Só
dá brasileiro na Fórmula Indy
Pilotos do Brasil subiram ao pódio
em dez das dezesseis corridas deste ano
Carlos
Rydle
AP

Gil de Ferran e Castro Neves em Monterey:
muito para comemorar |
Se
os brasileiros que disputam a Fórmula Indy aderirem à
"sambadinha" para comemorar a presença no pódio, as
corridas da categoria vão terminar em ritmo de ensaio de
escola de samba. Nas dezesseis provas disputadas na competição
neste ano, os pilotos do Brasil já subiram ao pódio
dez vezes para receber a taça. No Grande Prêmio de
Portland, em junho, e no de Mid-Ohio, em agosto, eles simplesmente
dominaram o primeiro, o segundo e o terceiro lugar. O feito era
até então inusitado na Championship Auto Racing Teams,
a Cart o nome oficial da modalidade. Não faltaram
também as dobradinhas, com brasileiros em primeiro e segundo
lugares. Ocorreram no circuito oval de Nazareth, em maio, e na pista
mista de Laguna Seca, no começo deste mês. Ainda que
parcial, pois a temporada só termina no fim de outubro, trata-se
de um fenômeno notável. Desde a aposentadoria de Emerson
Fittipaldi, o desbravador das pistas de Indy para os brasileiros,
o que se via era uma sucessão de fiascos, repletos de quebradeiras
e trombadas nos últimos três anos.
Uma das conseqüências desses bons resultados é
a chegada de pelo menos quatro entre os dez pilotos brasileiros
à disputa do título deste ano. Gil de Ferran, o mais
cotado, está em uma das grandes equipes da categoria, a Penske,
e não tem deixado os primeiros lugares. Em Laguna Seca, assumiu
a liderança do campeonato. Roberto Pupo Moreno também
está na lista. Neste ano, mesmo enfrentando alguns reveses,
o veterano brasileiro tem conseguido ótimos resultados. Ganhou
em Cleveland e chegou duas vezes em segundo lugar. Hélio
Castro Neves, que agora adotou a grafia Castroneves para o sobrenome,
é outro bem cotado. Também na Penske, ele tem transitado
com regularidade entre os sete primeiros. Cristiano da Matta, em
décimo lugar há duas semanas, está na disputa,
mas correndo por fora, na base do azarão. Os quatro, além
da proximidade com o título, melhoraram sua posição
em relação à temporada passada. "Eles estão
em equipes muito boas, aprenderam a correr nos ovais e têm
bastante talento", diz Emerson. "Hoje, já dominam a categoria."
Vencer a disputa não será simples. Uma das características
da Indy é a similaridade dos carros. Muitas escuderias usam
chassis e motores idênticos. São veículos com
recursos bem menos sofisticados que os usados na Fórmula
1 suspensão e câmbio, por exemplo. Em compensação,
estão sempre brigando por poucos metros nas pistas. "A diferença
acontece nos detalhes, quando a equipe avalia os resultados, prepara
as simulações em testes e faz medições
de consumo e desgaste", diz Gil de Ferran. E o pega dos pilotos
pode acirrar-se ainda mais. Em 2001, a Cart pode reatar com a Indy
Racing League (IRL). Elas separaram-se em 1996 por desentendimentos
comerciais. Complicado é conciliar diferenças técnicas
das duas turmas. A IRL adota motores convencionais, chamados de
aspirados, e a Cart, as versões turbo. Se superados os problemas,
haverá mais e melhores equipes na disputa. Outro ponto para
ser comemorado pelos torcedores.
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Quem
pode ser campeão
Gil
de Ferran
Aos
32 anos, é um dos líderes da competição,
que disputa pela sexta vez. Ficou em oitavo lugar em 1999
e em segundo em 1997. Em 2000, já venceu duas corridas.
Roberto
Moreno
Tem
41 anos e participa pela sétima vez da Indy. Está
sempre entre os seis primeiros e liderou o campeonato entre
junho e julho. Em 1999, ficou com um modesto 14º lugar.
Hélio
Castro Neves
Tem
25 anos e ganhou três corridas nesta temporada, o maior
número de vitórias entre os brasileiros. Está
entre os sete mais rápidos do campeonato. No ano passado
ficou em 15º.
Cristiano
da Matta
Tem
27 anos e corre a segunda temporada na Indy. Está entre
os dez primeiros da categoria desde que venceu no circuito
oval de Chicago, em julho. Ficou apenas em 18º lugar,
em 1999.
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Schumacher
chega lá
Demorou,
mas finalmente ele chegou lá. Ao vencer em Monza, na
semana passada, o piloto Michael Schumacher, da Ferrari, empatou
em número de vitórias com Ayrton Senna na Fórmula
1. Ambos somam 41 conquistas nos autódromos da categoria
mais badalada do automobilismo mundial. A diferença
é que Schumacher só disputou 140 provas e o
ídolo brasileiro morreu num acidente ao disputar sua
161ª corrida, em 1994. A façanha é impressionante,
tendo em vista as celebradas perícia e agressividade
que caracterizavam Senna. O alemão está num
patamar alcançado por raros pilotos de Fórmula
1. "Isso significa muito para mim", festejou Schumacher, em
meio à grita de fanáticos torcedores da Ferrari.
No quesito total de vitórias, ele agora só perde
para Alain Prost, que venceu 51 vezes em 199 grandes prêmios.
As dez bandeiradas que faltam não parecem difíceis
de ser obtidas, visto que Schumacher chegou em primeiro lugar
seis vezes em catorze corridas neste ano. Mantendo a média
atual, não precisará sequer de duas temporadas
para assumir a liderança isolada nesse item dos compêndios
da Fórmula 1.
Na atual temporada, o alemão da Ferrari bateu Senna
em outro flanco da corrida dos números. Amealhou um
total de 648 pontos, contra 614 do brasileiro. Nesse tópico,
Prost também é líder, mas tem uma margem
maior de folga. Somou 798,5 pontos em sua carreira, mantendo
uma vantagem de 150 pontos em relação a Schumacher.
O alemão também vai muito bem em outro parâmetro:
reúne uma média de 4,6 pontos por corrida e
já se aproxima da marca do lendário Juan Manuel
Fangio. O argentino conseguiu somar 277,5 pontos em 51 grandes
prêmios, obtendo 5,4 de média. Mais um dado do
mundo em que as diferenças por vezes estão em
milésimos de segundo: Schumacher divide com Prost a
liderança em melhores voltas os dois fizeram
41 das chamadas best laps em corridas.
Mas não são apenas números. O que espanta
na carreira do alemão é a rapidez com que ele
se igualou ou foi superior a lendas da história da
competição. Em 1991, Michael Schumacher tinha
participação intermitente no automobilismo mundial,
proveniente de uma categoria de protótipos uns
carrões com desenho ousado, comuns em disputas na Europa.
Foi quando a Mercedes resolveu pagar 231.000 dólares
para que o piloto tivesse uma chance na equipe de Eddie Jordan.
A estratégia funcionou. Com apenas um treino, o alemão
ficou em sétimo lugar no grid de largada de Spa-Francorchamps.
É verdade que mal chegou a arrancar, quebrando poucos
metros depois da largada, mas o talento comprovado naquele
momento abriu as portas das grandes escuderias para Schumacher.
Pouco depois, ele já estava no cockpit da Benetton.
Ainda assim, e apesar da técnica primorosa, não
será fácil para o alemão derrubar outras
marcas da categoria. A primeira é de títulos
conquistados. Fangio foi cinco vezes campeão do mundo
e Prost, quatro. Schumacher soma dois campeonatos e briga
para desencalhar a Ferrari, na fila da Fórmula 1 há
21 anos. Tarefa mais difícil ainda será superar
o total de pole positions de Ayrton Senna. O piloto brasileiro
largou na frente em 65 corridas. Trata-se de uma marca espantosa.
Schumacher, a grande fera da atualidade, não passou
das 29. E, além da distância enorme em relação
a Senna, ele ainda tem pela frente Jim Clark e Prost, com
33, e Nigel Mansell, com 32. Pelo jeito, essa ninguém
leva do brasileiro.
AP
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