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Edição 1974 . 20 de setembro de 2006

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Memórias de um Assassino: mortes e perplexidade na Coréia do Sul


Memórias de um Assassino
(Memories of Murder,
Coréia do Sul, 2003. Europa) – Nos anos 80, numa cidadezinha rural da Coréia do Sul, uma jovem aparece assassinada de forma brutal – e então outra, e mais outra. Um detetive vem da capital, Seul, para contribuir para as investigações. Mas, mesmo com sua ajuda, solucionar essa série de homicídios é um desafio que está muito além da capacidade da inexperiente e provinciana polícia local. Que dirá, então, impedir que novas mortes aconteçam. Tal é, na verdade, a história central do ótimo drama do diretor Joon-ho Bong: a do esforço e da frustração de dois homens, o policial cosmopolita e o interiorano, para sobrepujar suas limitações e cumprir o que eles próprios esperam de si. Vejas cenas.

Tudo pela Fama (American Dreamz, Estados Unidos, 2006. Universal) – Um programa de TV no qual aspirantes a pop stars se submetem ao sarcasmo de um jurado inglês, um presidente que não tem idéia do que está fazendo na Casa Branca e um campo de treinamento, no Paquistão, em que a principal atividade é fazer vídeos dos terroristas: se alguém pensou em American Idol, George W. Bush e na Al Qaeda, não é por acaso. Essa sátira assinada pelo diretor Paul Weitz, de Um Grande Garoto, funciona exatamente pela sua falta de sutileza. O elenco também é uma atração. Além de Hugh Grant e Dennis Quaid, ele conta com a promissora (e muito bonita) Mandy Moore e com o novato Sam Golzari, como um terrorista que sonha cantar na Broadway. Veja cenas.

 

LIVROS

O Evangelho de Judas, editado por Rodolphe Kasser, Mavin Meyer e Gregor Wurst (tradução do inglês de Ana Ban; Prestígio; 186 páginas; 29,90 reais) – Considerado perdido por mais de 1.600 anos, O Evangelho de Judas foi redescoberto no Egito na década de 70 – e só neste ano foi traduzido do copta para o inglês, num projeto com o apoio da National Geographic Society. Entre os vários textos apócrifos (não reconhecidos pela Igreja) sobre a vida e as palavras de Jesus, esse é talvez o mais intrigante: o apóstolo que trai Cristo é apresentado como um homem que cumpria o desígnio de Deus. O texto – com algumas lacunas devido à deterioração do papiro original – vem acompanhado de explicações dos especialistas que o traduziram.

Sayonara, Gangsters, de Genichiro Takahashi (tradução de Jefferson José Teixeira; Ediouro; 296 páginas; 39,90 reais) – Como seu compatriota Haruki Murakami, o japonês Takahashi não mostra muito interesse pela decantada tradição de seu país. Ele produz uma literatura francamente pop, que faz autores ocidentais como Nick Hornby e Irvine Welsh parecer senhores convencionais. Situado num futuro próximo, esse seu livro de estréia (lançado nos anos 80 e só agora traduzido no Brasil) começa com um atentado ao presidente americano e segue acompanhando as desventuras de um intelectual japonês que se envolve com um grupo terrorista. Entre outras divertidas esquisitices, a história inclui um gato que adora leite com vodca – e é versado em literatura. Leia trecho.

 

Jane Mingay/AP
Ruth Rendell: um suspense da "rainha do crime"  

A Verdade Através da Névoa, de Ruth Rendell (tradução de Rolf Wyler; Rocco; 426 páginas; 68,50 reais) – A inglesa Ruth Rendell se consagrou por seus romances policiais, disputando com P.D. James o trono de "rainha do crime" que já foi de Agatha Christie. A Verdade Através da Névoa, porém, não é uma história de crime e investigação, mas um drama familiar. Mesmo afastada de seu gênero habitual, Ruth mostra que sabe armar um bom mistério. A história começa quando Sarah, uma professora universitária frustrada, é convidada a escrever uma biografia do pai, escritor famoso que morreu há pouco. Nas pesquisas para o livro, Sarah aos poucos vai descobrindo que o pai não era o homem que ela imaginava. Leia trecho.

 

DISCOS

 

Foguinho
O gaúcho Delicatessen: jazz sem obviedade  

Jazz + Bossa, Delicatessen (Barulhinho) – Poucas coisas causam tanta desconfiança no público quanto um disco em que artistas brasileiros recriam clássicos do jazz. Mas o gaúcho Delicatessen merece uma audição mais apurada. Primeiro porque o grupo, formado por veteranos da cena musical de Porto Alegre, escolheu um repertório que foge do óbvio. Bossa + Jazz tem canções como In a Mellow Tone, de Duke Ellington, e Black Coffee, da dupla Burke e Webster, que não são muito regravadas. Outros destaques são o violão de Carlos Badia e a cantora Ana Krüger. O vocal despido de afetação e a sensibilidade mostrada em faixas como In a Sentimental Mood prenunciam uma carreira de futuro.

 

Timothy A. Clary/AFP
Christina: um disco para ouvir, outro para dançar  

Back to Basics, Christina Aguilera (Sony/BMG) – Ex-integrante do Clube do Mickey, a cantora americana se lançou como a rival mais sapeca da cantora Britney Spears. Mas, ao contrário desta, terminou por se revelar uma artista talentosa. Back to Basics é um álbum duplo no qual ela mostra duas facetas diversas. No primeiro disco, que conta com a produção do DJ Premier – um dos principais nomes do hip hop atual –, o rap dá o tom e o alvo são as pistas de dança, especialmente em faixas como Back in the Day. O segundo CD é mais saboroso, com uma sonoridade próxima do jazz e do rhythm'n'blues. A surpresa aí são os vocais afinados de Christina, que não perde a classe nem quando o assunto é sexo – como fica explícito nas faixas Candyman e Nasty Naughty Boy.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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