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Edição 1974 . 20 de setembro de 2006

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Carta ao leitor
Crescer? Claro. Mas como?

 
Mariana Guerra/JC Imagem
Compradores em supermercado no Nordeste: a renda melhorou

Uma reportagem da presente edição de VEJA mostra, com base em dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que a vida da maioria dos brasileiros melhorou ano a ano no decorrer da última década. Durante o governo Lula quase todos os indicadores econômicos – consumo, renda e poder de compra e geração de empregos formais – mantiveram e até acentuaram a tendência de subida iniciada em meados dos anos 90, quando o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso.

Como é sabido, a prosperidade e os avanços na qualidade de vida associados a ela são produzidos pelo crescimento econômico. Pois bem, é de presumir então que os dados positivos foram resultado de um extraordinário crescimento da economia no período estudado. Errado. Eles foram o reflexo do crescimento constante mas, fora alguns anos excepcionais, medíocre do produto interno bruto (PIB). A média de crescimento do PIB brasileiro nos últimos cinco anos foi de 2,20% – a média da década é quase idêntica, 2,22%. Enquanto isso, o PIB mundial cresceu 4% e a média dos emergentes equiparados ao Brasil, à Rússia, à China e à Índia foi de 6,26%.

Que lições tirar dessa situação? A mais cristalina é a de que se o país crescer em ritmo mais acelerado a qualidade de vida da população vai melhorar muito mais do que na última década. Corretíssimo. Então está correto também o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, ao sugerir que o país estabeleça uma meta de crescimento anual do PIB de 5% a 6% pelos próximos quatro anos? Está certo, mas faltou dizer o principal: como! Nenhum governante se orgulha de chegar ao fim de cada ano com seu país crescendo menos do que poderia. Então por que o Brasil não cresce mais?

Nenhum país cresce só porque deseja crescer, ou porque seu ministro do Desenvolvimento colocou metas ambiciosas de aceleração econômica. Um país só vence o ciclo de mediocridade do PIB quando consegue organizar-se em uma sociedade dotada de Justiça rápida e de qualidade, sem burocracia, com regras claras, com serviços públicos transparentes e eficientes – tudo isso sob um governo cujas contas são equilibradas e que cobre pouco imposto de muitos e não muito dos poucos que pagam. É assim que se cresce.

 
 
 
 
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