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Carta ao leitor
A limpeza por dentro
Paulo Vitale
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| O braço armado do serviço de
inteligência da Polícia Federal: os intocáveis
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Não faz muito tempo, a Polícia
Federal (PF) gozava de uma reputação semelhante à
das outras instituições policiais do Brasil. Seus
quadros primavam pela falta de preparo e no seu interior corria
solta a corrupção. Essa situação começou
a mudar no ano passado, quando uma elite de policiais federais,
sob o comando do diretor-geral, Paulo Lacerda, iniciou um lento,
desgastante e perigoso trabalho de aprimoramento e limpeza da PF.
O coração do processo é o ultra-secreto Departamento
de Inteligência Policial, localizado no 5º andar do prédio
da Superintendência da PF em Brasília, que tem como
um de seus braços armados os integrantes da Coordenação
de Aviação Operacional (Caop) que aparecem na capa
da revista e nunca antes haviam posado para fotógrafos. A
identidade dos membros da inteligência da PF é desconhecida
dos colegas, que não têm acesso ao andar em que fica
o departamento. Entre suas missões, a mais espinhosa é
a de investigar os próprios policiais federais e autoridades
suspeitas de corrupção.
Graças ao Departamento de Inteligência,
a PF vem conseguindo montar as grandes operações que
com freqüência têm aparecido no noticiário.
Nessas operações, que levam de roldão policiais
desonestos, foram desbaratadas quadrilhas especializadas em corrupção,
desvio de dinheiro e tráfico de drogas. Para fazer a reportagem,
o repórter André Rizek passou três semanas entrevistando
delegados e agentes da PF. Rizek conseguiu acesso ao Departamento
de Inteligência. Ali ele pôde testemunhar certas fases
das operações, em especial aquelas em que computadores
poderosos fazem o cruzamento de dados com o uso de softwares especiais
e analisam potenciais transgressores. A reportagem de Rizek e da
editora Thaís Oyama foi precedida de meses de preparação
e repetidas conversas de Thaís com a cúpula da PF,
normalmente avessa à exposição. Ela convenceu
os diretores da Polícia Federal de que essa era uma história
que merecia ser contada a história de um grupo de
indivíduos que tenta mudar para melhor as feições
de uma instituição. Que o exemplo frutifique.
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