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Tem até banheiro
Estação
Espacial Internacional
está pronta para receber
moradores
Bia
Barbosa
AP
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| Jornada
no espaço: escalada de 34 metros para ligar fios e antenas
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A Estação Espacial Internacional começa a ser
preparada para a vida. Na semana passada, o ônibus espacial
Atlantis levou equipamentos e suprimentos necessários
para a primeira tripulação permanente, que chegará
no início de novembro. A equipe mista de sete astronautas
russos e americanos da Atlantis checou (e aprovou) o funcionamento
do módulo Zvezda, que servirá de área de residência
e trabalho. Esse setor essencial da estação foi lançado
em julho e acoplado por controle remoto da Terra. A tripulação
tem até esta quarta-feira para descarregar cerca de 3 toneladas
de suprimentos da Atlantis e de um cargueiro russo acoplado
à estação. São equipamentos de ginástica,
ferramentas, CDs-ROM, dicionários inglês-russo e até
um aspirador de pó. Os astronautas também realizaram
a manobra que elevou a altitude da estrutura em mais 4,8 quilômetros,
deixando-a mais perto de sua órbita prevista, 400 quilômetros
acima da superfície da Terra. Também terminaram de
instalar o banheiro. Quando a tripulação permanente
chegar, terá água para escovar os dentes, espelho
para se barbear e um sistema sanitário completo. Parecido
com o banheiro de um avião, o pequeno recinto é equipado
com duas barras e um sistema que prende os pés do astronauta
no chão, permitindo que ele fique sentado mesmo com a falta
da gravidade.
Quando
estiver habitada, a estação será o maior e
mais ambicioso projeto científico espacial da atualidade.
Será também um símbolo de cooperação
internacional inédito. A rivalidade entre Moscou e Washington,
que foi a mola propulsora da conquista do espaço a partir
dos anos 50, deu lugar a um esforço de cooperação
como nunca se viu, envolvendo recursos de dezesseis países,
entre eles o Brasil. A participação nacional reside
na fabricação de meia dúzia de peças,
como as janelas de observação nas quais serão
instaladas câmaras para fotografar a Terra. O país
vai gastar 120 milhões de dólares, uma parte pequena
dos 60 bilhões do custo total. Em troca, poderá efetuar
pesquisas científicas próprias na estação
e ter um astronauta a bordo. Ao contrário de megaprojetos,
como o envio do homem à Lua, para o qual até agora
não se encontrou utilidade prática, a estação
espacial foi planejada para ser usada em experiências científicas.
Com
seis centros de pesquisa funcionando em microgravidade, terá
as condições ideais para o estudo de proteínas,
enzimas e vírus. Ali se vai procurar a cura para doenças
como câncer, diabetes e distúrbios do sistema imunológico.
A ausência de peso facilitará o desenvolvimento de
ligas ultraleves que levem a semicondutores capazes de revolucionar
a informática. A estação será também
uma porta para a exploração do espaço e a melhor
base de observação da Terra, permitindo a medição
dos efeitos globais da poluição do ar e do desmatamento
das florestas. "Há muito trabalho pela frente, mas a partir
de agora vamos funcionar em ritmo de montanha-russa", diz Dwayne
Brown, porta-voz da Nasa. O trabalho dos tripulantes da Atlantis,
na semana passada, incluiu um passeio de mais de seis horas no espaço.
Eles literalmente escalaram 34 metros da estrutura da estação
para conectar cabos de transmissão de dados e imagens entre
os módulos Zvezda e Zarya. Foi a maior caminhada no espaço
da história da Nasa. Por enquanto, a única surpresa
da missão foi a falha apresentada em uma das baterias recém-instaladas.
De fabricação russa, precisará ser substituída
mais tarde. O problema é mínimo diante da construção
nos ares de um gigantesco quebra-cabeça, que só ficará
inteiramente pronto em 2006.
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Na
MIR, vale tudo por dinheiro
MirCorp
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| Espaço
para anunciantes:
luta
pela sobrevivência
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A estação espacial russa Mir, que há
catorze anos paira a 200 quilômetros de altura sobre
a Terra, é o local mais visitado do espaço.
Mais de 20 000 experiências científicas já
foram realizadas no interior de seus módulos acanhados
por mais de 100 astronautas de doze países. É
o único posto avançado permanente da humanidade
fora da superfície do planeta, um símbolo da
engenhosidade humana mas, infelizmente, também
uma sucata que há muito ultrapassou seu prazo de validade.
O dinheiro para mantê-la anda escasso desde o fim da
União Soviética, que investia anualmente 3 bilhões
de dólares no programa espacial. No início do
ano, a MirCorp, uma empresa com sede na Holanda, arrendou
a estação por 20 milhões de dólares.
Seu projeto é atrair investidores que ajudem a custear
os 100 milhões de dólares anuais gastos na manutenção.
A dificuldade da empresa é saber como vai ganhar dinheiro
com o sucatão espacial.
A MirCorp enviou dois cosmonautas em abril para religar os
sistemas e fazer uma faxina geral na estação,
que estava abandonada havia oito meses. Já estão
à disposição dos interessados espaços
publicitários no casco dos módulos. Há
planos de transformá-la em hotel. O primeiro turista
chegará no final de 2001. Trata-se de um ex-engenheiro
da Nasa que pagou 20 milhões de dólares por
um passeio de dez dias. Também já foi firmado
um acordo com o produtor do programa de TV Survivor
versão americana de No Limite. Em 2002,
o vencedor da gincana ganhará uma viagem ao último
símbolo do glorioso programa espacial russo.
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