Edição 1816 . 20 de agosto de 2003

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DVDs

O Árbitro (The Ref, Estados Unidos, 1994. Buena Vista) – "Seqüestrei meus pais!", pensa, desesperado, o ladrão Gus (Denis Leary). Seus reféns, no caso, são Caroline e Lloyd Chasseur, um casal que não pára de brigar, discutir e se provocar. Como Gus vai ter de passar a noite de Natal na casa dos Chasseur, sob pena de ser capturado pela polícia, ele acaba se vendo transformado em árbitro das torturantes disputas conjugais. Judy Davis e Kevin Spacey – este em fase pré-estrelato – interpretam o casal de forma devidamente irritante, enquanto Denis Leary tem um de seus melhores momentos como o ladrão. O mesmo vale para seu grande amigo e colaborador, o diretor Ted Demme, que morreu prematuramente no ano passado, aos 38 anos.


Jorge Rosenberg
Sarah Vaughan: revelações


Masters of American Music
(Versátil) – Essa coleção de quatro DVDs, que podem ser adquiridos separadamente, aborda a vida e a carreira de lendas do jazz americano: as cantoras Billie Holiday e Sarah Vaughan, o saxofonista Charlie Parker e o pianista Thelonious Monk. O documentário mais interessante é o de Sarah, até porque existem poucos registros em vídeo da carreira da cantora. Ele mostra seus primeiros passos musicais, dados numa igreja batista em Nova Jersey, e sua vitória num concurso de calouros em Nova York – onde ela despontou para a fama. A biografia é intercalada com belas cenas ao vivo e depoimentos de amigos, da mãe e da filha da cantora, Paris Vaughan – que revela que sua mãe era uma intérprete insegura e morria de medo de se apresentar no palco.

 

DISCOS

Parada de Lucas, Lucas Santtana (Diginóis) – Se fosse possível reunir os genes de Bob Marley e Jorge Ben Jor e misturá-los num programa de computador, o resultado seria bem próximo ao apresentado por Lucas Santtana em Parada de Lucas. O cantor e instrumentista baiano tem formação clássica, participou da banda de Gilberto Gil e foi parceiro de Marisa Monte em Abololô, uma das melhores faixas de Memórias, Crônicas e Declarações de Amor. Mas seu estilo musical pende mais para o gingado de violão e as letras cáusticas de Marley e Ben Jor. O computador colabora com boa dose de ruídos nas onze faixas do CD, com destaque para Lycra-Limão e Tática de Machine. Muita gente diz estar fazendo a "nova MPB", mas poucos apresentam resultados tão consistentes quanto os de Parada de Lucas.

Barely Legal e Your New Favorite Band, The Hives (Trama) – Certos grupos de rock são como os zagueiros dos times da Série B do Campeonato Brasileiro: não dão moleza sob hipótese nenhuma. É pauleira o tempo todo. O quinteto sueco The Hives faz parte desse grupo. Eles estouraram no mercado brasileiro com a canção I Hate to Told You So e agora têm seus dois primeiros discos lançados no país. Barely Legal,de 1997, traz catorze músicas tocadas a toda a velocidade (tente acompanhar a letra de Here We Go Again, se for capaz). Your New Favorite Band foi lançado para aproveitar o sucesso de I Hate to Told You So. Traz um apanhado dos dois primeiros discos do grupo, três faixas inéditas e quatro videoclipes para ver no computador.

 

TELEVISÃO

Craig Blankenhorn/HBO
Sonia: pintora lésbica


Sex and the City
(Segundas, às 22h45, no Multishow) – Crônica dos desencontros amorosos de quatro nova-iorquinas solteiras e liberadíssimas, a série atinge o ponto alto de sua quarta temporada numa seqüência de três episódios que vão ao ar a partir desta semana. Neles, a insaciável Samantha (Kim Cattrall) deixa de lado seu apetite por rapagões na flor da idade e investe numa relação lésbica – o detalhe é que sua namorada na trama é uma artista plástica brasileira interpretada por Sonia Braga. Ela está ótima no papel de Maria, uma pintora para lá de riponga que parte com convicção para cima do mulherio. A cena de sexo protagonizada pela dupla fez barulho nos Estados Unidos. Gabriela, Cravo e Canela era uma santa perto do que Sonia vive aqui.

 

CINEMA

O Show Não Pode Parar (The Kid Stays in the Picture, Estados Unidos, 2002. Desde sexta-feira em cartaz) – Parecia piada: o que um ex-modelo e ex-ator estava fazendo como mandachuva da Paramount? Hollywood parou de rir quando Robert Evans, o sujeito em questão, produziu Chinatown, Love Story, O Poderoso Chefão, O Bebê de Rosemary e por aí vai. Todo o poder de que Evans desfrutou até meados dos anos 70, porém, foi por terra por causa de um divórcio (de Ali McGraw, que o trocou pelo astro Steve McQueen), uma prisão por drogas, um fiasco (Cotton Club) e a suspeita de envolvimento num assassinato. Dirigido por uma dupla de documentaristas, com base na autobiografia que Evans publicou em 1994, esse é um filme extraordinário sobre uma figura que nunca poderia existir na Hollywood corporativa de hoje.

 

LIVROS

A Garota do Trombone, de Antonio Skármeta (tradução de Eric Nepomuceno; Record; 364 páginas; 35 reais) – Figura mais célebre da literatura chilena atual, o autor do best-seller O Carteiro e o Poeta faz bom uso de seus dotes (a leveza, o humor e a ternura) nesse novo romance. O livro é a continuação de uma obra anterior, As Bodas do Poeta, e retoma alguns de seus personagens, como Alia Emar e Esteban Coppeta. Este último imigrou de sua ilha de origem, no Mar Adriático, para viver no Chile. Certo dia, um estranho bate à sua porta carregando um trombone e uma criança de 2 anos, que lhe entrega dizendo ser sua neta nascida na Europa. A menina é a narradora sedutora e inteligente do romance, que fala sobre o Chile dos anos 50 e 60, antes do golpe de Estado que, em 1973, instaurou uma ditadura militar no país.

Fora do Abrigo, de David Lodge (tradução de Therezinha Monteiro Deutsch; Best Seller; 368 páginas; 39,90 reais) – Publicado originalmente em 1970, Fora do Abrigo aborda o rito de passagem de um adolescente para a vida adulta. Trata-se de uma história com tintas autobiográficas, em que a prosa do inglês David Lodge – especialista em criar romances cômicos ambientados no mundo acadêmico – está mais sóbria que de costume. Seu protagonista, Timothy, passa dias e dias num abrigo antiaéreo em Londres – então sob bombardeio dos alemães, na II Guerra Mundial. Na adolescência, ele conhece os prazeres da liberdade e do sexo durante uma temporada de férias na Alemanha. Essa descoberta da vida é o mote para Lodge lançar um olhar irônico sobre as transformações sociais do pós-guerra. Leia trechos do livro.

O Ensandecido, de Ha Jin (tradução de Manoel Paulo Ferreira; Companhia das Letras; 327 páginas; 38 reais) – Ha Jin é um dos mais interessantes escritores chineses da nova geração. Radicado nos Estados Unidos – para onde se mudou para cursar um doutorado e acabou ficando de vez depois do massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989 –, ele promove um cruzamento de tradições literárias. Seus livros, escritos em inglês, estão a meio caminho entre o conto popular de seu país e os romances realistas à maneira ocidental. Em O Ensandecido, ele encontrou um modo original de criticar a hipocrisia dos intelectuais sob a ditadura comunista da China. Depois de sofrer um derrame, um professor passa a disparar impropérios contra o regime. Todos pensam que ele está louco – mas, paradoxalmente, é a voz mais lúcida do romance.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
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