Geral Design

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Giugiaro lança novos modelos no Brasil
Argentino filma uma comédia clandestina nas Ilhas Malvinas
A volta dos prédios espetaculares em Nova York
Há onças demais no Pantanal
O Parque Nacional do Iguaçu já oferece conforto aos visitantes
Sobram pilotos brasileiros na Fórmula Indy
Globo vende objetos que aparecem nas novelas
Cursos rápidos para formar psicanalistas
A volta do colarinho pontudo com paletó sem gravata
Encontradas ruínas de palácio maia
Ex-skinhead conta como os jovens são aliciados
PMs invadem delegacia de Brasília e libertam colega
A extinção de um macaco
O comércio pirata de endereços eletrônicos
Acesso gratuito faz sua primeira vítima no Brasil
Estação espacial prepara-se para receber tripulantes
As chances do Brasil
A pressão dos planos sobre os médicos
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Estilo sensual na prancheta

Mestre do design de automóveis,
o italiano Giugiaro vem ao Brasil
para lançar novos modelos

Angela Nunes


Divulgação
O EB 118 da Bugatti: luxo compacto que casa bem com a alta tecnologia


No princípio, era a carroça. As primeiras versões do automóvel, construídas no final do século XIX, pareciam prontas a receber um par de cavalos, capazes de puxar o veículo com a força de seu tropel. Ao longo das décadas, poucas invenções do ser humano tiveram um aperfeiçoamento tão contínuo e radical, embora permaneça basicamente o mesmo meio de transporte sobre quatro rodas. Entre o modelo pioneiro criado pelo alemão Gottlieb Daimler, em 1887, e os carrões de luxo que estampam escudos como Maserati, Bugatti, Ferrari, Mercedes ou BMW, a história do veículo reservou um espaço todo especial para aquele que é considerado o mais importante designer de automóveis de todos os tempos: o italiano Giorgetto Giugiaro, que desembarca no Brasil nesta semana. Trazido pela Fiat, ele será a estrela do lançamento mundial das novas versões da família Palio, a ser realizado no Rio de Janeiro, em uma grande festa na Base Aérea de Santa Cruz, no mesmo hangar que abrigou o Zeppelin, quando o dirigível passou pelo país em 1937. Leva a assinatura de Giugiaro a remodelagem do Palio tradicional, do Weekend e do Siena. "Ele costuma ser genial em todo tipo de projeto com que se envolve", define o engenheiro Gianni Coda, superintendente da Fiat na América Latina.

Marco de Bari
O Maserati 3200 GT: carroceria sobre base da Ferrari, uma fusão feliz de marcas

E Giugiaro se envolveu com projetos de todo tipo, além da criação de modelos de automóveis. Já desenhou máquina fotográfica para a Nikon, relógio para a Seiko, equipamento de informática para a Apple e até um macarrão comercializado pelo gigante Barilla, maior fabricante de massas em seu país. No caso, desenvolveu um tipo de fusilli capaz de reter maior quantidade de molho de tomate. Sem falar em eletrodomésticos, cosméticos, óculos, bicicletas, motos e barcos. Os filhos o acompanham na jornada – Fabrizio dá uma mão nos automóveis e Laura comanda os demais produtos, inclusive a grife de roupas femininas e masculinas. No currículo de Giugiaro podia estar faltando algo de muito inusitado, como ser artista de cinema. Mas não está. Uma de suas criações acabou imortalizada num dos filmes de maior bilheteria, o eletrizante De Volta para o Futuro. O carro desenvolvido pelo professor maluco que leva o jovem Michael J. Fox ao passado é nada menos que um De Lorean, uma encomenda que só deu certo fora da vida real.


Fotos Divulgação
Novidades na família Palio: apresentação com pompa


Sem nenhum tipo de exclusividade com a Fiat, Giugiaro firmou seu nome prestando serviços para uma grande lista de marcas concorrentes. Somente pela Italdesign, empresa que montou em 1968, produziu mais de oitenta modelos para produção em série de fabricantes da Itália, da França, da Alemanha, dos Estados Unidos ou do Japão. Das pranchetas, brotaram também dezenas de protótipos que brilharam nos salões anuais especializados, sem chegar ao mercado, mas com uma contribuição marcante de beleza e ousadia ao delinear novas tendências para o perfil dos carros. Ao lado dos luxuosos, como os recentes Maserati 3200 GT e o Bugatti EB 118 (ambos de 1998), convivem sucessos de grande público como o Passat e o Golf, da Volkswagen (1973 e 1974), e o Panda e o Uno, da Fiat (1980 e 1983).

 
O Nazca M12, para a BMW: 1 milhão de dólares seria o preço se vendido no mercado

A trajetória para alcançar tal conceito foi longa e começou por acaso na vida de Giugiaro, em 1955, quando dividia os estudos em um liceu artístico de Turim com um curso noturno de desenho técnico. Um diretor da Fiat visitava uma dessas entediantes mostras escolares de fim de ano e tropeçou em esboços de automóveis desenhados por Giugiaro, logo contratado para um departamento de estilo de veículos especiais. Quatro anos depois, ele saltou para o ateliê do designer Nuccio Bertone, um dos feras daquela época, que contribuiu para desenvolver e amadurecer seu talento, embora até hoje ainda reclame do salário, com bom humor. "Em 1960, eu já havia projetado uma Ferrari, uma Maserati e um Alfa Romeo, mas não tinha dinheiro para comprá-los", lembrou a VEJA, na última terça-feira. Quando os amigos perguntavam por que desenhava aqueles carrões e circulava em Turim a bordo de um carrinho barato, Giugiaro respondia: "É porque eu gosto mais". Depois de polir seus atributos técnicos na Carrozzeria Ghia, ele estava finalmente pronto para correr em faixa própria, em 1967, quando fundou sua primeira firma independente, a Ital Styling, que no ano seguinte se tornaria a Italdesign.

Nascido no vilarejo de Garessio, noroeste da Itália, Giugiaro, hoje aos 62 anos de idade, representa uma corrente que se diferenciou em seu campo de atividade. Até os anos 60, reinavam os "estilistas", como Nuccio Bertone e Giuseppe Farina, mais conhecido por Pininfarina. Havia menos interferência dos fabricantes e mais liberdade de criação. Depois, vieram os "designers" propriamente ditos, que passaram a enfrentar exigências cada vez maiores, ditadas pela concorrência mais apertada, pressões por custos menores e normas de segurança rigorosas, além da necessária economia de combustível. Na última década, passou a agir a globalização, disseminando o conceito de carros mundiais. "A organização da indústria automobilística tornou-se muito complexa, as responsabilidades aumentaram e o controle das decisões saiu das mãos de quem faz a criação", explica Giugiaro.


O Calà, da Lamborghini: linhas que seguem a herança italiana no campo das artes

Mesmo com mudanças desse porte, os profissionais do setor souberam preservar as características que diferenciam os estilos nacionais, muito semelhantes a certos traços da cultura de cada país. O professor de desenho industrial das Faculdades Armando Álvares Penteado Auresnede Pires Stephan explica que os alemães adotaram um caminho mais austero e funcional, que combina com a precisão e o rigor tecnológico de sua produção. Os americanos evoluíram pela rota da imponência e do porte avantajado, como nos célebres rabos-de-peixe de décadas passadas. Os japoneses combinaram disciplina e persistência, de certa maneira espelhadas em veículos insossos. Já os italianos cunharam a marca do romantismo e da sensualidade. "As linhas são femininas, delgadas, leves, torneadas, aconchegantes", diz Stephan. De acordo com ele, Giugiaro soube adequar-se às necessidades da grande produção industrial pós-anos 60 e ajudou a integrar o design com a engenharia, sem, contudo, abrir mão da estética e da aura de sofisticação e refinamento da escola italiana. "A Itália tem uma vocação para o design que honra as melhores tradições históricas na arquitetura, na pintura ou na escultura", define o próprio Giugiaro. Leia-se, no caso, uma herança que inclui Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Florença e Veneza.

 
Saiba mais
Dos arquivos de VEJA
  Ferrari "quase" barata
  Naves sobre rodas

 

 

Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco