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DVD
Warner
Bros
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Falcão Maltês:
clássico noir |
O
Falcão Maltês (The Maltese Falcon,
Estados Unidos, 1941. Warner) Imagine alguém virar
astro interpretando só gângsteres, céticos
e sujeitos de moral duvidosa. Felizmente nos anos 30 e 40 não
existia o "politicamente correto", e foi à base desse gênero
de personagem que Humphrey Bogart virou um ícone. Em O
Falcão Maltês, um dos pioneiros do suspense noir,
ele explora o tipo ao máximo. Bogart é o detetive
Sam Spade, procurado por uma donzela em apuros. A cada hora, a
moça reaparece com um nome diferente mas esse é
o menor dos problemas de Spade. Seu parceiro é assassinado,
ele entra para a lista de suspeitos e, a cada momento, surge mais
gente disposta a usá-lo para recuperar a misteriosa estátua
de um falcão. A sorte do detetive é que, cínico
ao extremo, ele não acredita em ninguém. Estréia
na direção do grande John Huston, o filme é
seguro, criativo e tenso. Ninguém diria que é um
novato que está comandando o espetáculo, adaptado
do romance de Dashiell Hammett. No elenco, brilham o diminuto
Peter Lorre e o grandalhão Sydney Greenstreet. A nota melancólica
fica por conta de Mary Astor, a protagonista. Ex-estrela do cinema
mudo, ela já revela os sinais do declínio que se
seguiria.
DISCO
The
Ecleftic 2 Sides II a Book,
Wyclef Jean (Sony Music) Em meados dos anos 90, o trio
Fugees vendeu 8 milhões de discos graças a um estilo
que fundia rap com reggae, pop e rhythm & blues. Apesar do
sucesso da mistura bem dosada, seus integrantes há anos
não se reúnem para gravar um novo disco. Boa notícia:
Wyclef Jean, o pilar criativo do grupo, acaba de lançar
um álbum-solo que nada fica a dever ao velho Fugees. The
Ecleftic é tudo menos um disco de rap monótono.
Wyclef temperou as dezenove faixas com ingredientes tão
díspares quanto rock e música italiana. O melhor,
contudo, são as músicas cantadas ao lado de convidados
ilustres. Faz um dueto sexy com a cantora Mary J. Blige e combina
reggae e disco numa bela dobradinha com o pessoal do Earth, Wind
& Fire. Wyclef, que já produziu hits de Santana e Whitney
Houston, prova mais uma vez que a força dos Fugees não
estava só na cantora Lauryn Hill, face mais conhecida do
trio.
LIVRO
MR
Naoki Kawabe

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| A
americana Liza: gueixa |
A
Lenda de Murasaki, de
Liza Dalby (tradução de Anna Olga de Barros Barreto;
Objetiva; 450 páginas; 39,90 reais) Liza Dalby é
a única ocidental que conseguiu ter o treinamento de uma
legítima gueixa. Ela se mudou para o Japão depois
de se formar em antropologia nos Estados Unidos. Aproximou-se
das cortesãs para estudar seu refinado modo de vida e acabou
por ser aceita entre elas. Graças a esse conhecimento aprofundado
das artes e tradições japonesas, pôde escrever
esta obra, que tem por personagem principal Murasaki Shikibu,
uma dama que serviu ao imperador de sua terra natal no século
XI. A importância de Murasaki reside no fato de ter escrito
famosos diários e A História de Genji, uma
das obras-primas da literatura nipônica. Liza Dalby faz
justiça ao tema que escolheu. Seu livro é delicado
e surpreendente.
TELEVISÃO
Milênio
(segunda às 23h no Globo News) Um dos melhores
programas jornalísticos da TV por assinatura, Milênio
tem por matéria-prima entrevistas com personalidades
que realmente têm algo a dizer. Se o assunto é literatura,
por exemplo, aborda-se logo um estudioso da estatura de Harold
Bloom, autor de O Cânone Ocidental. Nesta e na próxima
segunda (dias 18 e 25), exibe um especial sobre a evolução
do rock. Quem fala sobre o tema é Greil Marcus, um grande
crítico americano. Ele fala com a experiência de
quem estuda música pop desde os tempos dos hippies. Sua
análise vai de Little Richard a Britney Spears, e é
entremeada por videoclipes.
As
Diabólicas (quarta às 22h no Eurochannel)
Até Alfred Hitchcock tirava seu chapéu para
este clássico do suspense. Lançada em 1955, a fita
do cineasta francês Henri-Georges Clouzot parte de uma trama
criminal aparentemente simples. A recatada mulher de um irascível
diretor de colégio une-se à ex-amante do marido
num plano para matá-lo. Elas afogam o sujeito numa banheira
uma cena que, assim como o assassinato no chuveiro em Psicose,
ainda provoca arrepios. Mas aí vem o imprevisto: o cadáver
some e as protagonistas caem em paranóia e desespero. Dispondo
de atrizes impecáveis Simone Signoret e Véra
Clouzot , o diretor extrai tensão máxima da
história.
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
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| Allan
Massie, que capricha nos boatos sobre os
romanos: a César o que não é de
César |
Se
Sidney Sheldon, o autor de best-sellers que misturam intriga
e sedução, se debruçasse sobre a vida
do maior dos imperadores romanos, o resultado não
haveria de ser muito diferente daquele que se lê em
César (tradução de Angela
Lobo de Andrade; Ediouro; 302 páginas; 26,90 reais),
do britânico Allan Massie. O autor tem pedigree. É
crítico do jornal Daily Telegraph e jurado
do Booker Prize, o mais importante prêmio literário
da Inglaterra. Quando passa para o outro lado do balcão,
porém, solta a franga. Claro que é preciso
dar um desconto. César é um romance
histórico (o "histórico" aí depende
da bondade do freguês) na linha de outros que vêm
ganhando as listas de mais vendidos, como os da série
Ramsés, do francês Christian Jacq, e
Aléxandros O Sonho de Olympias,< italiano Valerio Massimo Manfredi. Ou seja, ficcionaliza
episódios, imagina os pensamentos de figuras históricas
e inventa diálogos para melhor atingir seus objetivos.
Neste caso, quem narra a trajetória do governante
é Brutus, que viria a assassiná-lo. São
volumes que servem mais para divertir e evocar um certo
"clima" do que para ensinar alguma coisa. Em alguns momentos,
aliás, é mais fácil o leitor desaprender
com eles.
Massie,
contudo, adiciona uma agravante a essa receita. Além
de mostrar pouco apego aos fatos, ele adora fofocas de gosto
duvidoso. Por isso, numa cronologia da vida de César,
aparece o seguinte item no ano 80 a.C.: "Propagação
de rumores de um possível relacionamento homossexual
entre César e o rei da Abissínia". Raramente
ele se dá ao trabalho de ser elegante. Depois de
algumas horas de intimidade com Cleópatra, seu César
declara, no melhor estilo bibelô: "Agora, sim, provei
o verdadeiro sabor do Egito!" Pensando bem, Sidney Sheldon
poderia fazer melhor.
Isabela
Boscov
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