Assistiu, comprou
A
Globo monta um novo negócio: a venda
de objetos e figurinos de seus programas
Aida
Veiga
Christian Gaul

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| Os
tererês de Mariana: exemplo de negócio para o bazar
interativo |
Faz décadas que as novelas da Globo lançam moda. Quem,
nos anos 70, não se rendeu às meias soquete de lurex
de Júlia, a personagem de Sonia Braga em Dancin' Days?
Ou, anos mais tarde, pôde resistir aos turbantes da viúva
Porcina, papel de Regina Duarte em Roque Santeiro? E, mais
recentemente, à sainha curta com tamanco plataforma de Sandrinha,
a mau-caráter engraçadinha vivida por Adriana Esteves
em Torre de Babel? Pois animem-se, admiradores do visual
novelístico: a Globo resolveu pôr seus cenários
e figurinos à venda, literalmente. A experiência começou
há dois meses. Por enquanto, limita-se a um punhado de objetos
exibidos na novela Laços de Família e vendidos
pelo canal a cabo Shoptime. Mas a prática vai se estender
a tudinho que aparece nos programas da emissora, do sofá
de um programa humorístico ao prendedor de cabelo da apresentadora
do telejornal. "Queremos que o telespectador tenha a chance de comprar
absolutamente tudo o que vir e gostar", anima-se Marcelo Duarte,
idealizador do projeto e diretor da Central Globo de Desenvolvimento
Comercial.
Carlos Levitanus
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A lista
de ofertas de Laços de Família consta de 29
produtos, exibidos quatro a cinco vezes por dia no Shoptime. Nada
muito empolgante: o jogo de chá usado no escritório
de Miguel (Tony Ramos) e o baleiro tipo cofre da sua livraria, a
Dom Casmurro; o edredom de bolinhas de Capitu (Giovanna Antonelli)
e os lençóis da cama em que Helena (Vera Fischer)
agora dorme sozinha, sem Edu (Reynaldo Gianecchini). Tem também
a chaleira e os ímãs de geladeira de Helena, o abajur
de Paschoal (Leonardo Villar) e um relógio da clínica
de Cíntia (Helena Ranaldi). Os preços variam de alto
(18 reais o conjunto de dois ímãs) a muito alto (219
reais o abajur), mas diversos produtos estão esgotados.
Phillipe Meyer
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Curiosamente, não faz parte da lojinha o maior sucesso do
momento em matéria de visual de novela: o colar-tererê-pulseira
de Bionda, personagem de Mariana Ximenez em Uga Uga. Trata-se
de uma tirinha de couro enfeitada de bolinhas, estrelinhas e pequenas
margaridas de ouro, jóia imaginada pela figurinista Marília
Carneiro, concretizada pela designer Junia Machado, colocada à
venda em joalherias e disseminada em bancas de camelô por
toda parte. A lacuna deve ser sanada. O plano global é, no
futuro, sempre que uma novela começar a ser encaminhada,
oferecer aos figurinistas e cenógrafos opções
de peças previamente acertadas para venda através
da emissora. De preferência, no ato: ao admirar um vestido,
a espectadora poderá clicar o controle remoto e comprar na
mesma hora. "A receita é insignificante. Nosso objetivo é
cultivar o hábito da interatividade", garante Duarte. Mas
claro que, se o bazar interativo der lucro, melhor ainda.
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