O último
noivo
Morgan
e Chase fazem casamento
de conveniência
Cristiana
Baptista
A última
grande noiva do mercado financeiro americano subiu ao altar. Na
quarta-feira passada foi anunciada a compra do J.P. Morgan, um dos
mais tradicionais bancos de investimento dos Estados Unidos, pelo
Chase Manhattan, terceiro maior do país. A transação,
no valor de mais de 30 bilhões de dólares, será
feita pela troca de ações e deverá ser concluída
no início de 2001. O novo banco, que se chamará J.P.
Morgan Chase & Co, somará ativos no valor de 660 bilhões
de dólares.
A
venda do J.P. Morgan põe fim à independência
de uma das bancas mais prestigiadas dos Estados Unidos. Fundado
em 1861 em Nova York pelo lendário John Pierpont Morgan,
o banco teve sua história marcada pela ousadia do dono. O
homem era um corisco. Foi o principal responsável pelo financiamento
e pela estruturação de empresas revolucionárias
de sua época, como a siderúrgica U.S. Steel, a fabricante
de materiais elétricos General Electric e companhia de telecomunicações
AT&T. Em 1907, quando houve uma corrida de saques que quase
quebrou os bancos americanos, foi Pierpont que salvou a pátria,
emprestando dinheiro aos concorrentes.
O
J.P. Morgan consolidou-se como banco de investimentos. Em toda a
sua história, passou apenas por uma fusão, em 1959,
com o Guaranty Trust. A trajetória é oposta à
do Chase, que ganhou porte à custa de fusões e tem
o seu forte na área comercial. "Casaremos plataforma de ação
e clientela", diz Marc Shapiro, vice-presidente do Chase.
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