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Carta ao leitor
Crescer? Claro. Mas como? Mariana
Guerra/JC Imagem
 | | Compradores
em supermercado no Nordeste: a renda melhorou |
Uma reportagem da presente edição de VEJA mostra, com base em dados
da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que
a vida da maioria dos brasileiros melhorou ano a ano no decorrer da última
década. Durante o governo Lula quase todos os indicadores econômicos
consumo, renda e poder de compra e geração de empregos formais
mantiveram e até acentuaram a tendência de subida iniciada
em meados dos anos 90, quando o presidente da República era Fernando Henrique
Cardoso. Como é sabido, a prosperidade e
os avanços na qualidade de vida associados a ela são produzidos
pelo crescimento econômico. Pois bem, é de presumir então
que os dados positivos foram resultado de um extraordinário crescimento
da economia no período estudado. Errado. Eles foram o reflexo do crescimento
constante mas, fora alguns anos excepcionais, medíocre do produto interno
bruto (PIB). A média de crescimento do PIB brasileiro nos últimos
cinco anos foi de 2,20% a média da década é quase
idêntica, 2,22%. Enquanto isso, o PIB mundial cresceu 4% e a média
dos emergentes equiparados ao Brasil, à Rússia, à China e
à Índia foi de 6,26%. Que lições
tirar dessa situação? A mais cristalina é a de que se o país
crescer em ritmo mais acelerado a qualidade de vida da população
vai melhorar muito mais do que na última década. Corretíssimo.
Então está correto também o ministro do Desenvolvimento,
Luiz Fernando Furlan, ao sugerir que o país estabeleça uma meta
de crescimento anual do PIB de 5% a 6% pelos próximos quatro anos? Está
certo, mas faltou dizer o principal: como! Nenhum governante se orgulha de chegar
ao fim de cada ano com seu país crescendo menos do que poderia. Então
por que o Brasil não cresce mais? Nenhum
país cresce só porque deseja crescer, ou porque seu ministro do
Desenvolvimento colocou metas ambiciosas de aceleração econômica.
Um país só vence o ciclo de mediocridade do PIB quando consegue
organizar-se em uma sociedade dotada de Justiça rápida e de qualidade,
sem burocracia, com regras claras, com serviços públicos transparentes
e eficientes tudo isso sob um governo cujas contas são equilibradas
e que cobre pouco imposto de muitos e não muito dos poucos que pagam. É
assim que se cresce. |