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VEJA
Recomenda
DVDs
O
Árbitro (The Ref, Estados Unidos, 1994. Buena
Vista) "Seqüestrei meus pais!", pensa, desesperado,
o ladrão Gus (Denis Leary). Seus reféns, no caso,
são Caroline e Lloyd Chasseur, um casal que não pára
de brigar, discutir e se provocar. Como Gus vai ter de passar a
noite de Natal na casa dos Chasseur, sob pena de ser capturado pela
polícia, ele acaba se vendo transformado em árbitro
das torturantes disputas conjugais. Judy Davis e Kevin Spacey
este em fase pré-estrelato interpretam o casal de
forma devidamente irritante, enquanto Denis Leary tem um de seus
melhores momentos como o ladrão. O mesmo vale para seu grande
amigo e colaborador, o diretor Ted Demme, que morreu prematuramente
no ano passado, aos 38 anos.
Jorge Rosenberg
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| Sarah
Vaughan: revelações |
Masters of American Music (Versátil) Essa
coleção de quatro DVDs, que podem ser adquiridos separadamente,
aborda a vida e a carreira de lendas do jazz americano: as cantoras
Billie Holiday e Sarah Vaughan, o saxofonista Charlie Parker e o
pianista Thelonious Monk. O documentário mais interessante
é o de Sarah, até porque existem poucos registros
em vídeo da carreira da cantora. Ele mostra seus primeiros
passos musicais, dados numa igreja batista em Nova Jersey, e sua
vitória num concurso de calouros em Nova York onde
ela despontou para a fama. A biografia é intercalada com
belas cenas ao vivo e depoimentos de amigos, da mãe e da
filha da cantora, Paris Vaughan que revela que sua mãe
era uma intérprete insegura e morria de medo de se apresentar
no palco.
DISCOS
Parada
de Lucas, Lucas Santtana (Diginóis) Se fosse
possível reunir os genes de Bob Marley e Jorge Ben Jor e
misturá-los num programa de computador, o resultado seria
bem próximo ao apresentado por Lucas Santtana em Parada
de Lucas. O cantor e instrumentista baiano tem formação
clássica, participou da banda de Gilberto Gil e foi parceiro
de Marisa Monte em Abololô, uma das melhores faixas
de Memórias, Crônicas e Declarações
de Amor. Mas seu estilo musical pende mais para o gingado de
violão e as letras cáusticas de Marley e Ben Jor.
O computador colabora com boa dose de ruídos nas onze faixas
do CD, com destaque para Lycra-Limão e Tática
de Machine. Muita gente diz estar fazendo a "nova MPB", mas
poucos apresentam resultados tão consistentes quanto os de
Parada de Lucas.
Barely
Legal e Your New Favorite Band, The Hives
(Trama) Certos grupos de rock são como os zagueiros
dos times da Série B do Campeonato Brasileiro: não
dão moleza sob hipótese nenhuma. É pauleira
o tempo todo. O quinteto sueco The Hives faz parte desse grupo.
Eles estouraram no mercado brasileiro com a canção
I Hate to Told You So e agora têm seus dois primeiros
discos lançados no país. Barely Legal,de 1997,
traz catorze músicas tocadas a toda a velocidade (tente acompanhar
a letra de Here
We Go Again, se for capaz). Your New Favorite
Band foi lançado para aproveitar o sucesso de I Hate
to Told You So. Traz um apanhado dos dois primeiros discos do
grupo, três faixas inéditas e quatro videoclipes para
ver no computador.
TELEVISÃO
Craig Blankenhorn/HBO
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| Sonia:
pintora lésbica |
Sex and the City (Segundas, às 22h45, no Multishow)
Crônica dos desencontros amorosos de quatro nova-iorquinas
solteiras e liberadíssimas, a série atinge o ponto
alto de sua quarta temporada numa seqüência de três
episódios que vão ao ar a partir desta semana. Neles,
a insaciável Samantha (Kim Cattrall) deixa de lado seu apetite
por rapagões na flor da idade e investe numa relação
lésbica o detalhe é que sua namorada na trama
é uma artista plástica brasileira interpretada por
Sonia Braga. Ela está ótima no papel de Maria, uma
pintora para lá de riponga que parte com convicção
para cima do mulherio. A cena de sexo protagonizada pela dupla fez
barulho nos Estados Unidos. Gabriela, Cravo e Canela era
uma santa perto do que Sonia vive aqui.
CINEMA
O
Show Não Pode Parar (The Kid Stays in the Picture,
Estados Unidos, 2002. Desde sexta-feira em cartaz) Parecia
piada: o que um ex-modelo e ex-ator estava fazendo como mandachuva
da Paramount? Hollywood parou de rir quando Robert Evans, o sujeito
em questão, produziu Chinatown, Love Story, O Poderoso
Chefão, O Bebê de Rosemary e por aí vai.
Todo o poder de que Evans desfrutou até meados dos anos 70,
porém, foi por terra por causa de um divórcio (de
Ali McGraw, que o trocou pelo astro Steve McQueen), uma prisão
por drogas, um fiasco (Cotton Club) e a suspeita de envolvimento
num assassinato. Dirigido por uma dupla de documentaristas, com
base na autobiografia que Evans publicou em 1994, esse é
um filme extraordinário sobre uma figura que nunca poderia
existir na Hollywood corporativa de hoje.
LIVROS
A
Garota do Trombone, de Antonio Skármeta (tradução
de Eric Nepomuceno; Record; 364 páginas; 35 reais)
Figura mais célebre da literatura chilena atual, o autor
do best-seller O Carteiro e o Poeta faz bom uso de seus dotes
(a leveza, o humor e a ternura) nesse novo romance. O livro é
a continuação de uma obra anterior, As Bodas do
Poeta, e retoma alguns de seus personagens, como Alia Emar e
Esteban Coppeta. Este último imigrou de sua ilha de origem,
no Mar Adriático, para viver no Chile. Certo dia, um estranho
bate à sua porta carregando um trombone e uma criança
de 2 anos, que lhe entrega dizendo ser sua neta nascida na Europa.
A menina é a narradora sedutora e inteligente do romance,
que fala sobre o Chile dos anos 50 e 60, antes do golpe de Estado
que, em 1973, instaurou uma ditadura militar no país.
Fora
do Abrigo, de David Lodge (tradução de Therezinha
Monteiro Deutsch; Best Seller; 368 páginas; 39,90 reais)
Publicado originalmente em 1970, Fora do Abrigo aborda
o rito de passagem de um adolescente para a vida adulta. Trata-se
de uma história com tintas autobiográficas, em que
a prosa do inglês David Lodge especialista em criar
romances cômicos ambientados no mundo acadêmico
está mais sóbria que de costume. Seu protagonista,
Timothy, passa dias e dias num abrigo antiaéreo em Londres
então sob bombardeio dos alemães, na II Guerra
Mundial. Na adolescência, ele conhece os prazeres da liberdade
e do sexo durante uma temporada de férias na Alemanha. Essa
descoberta da vida é o mote para Lodge lançar um olhar
irônico sobre as transformações sociais do pós-guerra.
Leia
trechos do livro.
O
Ensandecido, de Ha Jin (tradução de Manoel
Paulo Ferreira; Companhia das Letras; 327 páginas; 38 reais)
Ha Jin é um dos mais interessantes escritores chineses
da nova geração. Radicado nos Estados Unidos
para onde se mudou para cursar um doutorado e acabou ficando de
vez depois do massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989
, ele promove um cruzamento de tradições literárias.
Seus livros, escritos em inglês, estão a meio caminho
entre o conto popular de seu país e os romances realistas
à maneira ocidental. Em O Ensandecido, ele encontrou
um modo original de criticar a hipocrisia dos intelectuais sob a
ditadura comunista da China. Depois de sofrer um derrame, um professor
passa a disparar impropérios contra o regime. Todos pensam
que ele está louco mas, paradoxalmente, é a
voz mais lúcida do romance.
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