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Nova York reconstruída

Voltam os prédios espetaculares,
após duas décadas sem ousadia

Rachel Verano

No coração de Manhattan, em meio ao emaranhado de arranha-céus e caixotes envidraçados, um novo prédio chama a atenção. A fachada, composta de planos fragmentados do mais claro e transparente vidro, sobe entrecortada pelos 24 andares, formando um desenho em Z. Na cobertura, uma sala toda de vidro com 4 metros de altura foi projetada especialmente para grandes eventos. Sede do grupo francês LVMH, dono de marcas sofisticadas como Louis Vuitton e Möet Chandon, o próprio prédio transformou-se numa grande vitrine na área de comércio de luxo de Nova York, entre nomes consagrados como Chanel e Burberry. O mais fascinante sobre a Torre LVMH, como é chamado o prédio projetado pelo renomado arquiteto francês Christian de Portzamparc, é seu significado simbólico como protagonista de uma tendência que começa a ser delineada: a retomada dos grandes projetos arquitetônicos em Nova York.

A cidade dos arranha-céus, que abriga alguns dos prédios mais conhecidos do mundo, viveu quase três décadas de estagnação arquitetônica, marcadas sobretudo por construções comerciais. Foi a era dos grandes caixotes de vidro, das construções simples e funcionais. Finalmente começam a pipocar obras surpreendentes, à altura daquelas que deram fama à cidade em outras épocas. São pelo menos oito novos projetos magníficos, de museus a institutos culturais, que começaram recentemente a sair do papel para conferir um ar renovado à arquitetura nova-iorquina. Fazem parte desse time obras já concluídas, com o 4 Times Square, o arranha-céu repleto de requintes tecnológicos, com controle computadorizado de telefones, segurança, elevadores, iluminação e qualidade do ar, que abriga a editora Condé Nast. Também já abriram as portas a nova sede do Instituto Cultural Austríaco, um prédio de formas abstratas feito de vidro, e o Rose Center, o sofisticado planetário do Museu de História Natural, no qual uma esfera de 26,5 metros de diâmetro parece flutuar dentro de um cubo de vidro.

O melhor ainda está por vir. O Columbus Center, um conjunto de edifícios comerciais construído em 1988, está passando por uma grande reforma, que vai transformá-lo num dos mais modernos complexos da cidade nos próximos anos. O projeto, que abrigará as novas dependências do grupo AOL-Time Warner, custou 1,7 bilhão de dólares. As antigas torres ganharam a forma de trapézio e no alto de seus 230 metros serão coroadas por lâminas metálicas iluminadas por lanternas. Entre as torres, um corredor de luz de 25 metros de altura vai possibilitar uma bela vista do Central Park. A maior ousadia, contudo, está em outro prédio, que promete surpreender Nova York com o chamado efeito Bilbao, uma referência ao inusitado museu Guggenheim construído na cidade espanhola. Projetado pelo mesmo arquiteto, o canadense Frank Gehry, o novo museu Guggenheim de Nova York será um emaranhado de fitas metálicas de forma sinuosa, que envolverá uma galeria de quase 50.000 metros quadrados, às margens do East River, no distrito de Lower Manhattan. Junto da estrutura de design vanguardista sairá uma torre de 137 metros de altura, o equivalente a um prédio de quarenta andares. O início das obras só depende da aprovação pela prefeitura da localização para onde foram projetadas.

Tanta novidade surpreende não apenas pela interrupção de um verdadeiro período de asfixia artística. Construir em NY é um desafio que aumenta a cada dia. A densidade da cidade e as rígidas normas de planejamento e zoneamento são obstáculos reais à criação. Isso sem falar nos altos preços. Para se ter uma idéia de como é caro, o metro quadrado no centro de Manhattan chega a custar mais de 5.000 dólares. Felizmente uma nova onda de criatividade está de volta. "Vivemos um longo período marcado por construções banais", diz John Jay Iselin, crítico de arquitetura em Nova York. "Agora, sim, estamos diante do que promete ser a renascença da cidade, com novos projetos surpreendentes."

 
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