Saúde
Corrida
contra o tempo
A medicina derruba a noção
de que se deve diminuir o ritmo
dos exercícios depois dos 50 anos.
Correr com intensidade
é parte da receita para uma velhice com qualidade
de vida

Paula
Neiva
Paulo Pereira
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Tudo melhorou
O engenheiro Sergio Bertocco,
de 50 anos: "Com a corrida, fiz mais amigos e passei a
ter um sono reparador" |
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O aumento da longevidade é um fenômeno mundial que impõe
uma série de desafios, como melhorar a qualidade de vida durante a velhice.
Um grupo de médicos da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, acaba
de dar uma colaboração nesse sentido. Na semana passada, eles divulgaram
uma pesquisa elaborada ao longo de duas décadas que aponta a corrida como
um ótimo aliado para retardar as conseqüências nefastas do envelhecimento.
Os pesquisadores investigaram ainda se os riscos de lesões musculares e
nas articulações, comuns entre corredores, representam uma ameaça
aos benefícios que o exercício pode oferecer a quem tem idade avançada.
A probabilidade de lesões no grupo de corredores, mostra a pesquisa, é
compatível com a de pessoas que não correm. "Um dos maiores
entraves à prática de corrida por pessoas mais velhas é a
crença equivocada de que esse exercício é desgastante demais
para o organismo de quem já passou da faixa dos 50 anos", disse a
VEJA o médico americano James Fries, especializado em doenças reumáticas
e envelhecimento, um dos autores do estudo. De acordo com a pesquisa, pessoas
acima de 50 anos que praticam corrida regularmente vivem mais e desfrutam uma
qualidade de vida melhor na velhice (veja o quadro). Segundo os pesquisadores,
tais benefícios valem também para outros exercícios aeróbicos
vigorosos, como pedalar e caminhar em ritmo acelerado, principalmente quando se
provoca o suor e o coração trabalha perto de 85% de sua freqüência
cardíaca máxima.
Para
chegar a tais conclusões, os pesquisadores americanos acompanharam 961
pessoas que tinham entre 50 e 72 anos de idade no início do estudo, em
1984. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles era formado por
pessoas que corriam, em média, quatro horas por semana tempo que
encolheu para 76 minutos semanais no final da pesquisa. O outro grupo era composto
de sedentários ou praticantes de atividades físicas leves ou moderadas.
Ao longo das duas décadas seguintes, com o aumento da idade dos participantes,
ambos os grupos registraram um acréscimo nos índices de fragilidade
física para o desempenho de tarefas cotidianas. Entre aqueles que praticavam
corrida, a incapacitação apareceu, em média, dezesseis anos
mais tarde. As taxas de mortalidade relacionadas a algumas das principais causas
de óbito entre idosos, como distúrbios cardiovasculares e neurológicos,
câncer e infecções, também foram maiores entre os não-corredores.
Lailson
Santos
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Amor
com malhação O dentista
Benedicto Bassit, de 71 anos, que corre há quinze: casamento condicionado
à adesão da noiva aos exercícios |
A
questão que aflige muitos corredores tardios é a quantidade de exercícios
para não incorrer em exageros. Responde o médico James Fries, de
Stanford: "Se a pessoa não tiver dores, não existe um limite
máximo. A maioria dos benefícios é obtida com três
horas semanais de corrida, distribuídas em meia hora diária, seis
dias por semana". Correr melhora a capacidade cardiorrespiratória.
Além disso, o impacto dos pés contra o solo ajuda a fixar o cálcio
nos ossos e, dessa forma, é um bom auxiliar na prevenção
da osteo-porose. A doença, que deixa os ossos fracos e quebradiços,
atinge 200 milhões de pessoas no mundo, 10 milhões delas no Brasil.
Recomenda-se associar corrida a exercícios de força e alongamento,
para fortalecer a musculatura e diminuir os riscos de lesão. "Depois
de ter um estiramento muscular enquanto corria, aprendi a não deixar de
fazer o aquecimento e a musculação", diz o dentista paulista
Benedicto Bassit, 71 anos, que pratica corrida regularmente há quinze.
Bassit diz que a corrida é uma parte indispensável de sua rotina.
"Casei há um ano e minha mulher, apesar de ser mais nova que eu, não
corria. Eu disse que só casaria se ela também começasse a
correr. Funcionou", conta.
A corrida
se popularizou muito no Brasil na última década. A Corpore, o maior
clube de corredores de São Paulo, registrou aumento de 311% no número
de cadastros nos últimos cinco anos. A modalidade conquista adeptos, principalmente,
porque proporciona resultados rápidos. "Começar a correr desencadeou
uma série de mudanças nos meus hábitos de vida. Fiz novos
amigos, passei a me alimentar melhor e ter um sono reparador", diz o engenheiro
paulista Sergio Bertocco, de 50 anos, que corre entre uma e duas horas cinco vezes
por semana. Ficou para trás o tempo em que pessoas na idade de Bertocco
recebiam orientação médica para moderar nos exercícios
daí para a frente.
