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Vítima do acesso gratuito

O Super11 afunda em dívidas e entrega
a clientela ao
concorrente iG

César Nogueira e Roberta Paduan

 
Ricardo Benichio

Nagib: "Tentamos construir um avião em vôo"

O mundo da internet assistiu a uma série de naufrágios depois da crise na bolsa das empresas da nova economia, a Nasdaq, em abril. Diversos sites e portais, que nasceram como idéias criativas, mas cujos negócios não geravam receita, afundaram porque investidores desistiram de sustentá-los indefinidamente. Na semana passada, o Brasil deu uma modesta contribuição à lista de negócios malogrados. O Super11, um portal que cresceu oferecendo acesso gratuito à internet e chegou a ser avaliado em 100 milhões de dólares há três meses, derreteu-se como um cubo de gelo na frigideira. Sem crédito com os investidores, apertado por dívidas de cerca de 10 milhões de dólares e com os salários dos funcionários atrasados, o Super11 não resistiu. "Todas as minhas economias estão aí", dizia na última quinta-feira seu idealizador, o libanês Nagib Georges Mimassi, 30 anos. Nagib investiu cerca de 1 milhão de dólares no negócio. Seus sócios, entre eles o grupo Safra, enterraram ali cerca de 11 milhões.

O Super11 terminou a semana agarrado a uma bóia. Na quinta-feira fechou um acordo pelo qual o concorrente iG assumirá o encargo de garantir o acesso gratuito à internet aos assinantes do Super11 – 800 000 usuários, sendo 300 000 ativos. O iG, com isso, aumenta o seu público. Em troca, o Super11 passa a receber, mensalmente, um pagamento proporcional ao tráfego de visitantes que irá desviar para as páginas do iG. Nagib garante que será suficiente para cobrir os custos da empresa, que vai tentar uma nova vida vendendo tecnologia de internet a empresas e pequenos bancos. Por enquanto, é apenas uma tentativa desesperada de salvar o bote emborcado. Ainda atordoado pela trombada, ele não sabe sequer quantos de seus 120 funcionários permanecerão na empresa.

O fiasco do Super11 levanta uma questão maior que a do destino final da empresa do libanês Nagib. O que o mercado se pergunta é se, afinal, o modelo de oferecer acesso gratuito à internet tem futuro ou se é só o caminho mais curto para a falência? As experiências de acesso grátis em países onde a população de internautas é muito mais numerosa que a existente no Brasil ainda não geraram nem um centavo de lucro. Ao contrário, têm alimentado prejuízos vistosos (veja quadro). No Brasil, o acesso gratuito tem se mostrado interessante para os grandes bancos, que oferecem o serviço aos clientes e com isso reduzem as filas nas agências e os gastos com atendimento. Entre os portais, a dúvida sobre a viabilidade do modelo permanece. O iG adotou a estratégia de atrair usuários com o apelo do serviço gratuito, para, depois, usar a força da marca em negócios pagos. Como nove em cada dez investidores da internet, Nizan Guanaes, presidente do iG, sustenta que sairá do vermelho no ano que vem. O BOL/Net Gratuita, com 4,6 milhões de usuários, e o Terra Livre têm a vantagem de usar a estrutura de portais que exploram também o acesso pago. Isso ajuda a diminuir o buraco nas contas. Nem eles nem o iG até agora conseguiram sentir o gostinho do lucro. No caso do Super11, o custo dos serviços gratuitos somou-se a uma operação mal estruturada. "Estávamos tentando construir um avião em vôo", diz Nagib. Não podia dar certo.

 
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