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Estagiários
do Citibank: dos 1 200 inscritos, só vinte são contratados, com salário mensal de 1 800 reais |
| Foto: Claudio Rossi |
Para escolher uma profissão,
antes de mais nada, é preciso ouvir os pais
mas só
para saber o que eles acham da profissão que exercem. É
um erro ceder às pressões familiares. É natural o pai
advogado querer ver a filha no escritório e a mãe
dentista querer empurrar o filho para o consultório. Há
também os que fazem pressão porque não tiveram
oportunidade de estudar e sempre sonharam ver o filho
economista. Mas o futuro em questão é o do
vestibulando, não o deles. Recomenda-se conhecer o
máximo possível das minúcias das carreiras pelas quais
tem curiosidade. Um exemplo: é comum ficar em dúvida
entre administração de empresas e engenharia de
produção, já que as duas ocupações cumprem
praticamente o mesmo papel. "Num mercado de
mutação veloz, como o de agora, as fronteiras entre as
profissões tornam-se cada vez mais tênues", atesta
a psicanalista Maria Stella. O que fazer então? Antes de
mais nada, deve-se analisar o currículo dos dois cursos.
Quem detesta física, química ou mecânica deve fugir
das escolas de engenharia. Quem abomina filosofia,
sociologia e psicologia deve esquecer administração.
Muitas vezes a dúvida pode ser
resolvida dessa forma, de maneira simples, pela análise
dos currículos. É o que acontece quando a indecisão
envolve duas profissões semelhantes, como
administração e engenharia de produção, ou história
e filosofia. Mas há um tipo de dúvida mais complexa,
quando o estudante não sabe se quer ser economista ou
arquiteto
carreiras totalmente diferentes. Quem está
em dúvida entre uma área do mundo das contas e outra do
universo das artes não deve angustiar-se nem achar que
é um desorientado na vida. "Isso pode traduzir
apenas o desejo de trabalhar com finanças, mas sem abrir
mão da criatividade", afirma a psicóloga mineira
Marlene Batista, diretora do Centro de Psicologia
Aplicada da Universidade Estadual de Minas Gerais.
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Adolescentes
em programa de orientação vocacional, em São Paulo: de olho no futuro |
| Foto: Claudio Rossi |
As profissões podem ser divididas em famílias. Algumas estão sempre em alta desde que o mundo é mundo, como medicina, direito e engenharia. Isso não vai mudar nunca. As pessoas vão continuar a ficar doentes, têm de resolver a pendência do aluguel e precisam de estradas para se deslocar. Outras, embora pouco prestigiadas, não deixam seus profissionais desempregados, como letras e matemática, já que sempre haverá procura por professores. Há carreiras que surpreendem, como turismo e educação física. Cinco ou seis anos atrás eram tidas como atividades exóticas, e hoje, apesar de oferecer salários pouco atraentes, formam entre as campeãs do vestibular. Uma categoria de profissão costuma gerar um encantamento especial entre os jovens, por conta de um falso glamour a ela atribuído. É o caso de jornalismo e publicidade. Na verdade, trabalha-se muito, ganha-se pouco e arrumar emprego é um desafio.
Como os jovens no Brasil têm de
fazer sua opção profissional cedo demais, aos 17, 18
anos, há quem argumente que, em função disso, estariam
mais sujeitos às inseguranças do que o americano, por
exemplo. Lá, os estudantes só fazem a escolha de dois a
quatro anos depois, o que faz com que o universitário
americano tenha, em média, 25 anos
idade de
profissional formado no Brasil. "Se pudessem
escolher mais tarde a profissão, os jovens poderiam ter
um grau de segurança maior em torno do que planejam para
suas vidas", diz o consultor de recursos humanos
Simon Franco. É verdade. Na hora da decisão, o grande
medo é errar. É descobrir mais tarde que a carreira
escolhida não era a mais apropriada, que poderia ter
feito outra coisa qualquer. Conhecendo um pouco mais
sobre as profissões, o que poderia ser feito se os
candidatos tivessem mais tempo, a margem de erro na hora
de assinalar o "x" poderia ser menor.
"Poderia, mas jamais desapareceria", acrescenta
Franco. "Em qualquer idade, a dúvida vai existir
sempre que se precisar escolher." Isso acontece até
mesmo entre profissionais experientes. Há quem esteja
trabalhando há dez, quinze anos e até hoje continue em
crise, sem saber se escolheu certo ou errado.
Para o candidato que fica alucinado tentando resolver esse dilema, que fica procurando uma vocação, um aviso. "A única vocação do ser humano é não ter vocação nenhuma", filosofa o professor Bock. Isso quer dizer que a opção por uma carreira nada tem a ver com programação genética, mas com a história particular de cada um, sua educação, seu ambiente social, sua experiência de vida. Não adianta esperar que alguém ou algum livro de auto-ajuda identifique uma forte inclinação para a engenharia ou para a biologia. "Os estudantes esperam que alguém lhes diga qual carreira seguir", conta Maria Apparecida de Freitas, psicóloga paulista e orientadora vocacional. Os testes vocacionais ajudam, mas devem ser vistos apenas como forma de identificar áreas de interesse do aluno (veja quadro abaixo). Há versões mais específicas, que arriscam dizer se x deve ser veterinário e y, advogado. Cuidado. São pilantragens das grossas. "Os testes são bons para apontar caminhos, não para dar respostas acabadas", diz o vice-governador de Minas Gerais, Walfrido Mares Guia, educador que tem um exemplo pessoal para contar. Antes de prestar vestibular, seu teste vocacional disse que deveria ser advogado. Terminou fazendo engenharia química e administração de empresas, acabou professor, e não se arrepende. "Os testes também erram", afirma.
Concorrência feroz
O único
critério apropriado para tomar uma decisão tão
difícil é fazê-lo solitariamente. Deve-se ter em mente
apenas a busca da satisfação pessoal. "Ninguém
vai ser feliz fazendo o que não gosta, ainda que consiga
ganhar um bom salário no final do mês", diz o
pedagogo Celso Ferreti, de São Paulo. Não adianta sair
correndo atrás do mercado, querendo cursar a faculdade
que interessa à praça. Cursos de momento, como moda e
comércio exterior, estão em alta agora. Amanhã podem
estar na sarjeta. É mais importante investir numa boa
formação. "Os estudantes devem ter um grau de
conhecimento bastante amplo e deixar para as empresas a
responsabilidade de treiná-los de acordo com suas
necessidades", defende Walfrido Mares Guia.
Todos os anos, o programa de estagiários do Citibank recebe cerca de 1.200 inscritos. Na primeira triagem, 1.000 jovens são sumariamente dispensados. Depois, um exame atento do currículo de cada um derruba outros 120. Sobram oitenta. Submetidos a testes específicos, restam vinte. Esses ganham contrato de um ano e catorze salários de 1.800 reais. Durante esse período, os recém-formados estagiam nos vários setores do banco. A mesma dureza da concorrência entre recém-formados se verifica na Copesul, peso pesado do setor químico e petroquímico, em Porto Alegre. A cada ano, 700 jovens candidatam-se ao programa de estágio da companhia. Depois de uma batelada de testes e entrevistas, apenas vinte ficam. Contratados por seis meses, ganham 750 reais por mês. Deles, catorze acabam contratados. "Minha experiência mostra que se dão melhor nas nossas triagens as pessoas mais apaixonadas pela profissão que abraçaram", afirma Délsio Klein, chefe de recursos humanos do Citibank.
Não importa o curso, ninguém deve perder de vista a necessidade de estudar muito. Não desperdice tempo fazendo curso de espanhol porque inventaram que isso pode ser bom para trabalhar em tempos de Mercosul. Estude espanhol se isso lhe agradar, se quiser ler Cervantes no original. "Os conhecimentos da humanidade se reciclam a cada seis anos", diz o químico José Atílio Vanin, vice-diretor da Fuvest, organizadora de alguns dos mais importantes vestibulares do país. "Só alguém que estuda com afinco consegue acompanhar esse ritmo." No setor de informática, o moderno de hoje estará obsoleto em seis meses. Na medicina, metade dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos que estarão em uso daqui a dez anos ainda não foi descoberta. "A formação generalista é muito mais importante do que a profissão em si", salienta a socióloga Elizabeth Balbachevsky, do Núcleo de Pesquisas sobre Ensino Superior, da Universidade de São Paulo.
Teste sua vocação |
| Testes vocacionais não fazem milagres, não têm poder de apontar uma única profissão a ser seguida - os que fazem são picaretas - mas são um bom norte acerca de aptidões e interesses. Fazendo perguntas, muitas vezes de aparência tola, os testes conseguem colher pistas das impressões de uma pessoa sobre um campo profissional. O questionário abaixo é um teste vocacional dos mais empregados. Você lerá uma série de atividades apresentadas aos pares, com letras "A" e "B". Algumas dessas atividades parecerão estranhas, mas não estão aí à toa. Lendo as alternativas, assinale "A" ou "B", estando livre também para marcar as duas ou nenhuma |
| Em cada um dos grupos, some as respostas "A" do quadro rosa com as respostas "B" do azul e anote o resultado no lugar indicado. Feitas as somas, transporte os totais para o final da página, onde está o gabarito |
| Grupo I - Você prefere | Grupo II - Você prefere |
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A - conhecer as leis da genética B - conhecer o funcionamento de um motor A - visitar um laboratório de microbiologia B - ir a uma exposição de produtos A - estudar a respiração dos peixes B - aprender a trabalhar com máquinas de calcular A - analisar as propriedades terapêuticas das frutas B - fazer um estudo sobre desemprego A - ler sobre a reprodução das aves B - ler sobre literatura A - fazer experiências com plantas B - fazer decoração e paisagismo |
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A - ler sobre mecânica B - ler sobre física quântica A - estudar os ossos e músculos do corpo humano B - conhecer o mecanismo das máquinas em geral A - resolver quebra-cabeças matemáticos B - resolver quebra-cabeças com objetos A - visitar um orfanato B - visitar um museu de ciências A - ler obras de escritores famosos B - conhecer trabalhos de físicos famosos A - visitar uma galeria de arte B - conhecer um novo aparelho de laboratório |
A - estudar a composição da atmosfera B - estudar o DNA A - ir a um laboratório de análises clínicas B - assistir a uma palestra sobre imunologia A - determinar o custo de uma nova máquina B - pesquisar a cura da Aids A - estudar a causa da delinqüência juvenil B - observar o comportamento dos animais A - obter uma bolsa de literatura B - obter uma bolsa de biologia A - ler a seção de variedades de um jornal B - ler sobre a importância das vitaminas |
+ = |
+ = |
| GRUPO III - Você prefere: | GRUPO IV - Você prefere: |
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A - visitar um asilo de
velhos B - visitar uma usina nuclear A - estudar o problema do menor abandonado B - observar o comportamento dos insetos A - entrevistar famílias sobre educação dos filhos B - organizar e tabular pesquisas A - ajudar a resolver problemas de crianças B - ajudar famílias de migrantes a se adaptar A - ser voluntário em programas de adoção de menores B - participar de cursos de redação A - ler sobre a produção de drogas B - ler sobre arte clássica |
A - ler obras de romancistas
consagrados B - conhecer trabalhos de prêmios Nobel de física A - estudar a história da pintura B - estudar a história da ciência A - pertencer a um grupo literário B - pertencer a um grupo da Internet especializado em finanças A - aprender um idioma estrangeiro B - aprender um novo sistema de catalogar animais A - fazer um curso de literatura moderna B - assistir a um curso de gramática A - escrever uma peça teatral B - trabalhar numa peça |
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A - obter uma bolsa de estatística B - obter uma bolsa de pedagogia A - analisar a composição dos alimentos B - analisar as causas do desemprego A - calcular o aumento do custo de vida B - estudar a condição social do trabalhador A - ajudar a combater a mendicância B - ajudar na educação de favelados A - estudar informática B - estudar novo método para erradicar o analfabetismo A - desenhar modelos de roupas B - ensinar crianças a se orientar no trânsito |
A - projetar uma estrada B - recitar poemas A - ler sobre protozoários B - ler sobre poesia A - escrever uma tese de química B - escrever uma novela A - participar de programas de recuperação de drogados B - participar de um curso de arte A - estudar regras de estilo e oratória B - estudar literatura e interpretação de texto A - criar modelos de cartões-postais B - criar frases originais para esses cartões |
+ = |
+ = |
GRUPO V - Você prefere: |
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A - visitar uma exposição de
escultura B - conhecer um novo tipo de fax A - ler sobre cinema e teatro B - ler sobre avanços tecnológicos A - colecionar reproduções de pintura B - colecionar gráficos da inflação A - criar designs de objetos B - criar campanhas de trânsito A - bolar um novo tipo de cenografia para dança B - bolar uma nova iluminação para palco A - inventar estampas para tecido B - criar desenhos para histórias em quadrinhos |
A - fazer experiências num
laboratório de química B - fazer desenho e gravura A - testar a resistência dos materiais B - fazer decoração de ambientes A - trabalhar com computador B - desenhar os móveis de uma casa A - ler sobre o efeito estufa B - ler sobre a história da música A - redigir um roteiro de cinema B - trabalhar num filme A - criar desenhos para embalagens de produtos B - criar ilustrações para artigos da imprensa |
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RESPOSTA DO TESTE |
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| É normal que você demonstre interesse por mais de um campo de conhecimento. A combinação de dois ou mais interesses, muitas vezes com pontuação idêntica, não deve confundi-lo. Ao contrário, o cruzamento dos campos pode ser esclarecedor. Se a sua primeira área de interesse é o grupo 1, das ciências físicas, e o grupo 5, das atividades artísticas, os especialistas afirmam que isso pode indicar profissões que associem técnica e arte, como arquitetura. Interesse forte por biológicas combinado à área de humanas pode ser indicativo de uma tendência para o exercício da medicina ou de biologia vinculada à saúde pública |
Com
reportagem de Esdras Paiva, de Brasília,
Marcos Gusmão, de Belo Horizonte, Roberta
Paixão,
do Rio de Janeiro, e Thaís Furtado, de Porto
Alegre
Copyright © 1997, Abril
S.A. |