Romance de verão

Elite esnoba e aparece uma outra, mas
Diana fica firme com o namorado playboy

Lizia Bydlowski

Coitada da princesa Diana, tão bonita, tão badalada, mas não dá sorte com os homens. A novela de seu primeiro casamento o planeta inteiro conhece. Escolhida por virginal e de bom berço para gerar herdeiros para o trono da Inglaterra, foi repudiada em sua intenção, absurda aos olhos do marido, o príncipe Charles, de ter afeto e amor de verdade. Terminou com o divórcio escandaloso e a baixaria de ambos confessando em público seus romances paralelos. No caso de Diana, nem precisava o canalha com quem se consolava das desfeitas de Charles, major James Hewitt, já havia contado tudinho em detalhes. As desventuras sentimentais da princesa são tão flagrantes que todo mundo torce para que encontre um bom companheiro. Servia até um tipo nada ideal, como o playboy egípcio Dodi Fayed, com quem ela desfilou em férias no Mediterrâneo aos beijinhos e abraços. A elite inglesa se horrorizou. Imagine só a mãe do futuro rei de caso com o filho de um corruptor confesso de políticos e sobrinho de um notório mercador de armas para não dizer árabe, sinônimo de "escuro" na linguagem cifrada dos branquelos empoados. O povão, que adora Diana, relevou. Uma daquelas pesquisas tão típicas da Inglaterra deu 70% de apoio ao namoro.

Era bom demais para ser verdade. A tinta das fotos que mostravam o romance al mare nem havia secado quando apareceu mais uma encrenca na vida da princesa. A confusão atende pelo nome de Kelly Fisher, uma linda modelo americana de 31 anos, que entrou em cena na quinta-feira passada para entregar o novo queridinho da princesa. Dodi, disse Kelly, tinha um compromisso firme com ela, traduzido em jóias e até em um cheque (sustado) para que mobiliasse o futuro lar. Pior ainda, enquanto ele andava de jet-ski para cima e para baixo com Diana, Kelly ficava num outro iate ah, esses milionários , ali pertinho, esperando-o para programas noturnos presumidamente mais interessantes. Nada de espantar, considerando-se o currículo de Imad Al Fayed, 41 anos, apelidado Dodi, um sujeito fino, educado, charmoso e, principalmente, mão-aberta. À atriz Brooke Shields, com quem desfilou uma temporada, mimoseou com uma caixa contendo um vidro de cada perfume vendido na "lojinha" de seu pai, a Harrods de Londres 150 no total. A ex-mulher, outra modelo americana, Suzanne Gregard, saiu do casamento de apenas oito meses ("Desta instituição, estou fora para sempre", comentou Dodi, revelando refinado senso de humor) com 2 milhões de dólares na conta e um Rolls-Royce.

Diana Fayed? Contribui para fazer de Dodi um conquistador de respeito no jet set internacional, apesar do rosto comum e dos quilos a mais, o poder que tem em Hollywood, onde produziu filmes como Carruagens de Fogo e Hook. Para starlets e modelos, um ótimo partido, como se vê. Para Diana, princesa de Gales, a coisa é mais complicada. Dodi é sobrinho por parte de mãe de Adnan Khashoggi, o empreendedor saudita que ficou quaquilionário intermediando a compra de armas e ganhou alguns processos nas costas. Mas é, sobretudo, filho de Mohamed Al Fayed, um dos homens mais ricos do mundo, que em 1985 teve a petulância de comprar a Harrods, a loja de departamentos onde a rainha faz compras e os ingleses esnobes gostam de se imaginar melhores do que a plebe dos shoppings vulgares. Na proposta de compra, Al Fayed dava como garantia as posses de sua distinta família de industriais. Uma sindicância posterior desmontou a armação: filho de um modesto professor, ele nasceu na parte pobre de Alexandria, e sua fortuna esta sim, muito verdadeira relaciona-se vagamente à "construção e navios".

Desde então, Al Fayed e parte da elite inglesa vivem às turras. Para quem sempre torceu o empinado nariz à simples menção do nome do magnata egípcio, uma eventual senhora Diana Fayed (quem sabe até convertida ao islamismo) teria o mesmo gostinho amargo de Jacqueline Kennedy Onassis para os americanos a expressão da elegância e do refinamento pátrios que se vende a um milionário sem berço e trambiqueiro. Al Fayed, que também é dono do hotel Ritz e da casa onde os duques de Windsor (protagonistas do grande escândalo real de mais de meio século atrás) moraram em Paris, tentou duas vezes obter cidadania britânica. Em ambas, foi rejeitado por conta da mentira desmascarada. Foi buscar "apoio" político molhando a mão de deputados do Partido Conservador, então no poder. Não conseguiu, mas os subornos, revelados, foram mais uma pá de cal para os conservadores, derrotados na eleição de maio último.

Visita a vidente As encrencas de família e a noiva supostamente abandonada no altar parecem não ter sido suficientes para abalar o romance de Diana, uma mulher que notoriamente se deixa levar pelo coração, apesar de sempre se dar mal. De que a coisa é séria já há um indício significativo: na volta das férias, foi com o namorado visitar sua vidente favorita, Rita Rogers Diana adora um esoterismo. O caso da princesa com o playboy poderia arrancar mais um naco do prestígio destroçado da realeza britânica? A resposta é complicada. Embora tenha contribuído, involuntariamente, para expor os podres da família real com sua exibição pública de infelicidade ao lado do marido gélido e infiel, Diana é muito popular. Seus inimigos, com Charles à frente, adorariam que ela se casasse com um milionário vulgar e fosse morar na Califórnia, contaminada pela convivência com os novos-ricos e o mundo banal das celebridades. Até hoje, no entanto, o carisma de Diana tem sobrevivido a tudo às próprias bobagens que comete e às armadilhas montadas em seu caminho. Ironicamente, é o prestígio de Diana, a princesa repudiada, que ainda pode dar mais algum alento à realeza.

Guarda punk

Além da hipótese de uma ex-futura-rainha muçulmana, os ingleses também vão ter de se acostumar a outra novidade. O ministro da Defesa, lorde Gilbert, defensor dos animais, quer meter a mão no tradicional chapéu de pele de urso canadense dos guardas da rainha no Palácio de Buckingham. Em lugar da pele natural, propõe fios sintéticos. Os tradicionalistas estão furiosos. A guarda palaciana é símbolo da realeza - dela fazem parte, em cargos honorários, a própria rainha e o príncipe Charles. "Como os fios sintéticos se arrepiam com a chuva, vamos virar punks", reclamou um membro da guarda.




Copyright © 1997, Abril S.A.

Abril Online