O ataque da
PM
Policiais,
armados, invadem delegacia para
libertar
um cabo e saem festejando aos tiros
Márcio
Pacelli, de
Brasília
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A
CHEGADA...
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...A
AÇÃO...
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...E
A SAÍDA
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Pouco
antes das 10 da noite, oitenta policiais em vinte viaturas chegam
à delegacia e invadem o prédio |
Traficantes
de droga gostam de ação cinematográfica na
hora de libertar um comparsa enjaulado. Na última semana,
Brasília assistiu a uma cena parecida mas, em vez
de criminosos comuns, os protagonistas do grotesco espetáculo
eram oitenta policiais militares que, devidamente fardados, chegaram
a bordo de vinte viaturas oficiais. A cena ocorreu na sexta-feira
8, quando os PMs invadiram, armados, uma delegacia de Samambaia,
cidade-satélite da capital, para libertar um colega, o cabo
Herbert Rodrigues, preso por desacato a um policial civil. Na semana
passada, o jornal Correio Braziliense publicou as imagens
do ataque da PM, extraídas de uma fita de vídeo do
episódio. As fotos são a consumação
lapidar e impressionante da baderna: os PMs chegam com sirenes ligadas,
revólveres em punho, invadem a delegacia, sobem no balcão,
libertam o preso, gritam, festejam e disparam uma saraivada de tiros
para o alto.
A
ação durou cerca de dez minutos, pouco antes das 10
da noite. O cabo fora preso por um motivo banal. Um amigo seu foi
convidado a retirar o carro de uma via em que a Polícia Civil
fazia uma blitz, e o cabo, à paisana, resolveu encrencar
e recusou-se a mostrar a carteira de identidade. Acabou sendo preso,
mas, com a solidariedade bélica de seus amigos de farda,
não ficou mais de quinze minutos trancafiado. Na sua futilidade,
o episódio que, entre gente civilizada, se resolve
com diálogo em menos de dois minutos é revelador
da rivalidade entre a Polícia Civil e a Militar. E ajuda
a explicar por que Brasília, antes orgulhosa de ser uma cidade
sem a violência das metrópoles, começa a conviver
com o drama da criminalidade desenfreada. Só no primeiro
semestre deste ano os crimes subiram 16%.
A
diferença entre o ataque da PM brasiliense e as operações
de resgate de traficantes de drogas é que, filmados em plena
delinqüência, nada aconteceu aos policiais infratores.
O governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, reagiu como se
estivesse diante de um caso simples e rotineiro: a PM abriu um inquérito
para investigar o assunto em quarenta dias, e a Polícia Civil
fez o mesmo, com prazo de trinta dias para encerrar as averiguações.
Só na semana passada, depois que as imagens da anarquia policial
vieram a público, Roriz resolveu mostrar um pouco de empenho:
mandou afastar "imediatamente", veja só os
policiais militares já identificados. Afastar, em termos:
eles deixaram as ruas e passarão a fazer serviços
burocráticos até que as investigações
sejam concluídas. Alguma medida mais severa para evitar que
algo semelhante venha a acontecer? "Não há necessidade
disso", diz o secretário de Segurança Pública,
coronel Jair Tedeschi. "Isso não é o sentimento geral
da PM."
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