Edição 1876 . 20 de outubro de 2004

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Carta ao leitor
A limpeza por dentro


Paulo Vitale
O braço armado do serviço de inteligência da Polícia Federal: os intocáveis

Não faz muito tempo, a Polícia Federal (PF) gozava de uma reputação semelhante à das outras instituições policiais do Brasil. Seus quadros primavam pela falta de preparo e no seu interior corria solta a corrupção. Essa situação começou a mudar no ano passado, quando uma elite de policiais federais, sob o comando do diretor-geral, Paulo Lacerda, iniciou um lento, desgastante e perigoso trabalho de aprimoramento e limpeza da PF. O coração do processo é o ultra-secreto Departamento de Inteligência Policial, localizado no 5º andar do prédio da Superintendência da PF em Brasília, que tem como um de seus braços armados os integrantes da Coordenação de Aviação Operacional (Caop) que aparecem na capa da revista e nunca antes haviam posado para fotógrafos. A identidade dos membros da inteligência da PF é desconhecida dos colegas, que não têm acesso ao andar em que fica o departamento. Entre suas missões, a mais espinhosa é a de investigar os próprios policiais federais e autoridades suspeitas de corrupção.

Graças ao Departamento de Inteligência, a PF vem conseguindo montar as grandes operações que com freqüência têm aparecido no noticiário. Nessas operações, que levam de roldão policiais desonestos, foram desbaratadas quadrilhas especializadas em corrupção, desvio de dinheiro e tráfico de drogas. Para fazer a reportagem, o repórter André Rizek passou três semanas entrevistando delegados e agentes da PF. Rizek conseguiu acesso ao Departamento de Inteligência. Ali ele pôde testemunhar certas fases das operações, em especial aquelas em que computadores poderosos fazem o cruzamento de dados com o uso de softwares especiais e analisam potenciais transgressores. A reportagem de Rizek e da editora Thaís Oyama foi precedida de meses de preparação e repetidas conversas de Thaís com a cúpula da PF, normalmente avessa à exposição. Ela convenceu os diretores da Polícia Federal de que essa era uma história que merecia ser contada – a história de um grupo de indivíduos que tenta mudar para melhor as feições de uma instituição. Que o exemplo frutifique.

 
 
 
 
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