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Beleza Graças aos avanços da musculação, muito muque e muitos gomos no abdômen separam os fortões de hoje dos de antigamente
De cueca justinha e caneleiras, o galã Richard Gere apareceu em Gigolô Americano, filme de 1980, como o protótipo da beleza masculina levada aos extremos do aperfeiçoamento físico chegava a fazer abdominais invertidos, o que deixava o público feminino de cabeça para baixo. Hoje, se Gere aparecesse numa academia como o personagem Julian Kaye, provocaria duas reações: 1) perguntariam onde está a definição; 2) teria de suar muito mais para chegar a níveis elogiáveis de barriga, coxa e bíceps como comprova a comparação feita recentemente pela revista People entre o bonitão dos velhos tempos e o ator Mario López, jovem e esculpido aspirante a galã fortão. "Na década de 80, quando o conceito de fitness começou a se disseminar, ter bom físico significava ter bom condicionamento aeróbico. Não se levavam em consideração força, flexibilidade, porcentagem de gordura no corpo. Mesmo os testes para o corpo de bombeiros só mediam o desempenho cardiovascular", lembra Eduardo Netto, diretor técnico de uma rede de academias, que na época já era professor de ginástica. Os freqüentadores da "sala de musculação", espaço dotado de poucos e simples aparelhos, eram em geral praticantes de fisiculturismo. A evolução dos conhecimentos sobre o funcionamento do corpo, e também a mudança nos padrões estéticos, está criando homens tão extraordinariamente fortes que parecem dotados de músculos que ninguém sabia que existiam. É evidente a contradição entre a era do esforço físico zero e os corpos em expansão. Mas ninguém precisa esfalfar o cérebro para compreender o apelo universal da musculatura saliente exaltada recentemente na figura de Yasin Qaderi, dono de academia que derrotou cinqüenta fortíssimos finalistas e se tornou o novo Mr. Afeganistão. Se até na conflagrada Cabul sobra tempo para essas coisas, o culto aos músculos tem seguidores garantidos. O que mudou foi como cultivá-los. Nos tempos do Gere gigolô, importante era correr, ou fazer cooper, como se dizia. Homens que queriam desenvolver músculos faziam poucos exercícios com muitas repetições (veja o quadro). Corria a deletéria época das 100 flexões, dos 200 agachamentos, dos 500 abdominais. "Hoje sabemos que esse tipo de treino pode causar lesões ortopédicas. A nova orientação são programas com poucas repetições e muita carga. Por isso, há trinta anos não se via ninguém com caneleiras de mais de 3 quilos, ao passo que agora é absolutamente normal ver mulheres com 15 quilos em cada perna", comenta Netto, exagerando só um pouquinho o conceito de normalidade. Além de mais pesada, a musculação ficou mais específica. A sala triplicou de tamanho para abrigar máquinas como as cadeiras adutora e abdutora, destinadas a desenvolver os músculos interno e externo da coxa; o peck deck, que expande o peitoral; e o leg press, que reforça glúteos e pernas. Abdominais no solo e pesos em geral continuam presentes, mas são praticamente a parte recreativa do treino. A musculação com aparelhos e carga pesada propiciou uma nova era de descobrimentos no caso, a descoberta foi de grupos musculares que viviam escondidos e que hoje pulam, exibidos, sob a pele dos novos fortões. As maiores revelações ocorreram na região da barriga. Aí, saltam à vista os invejados espaços entre tendões que se cruzam no reto abdominal, formando os gominhos da celebrada barriga-tanque. Também merece destaque o recôndito transverso, um músculo mais profundo que, devidamente domado, não deixa a barriga estufar. E revela-se ao mundo o muito notado e elogiado abdominal oblíquo, músculo localizado na parte lateral e inferior do abdômen que fica exposto, em forma de "v", quando a bermuda escorrega pelos quadris. Até abaixo do joelho houve mudança significativa: com a invenção da cadeira solear, os malhadores liberaram a panturrilha que levavam escondida.
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