Parque turbinado
Com
administração terceirizada, a área
das cataratas ganha conforto e atrações
Liége
Fuentes, de Foz do Iguaçu
Fotos Jader da Costa
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| Parque
Nacional do Iguaçu: infra-estrutura que nunca fez jus
à beleza do lugar |
O belo
espetáculo das cataratas nunca teve correspondência
com a qualidade do tratamento dispensado aos turistas que visitam
o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná. Mesmo sendo
o mais freqüentado dos outros doze parques similares do país,
recebendo 800.000 turistas por ano e
arrecadando 4,5 milhões de reais com serviços e bilheteria,
tudo o que o local oferecia, até agora, era um irrisório
pacote de entretenimento que podia ser digerido em menos de três
horas. Esse cenário deve mudar a partir de 15 de novembro,
quando começam a operar alguns dos serviços e instalações
construídos no Parque do Iguaçu por um consórcio
de empresas. É a primeira experiência de terceirização
realizada pelo Ibama. Na primeira fase, os visitantes vão
ganhar um centro de atendimento com 3.000
metros quadrados e 600 vagas no estacionamento, além de uma
área de serviços com restaurante, mirante, minimuseu
e até cinema em três dimensões, com vídeos
que simulam passeios como uma subida contra a correnteza do Rio
Iguaçu.
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| Obras
da primeira fase: inauguração em novembro |
Lojas
de suvenires, centro médico e os postos de correio e de telefone
também ganham nova organização. Para o ano
que vem, serão inaugurados um edifício de sete andares
com um elevador que levará o turista até a altura
da copa das árvores, um trenzinho moderno para quem quiser
conhecer a área sem o desconforto de andar por trilhas no
meio da mata e linhas de passeio de barco de até três
dias de duração rio acima. O velho elevador
obsoleto há 35 anos , que transporta sete visitantes
por vez até uma das melhores vistas das quedas-d'água,
será aposentado, dando lugar a dois panorâmicos, com
capacidade para vinte passageiros cada um. Para a turma que prefere
as caminhadas, a boa notícia é que o percurso dentro
do parque, que hoje tem menos de 2 quilômetros, aumentará
mais de dez vezes e será monitorado por guias capazes de
dar segurança e informações.
Para
se prevenir das ações de ambientalistas, o consórcio
cercou-se de cuidados. Não foram usadas serras elétricas
nem caminhões pesados. Até o lanche dos 100 trabalhadores
é vigiado, para que ninguém deixe cair no chão,
por exemplo, uma semente de laranja. Só árvores nativas
devem proliferar na área. "Todo o projeto está sendo
desenvolvido com total sentido de preservação ecológica",
diz o superintendente do parque, Julio Gondorosky. Espera-se que
até 2015, quando termina o prazo de concessão, 2 milhões
de turistas estejam passando anualmente por lá, volume suficiente
para pagar o investimento de 30 milhões de reais que será
feito pelo consórcio Cataratas do Iguaçu, composto
de seis empresas do Paraná e da Bahia. Para ajudar a gerar
esse caixa, a tarifa paga pelos turistas, que custa 6 reais, vai
ficar 1,80 real mais cara. Também serão cobrados 3
reais no estacionamento e quantia igual, por pessoa, no elevador
panorâmico. Mas nada muda para a Polícia Florestal,
que continuará dispondo do contingente de trinta homens
que já foi duas vezes maior para fiscalizar os 185.000
hectares freqüentemente invadidos por palmiteiros e caçadores
de animais silvestres. Até o final deste mês, o Ibama
terá relatórios analisando a viabilidade da terceirização
em outros seis parques nacionais.
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