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Lauro Jardim


GOVERNO

Mercado farto

As consultorias têm feito a festa no governo e em algumas estatais. Na semana passada, causou polêmica a informação de que a Presidência da República está pagando a Arthur D. Little 3,5 milhões de reais para que seja criado um programa de melhoria de gestão. Concorrentes acharam o valor salgado demais. Bobagem. Deve ser pechincha. A mesma Arthur D. Little está recebendo da Petrobras 8 milhões de reais num contrato do mesmo tipo.

Nozes à vontade

Já tem gente no governo prevendo que o próximo Natal será o melhor dos últimos tempos – com consumo subindo e juros e desemprego descendo. Isso permitiria a FHC estar forte o suficiente para promover, em janeiro, a reforma ministerial dos seus sonhos. O único perigo é o petróleo melar essas previsões.

Aliás...

Por mais que o governo negue, é cada vez mais inevitável um aumento geral do preço dos combustíveis.

O fator Itamar

De uma coisa o fanfarrão Itamar Franco não pode reclamar – que sua fama mundo afora tenha murchado. Na semana passada, durante um seminário em Miami organizado pela Russel, que administra 8 trilhões de dólares, o diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo foi obrigado a ouvir de uma aflita investidora, à queima-roupa: "Quantos Itamar vocês ainda têm lá no Brasil?"

Bola de neve

Para quem ainda duvida da necessidade da reforma da Previdência, aí vai uma pancada. No Orçamento de 1987, os gastos com Previdência somavam 22% do total. Educação, transporte, defesa e serviços ficavam com 49% do bolo. No ano passado, a insaciável Previdência engolfou 48% do Orçamento da União. E os outros quatro itens contentaram-se com mirrados 11% do total.

 

POLÍTICA

Seca eleitoral

Poucas vezes se viu os tradicionais financiadores de candidatos pingarem tão pouco dinheiro numa campanha eleitoral como nesta de agora. Até o "por fora" anda miudinho.

Ladeira abaixo

Baixou o desespero total na cúpula da campanha de Patrícia Gomes, ex-Ciro, à prefeitura de Fortaleza.

 

Origem revelada

Luiz Carlos David
Freyre: descendente de sefarditas


Durante décadas, o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre foi tachado de anti-semita – injustamente, ressalte-se – por causa das referências aos judeus em sua obra capital, Casa-Grande & Senzala. Bem, acabam de sair do forno os resultados de uma investigação do DNA do sociólogo, feita pelo especialista Sergio Pena. Dois netos de Freyre cederam células bucais para a pesquisa. Ironia das ironias, descobriu-se que ele descende de judeus sefarditas, expulsos de Portugal no final do século XV. Freyre morreu sem ter tido a menor idéia dessa ancestralidade.

AEROPORTOS

Te cuida, Cumbica

É coisa incipiente ainda. Mas decolou a campanha da Infraero para que as companhias aéreas que fazem vôos internacionais ampliem seus pousos no Aeroporto do Galeão. Cinco delas já aderiram – KLM, Air France, Alitalia, TAM e Lufthansa.

 

CIGARROS

Jogo pesado

A briga do ministro José Serra com a indústria do tabaco se estende até os mais inesperados ringues. Por lei, os fabricantes de cigarro têm de pagar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária 100 000 reais por ano para renovar os registros das marcas – uma taxa infinitamente maior que a cobrada em todos os outros produtos. Cervejas, por exemplo, depositam 2 000 reais.

 

TELECOMUNICAÇÕES

Canadenses batem em retirada

A canadense TIW – que andava aos tapas com o Opportunity, seu sócio em várias telefônicas – contratou o Banco Salomon Brothers para vender seu quinhão na Telemig e na Telenorte. Já surgiu comprador. É a Portugal Telecom.

Linhas cruzadas

As operadoras de telefonia fixa – Telemar, Telefônica e Brasil Telecom – estão em pé de guerra com a Embratel e a Intelig. No centro da confusão, a idéia das duas de compartilhar as conexões das operadoras fixas que serão usadas para a internet mais veloz. É um mercado milionário que corre por esses fios.

 

ECONOMIA

O Estado ainda é o tal

Os empreiteiros nos últimos tempos gostam de bater no peito e dizer que o Estado não é mais aquele. Mesmo depois de tanta privatização e com o caixa sabidamente em baixa, essa história é conversa para boi dormir – os governos ainda são os grandes clientes. É o que revela uma pesquisa recém-concluída pelo IBGE sobre a indústria da construção civil. Nada menos que 80% das obras executadas pelas cinqüenta maiores construtoras do país são encomendadas por entidades públicas.

Doce invasão

Quem entende do riscado garante que a recente aquisição de uma usina de cana-de-açúcar pelos franceses é só o comecinho da invasão estrangeira no setor, que é um dos mais arcaicos do país.

 

GENTE

Ratinho, o rei do gado

Discretamente, Ratinho acaba de fechar negócio com Antônio Fagundes. Comprou a fazenda de gado do ator em Mato Grosso por 3 milhões de reais. As terras de Fagundes eram vizinhas às do apresentador do SBT.

 

Os limites do imperador

Terra Nostra estréia nesta semana na Itália. Até aí, nada de mais – tem mesmo tudo a ver. O curioso é que a novela será transmitida por uma das emissoras de Silvio Berlusconi, dono do maior império de mídia do país. Foi justamente Berlusconi quem torpedeou como pôde a Telemontecarlo, a fracassada tentativa da Globo de se estabelecer na Itália nos anos 80. Ele foi acusado até de destruir as torres de TV da emissora brasileira. Fica a lição: novela pode; canal próprio, nem pensar.


Colaborou Consuelo Dieguez

 



 

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