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Efeito Celta

Lançamento derruba preço de
alguns carros populares

Carlos Prieto

 
Celta: "O mais barato do mundo", segundo a GM

Acostumado aos aumentos na tabela de preços dos carros, o brasileiro foi surpreendido na semana passada por uma onda de reduções. A guerra de preços foi praticada pelas três maiores montadoras do país e atingiu os carros populares, um segmento que responde por 70% das vendas de automóveis no Brasil. O responsável por essa novidade foi o Celta, fabricado pela General Motors no Rio Grande do Sul, que chega às concessionárias nesta semana. Seu preço: 14 170 reais, com o frete incluso. Considerando que o Celta vai provocar curiosidade por ser novo, Volkswagen e Fiat logo reagiram. Derrubaram o preço do Gol Special e do Uno Mille Smart.

Aos olhos de um leigo, os carros não apresentam muitas diferenças. Têm motor fraco, acabamento ultra-simples, nenhum aparato tecnológico que não seja absolutamente essencial. Nada sensacional, mas andam bem na cidade e são econômicos no consumo de combustível. O Celta está sendo feito na unidade da montadora que ostenta o título de a mais moderna do mundo, construída em Gravataí. O preço cobrado pelo Celta corresponde a 7.701 dólares. O menor Corsa vendido na Alemanha, que, segundo a própria GM, é o melhor padrão de comparação dentro de sua marca, sai por 9.500 dólares. "O Celta é hoje o carro mais barato do mundo", diz Luiz Moan, diretor de assuntos institucionais da montadora.

Os carros brasileiros têm preço alto e as montadoras costumam atribuir esse defeito aos impostos. No entanto, sem que houvesse corte algum nos impostos desta vez, os preços caíram. Especialistas no ramo automobilístico consideram que, para não perder clientes, Volks e Fiat foram forçadas a cortar seus lucros. "Não há nada que indique redução de custos nas montadoras. Se houve redefinição de preços, é porque havia margem para isso", diz Cláudio Felisone, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo. Quando surgiu em 1990, o carro popular, com motor de até 1 000 cilindradas, ganhou redução de imposto para que consumidores de menor poder aquisitivo pudessem comprar um zero-quilômetro. Com o tempo, as montadoras criaram os "populares de luxo", com requintes de top de linha, como air bag, ar-condicionado e preço salgado. Agora o efeito Celta empurrou as coisas de volta a seus lugares.

As montadoras estão vivendo um ano tranqüilo. As exportações de carros, motores e componentes – inclusive para países produtores como Estados Unidos, Itália e Alemanha – cresceram, em dólar, 12% entre janeiro e agosto. No Brasil, o ano deverá fechar com 1,6 milhão de automóveis produzidos – resultado melhor do que o registrado em 1998 e 1999.

 

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