("Por que a Sinfônica não tem negros?", 13 de outubro).
Jumara Moraes Bocatto
Itapecerica da Serra, SP

 

André Petry

Concordo com o articulista no artigo "Divina derrota" (13 de outubro). Junto aos setores mais lúcidos da sociedade, o evangélico tem baixíssima credibilidade. O crescimento das "novas igrejas evangélicas" é quantitativo, porém sem qualidade nem respeitabilidade. As igrejas funcionam como verdadeiras empresas e seus líderes são verdadeiros executivos, que vivem nababescamente. Deus deixou de ser Senhor e passou a ser servo.
Nelson Kazuo Ando
São José dos Campos, SP

 

Diogo Mainardi

A propósito da coluna de Diogo Mainardi publicada na revista VEJA de 13 de outubro de 2004, com o título "Só vale piada de fanho", o Serpro esclarece que não divulgou relatório em que manifesta preocupação com os formadores de opinião e a auto-estima dos brasileiros. Divulgou, sim, relatório fornecido pela agência de publicidade Lew, Lara que inspirou a campanha criada por ela, "O melhor do Brasil é o brasileiro". No fechamento da matéria veiculada no portal do Serpro, foi incluída uma nota de redação esclarecendo que tal relatório havia sido cedido pela agência responsável pela campanha. Gostaria de deixar claro para o colunista Diogo Mainardi que as opiniões contidas no relatório são de responsabilidade da agência Lew, Lara, e não do Serpro.
Sandra Elise Sipp
Assessora de comunicação empresarial do Serpro
Brasília, DF

A campanha "O melhor do Brasil é o brasileiro" é uma iniciativa da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA). A Lew, Lara é a agência voluntária da ABA há três anos e tem 95% do faturamento proveniente da iniciativa privada. Diferentemente do que Diogo Mainardi afirma, a campanha não é do governo, e a Lew, Lara não faturou 50 milhões de reais em propaganda para o governo federal. Toda a campanha foi criada, produzida e veiculada voluntariamente, com a adesão gratuita de personalidades, dos veículos de comunicação que cederam a mídia, incluindo a Editora Abril, de empresas públicas e de muitas dezenas de companhias privadas. Prova incontestável da repercussão dessa campanha é que o excelente polemista Diogo Mainardi é contra!
Luiz Lara Jaques Lewkowicz
Lew, Lara Propaganda e Comunicação
Por e-mail

 

Livros

Ao deparar com a foto de Jürgen Habermas em VEJA ("O rei dos ouriços", 13 de outubro), tive dois sobressaltos: um, por ver um dos maiores filósofos da atualidade indicado numa revista popular; outro, por não vislumbrar, após leitura, desvios do pensamento habermasiano (tão comuns em publicações não científicas). Se a seção (Livros) não serve para a formação, presta-se, no mínimo, para a informação. Congratulações!"
Dhenis Cruz Madeira
Professor da PUC Minas e advogado mestrando e especialista em direito processual pela PUC-MG
Belo Horizonte, MG

 

Vinho 2

Na reportagem "A Supersubstância" (Guia, 13 de outubro) foram publicados os resultados de minha pesquisa da análise de resveratrol em vinhos brasileiros realizada no Laboratório de Química de Produtos Naturais na PUCRS. Por um erro na transmissão dos dados, a tabela sobre concentração de resveratrol em uvas e vinhos, que ilustra a matéria, usa as medidas de miligrama por mililitro. As unidades estão incorretas. O certo é dizer miligramas por litro.
Professor-doutor André A. Souto
Faculdade de Química ­ PUCRS
Por e-mail


CORREÇÃO: Nelsinho Piquet foi campeão da Fórmula 3 inglesa, e não campeão mundial da categoria (Sobe, 13 de outubro).

 

A DEMOCRACIA EM QUESTÃO

Sobre a reportagem "Pequeno dicionário das (re)criações políticas" (22 de setembro), que tratou dos novos significados das palavras no vocabulário político brasileiro, o leitor Paulo Demétrius Lima Francioli, de Ji-Paraná, em Rondônia, achou deplorável que sob governo petista o novo significado da palavra democracia tenha passado a ser qualquer regime simpático a Brasília. Por outras razões, Dhiogo Cidral de Lima, de Florianópolis, também se preocupa com o desvirtuamento do conceito. "Democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo. Os representantes do povo deveriam, portanto, se destacar pelo nível de interesse pelos direitos coletivos. Mas o baixo nível dos candidatos ao pleito é inaceitável, do ponto de vista ético e da capacitação pessoal", diz Lima.

 

BEATRIZ, BEA, BEE

Ao ler a reportagem "A grande colmeia humana" (13 de outubro), sobre a historiadora inglesa Bee Wilson, cujo livro A Colmeia: a História das Abelhas e de Nós demonstra que as sociedades ocidentais desde a Grécia antiga viram a colmeia como espelho de suas formas de governo ou de suas utopias, alguns leitores ficaram curiosos com uma coincidência: Bee, o nome da historiadora, em inglês significa abelha. Na verdade Bee não é seu nome de batismo. Nascida Beatriz Wilson, ela era chamada em família pela forma carinhosa Bea, que em sua língua natal tem o mesmo som de Bee. Ao se dedicar ao estudo daqueles incríveis insetos, Beatriz apenas adaptou a grafia de seu apelido para Bee.

 
 
 
 
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