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Auto-retrato Lou
Reed
Divulgação
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O
cantor americano Lou Reed, de 62 anos, sempre se destacou pelo retrato que suas
letras apresentam da cidade de Nova York e de seus habitantes. Ex-membro da lendária
banda Velvet Underground, que surgiu no fim dos anos 60, e dono de uma respeitável
carreira-solo, Reed está lançando NYC Man, compilação
de seus maiores sucessos. Ele falou por telefone ao repórter Sérgio
Martins.
O SENHOR É O GRANDE CRONISTA MUSICAL DA CIDADE DE NOVA YORK. DE QUE
MANEIRA OS ATENTADOS DE 11 DE SETEMBRO MUDARAM SEU TRABALHO? Eu não
trocaria Nova York por nenhum outro lugar do mundo, e não gosto de falar
sobre o 11 de Setembro justamente por isso: é um assunto doloroso para
mim. A atmosfera da cidade mudou desde os atentados, mas ela não perdeu
aquilo que sempre retratei em minhas canções, que é a capacidade
de reunir os tipos humanos mais pitorescos. Do traficante de drogas de Waiting
for the Man ao travesti de Walk on the Wild Side, é assim que
Nova York sempre apareceu em minhas letras, por meio de histórias e personagens
curiosos.
A COLETÂNEA NYC MAN INCLUI DOIS REMIXES ELETRÔNICOS DE SUAS
MÚSICAS. O QUE NA MÚSICA ELETRÔNICA ATRAI UM VETERANO DO ROCK
COMO O SENHOR? Os artistas mais interessantes da atualidade têm saído
da música eletrônica e do rap. Quando ouço uma rapper de qualidade
como Missy Elliott, e outros artistas novos, fico com muita vontade de trabalhar
com eles, inclusive pela diversão. A idéia dos remixes vem daí.
Além disso, essas regravações ajudam a divulgar a minha música
nas pistas de dança. Ir a clubes e dançar está entre as minhas
diversões prediletas.
O
SENHOR POSSUI OUTRO HOBBY? Artes marciais. Faz mais de 25 anos que eu pratico.
Comecei para me afastar das drogas e me manter sadio. Há pouco tempo, meu
esforço foi recompensado. Apareci na capa de uma das revistas de artes
marciais mais importantes dos Estados Unidos. Para mim, foi o máximo.
JÁ
TEVE DE USAR SUAS HABILIDADES PARA SE DEFENDER? Felizmente, nunca. Não
faço artes marciais para brigar, mas porque o esporte me mantém
em forma física e mentalmente.
O
SENHOR ESTEVE NO BRASIL EM 1996 E 2000. EXISTEM PLANOS DE UMA NOVA TURNE PELO
PAÍS? Pensei em passar pelo Brasil neste ano, mas não houve
acordo financeiro. Portanto, se eu visitar vocês nos próximos tempos,
será apenas como turista. Sou louco pelo Brasil. Para mim, existem poucas
visões mais reconfortantes do que as mulheres do Rio de Janeiro em seus
minúsculos trajes de banho.
A
MÚSICA BRASILEIRA O ATRAI? Conheço a cantora Bebel Gilberto,
uma menina bastante simpática. Mas musicalmente prefiro o pai dela. João
Gilberto é um gênio. Não perco nenhum de seus shows em Nova
York.
VÁRIOS ROQUEIROS AMERICANOS ADERIRAM À CAMPANHA DO CANDIDATO
DEMOCRATA JOHN KERRY PARA A PRESIDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS. O SENHOR APÓIA
ALGUM POLÍTICO NESTA ELEIÇÃO? Eu me interesso muito
mais em fazer o americano se conscientizar de que o voto dele é importante
do que em escolher este ou aquele candidato. No início do mês eu,
minha mulher, Laurie Anderson, e outros artistas do cenário pop participamos
de um show chamado Joyful in November (Alegria em Novembro). Todo o dinheiro
arrecadado foi revertido para financiar campanhas e anúncios que estimulem
o povo a ir às urnas. Nos Estados Unidos, o voto é facultativo.
O americano tem de se conscientizar de que a eleição decide o futuro
do país.
O
SENHOR NÃO GOSTARIA DE ATUAR MAIS NA POLÍTICA? Não
sou político, sou apenas cantor e compositor. E acho que meu público
é inteligente o suficiente para fazer suas opções. |