Edição 1816 . 20 de agosto de 2003

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Cartas

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"A história real do Brasil bem-sucedido e próspero tende a injetar ânimo nas pessoas cansadas de más notícias nestes tempos de crise."
Sergio Ricardo Tannuri
São Caetano do Sul, SP

 

Retratos do Brasil

Cumprimento VEJA pela reportagem "O Brasil das oportunidades" (13 de agosto). Apesar das distorções ainda existentes, ela mostra que nosso país é bem maior e mais generoso do que presumem as agências de classificação de riscos.
Marcos Adriano Rodrigues da Silva
Olinda, PE

As pessoas citadas no artigo são os verdadeiros heróis brasileiros, possuem o gene dos titãs mitológicos, provam e comprovam que nascer pobre não é motivo para se acomodar e passar a vida inteira culpando quem nasceu bem de vida. O que se consegue com o suor do trabalho é o troféu da vida. Nossos heróis devem servir de exemplo e incentivo para quem quer vencer na vida.
Caetano Roberto Sousa de Freitas
Fortaleza, CE

Fiquei emocionado ao ler a matéria "Retratos do Brasil que dá certo". Eu me senti um deles, pois fui bóia-fria do sisal, trabalhando na Paraíba, na década de 80. Mas venci os campos de sisal, graças a Deus. Hoje, depois de uma longa jornada de batalhas, consegui terminar o doutorado em história na Universidade Federal de Pernambuco e ingressar como docente do magistério superior na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Sou uma fotografia do Brasil que deu certo!
Iranilson Buriti
Campina Grande, PB

Não pude deixar de ver minha própria história de vida retratada na reportagem "O Brasil das oportunidades", uma vez que comecei a trabalhar aos 12 anos, como empacotador de supermercado, na pequena Andirá, no norte do Paraná, tendo sido ainda vendedor de cachorro-quente, serralheiro, auxiliar de escritório de advocacia, advogado e analista judiciário do TRE/PR, até conseguir realizar meu sonho profissional. Desde 26 de maio de 2003, passei a integrar o Ministério Público do Paraná, como promotor de Justiça.
Josilmar de Souza Oliveira
Curitiba, PR

Bem mais gratificante ler sobre pessoas que deram certo graças a sua capacidade do que sobre os que subiram devido ao tamanho do traseiro.
Maria Lúcia Benevides da Silva
Natal, RN

 

Karl Josef Romer

Fiquei impressionado com a densidade e a clareza dos argumentos do bispo Karl Josef Romer na defesa da forma como a Igreja vê o homossexualismo e a família (Amarelas, 13 de agosto). Quando comparados com essa postura – oriunda de profundos debates que envolvem não apenas padres, mas também médicos, psicólogos e educadores –, os argumentos dos grupos gays soam superficiais, lembrando muito as suas paradas: excesso de barulho e carência de conteúdo.
Pedro Guilherme Ribeiro Piccoli
Curitiba, PR

Muito cativante a entrevista com dom Romer nas páginas amarelas. Sou católico e homossexual praticante e, com tais práticas, posso dizer que o que mais me fere é a falta de caridade usual entre nós (leigos, religiosos, presbíteros...), católicos, para conosco mesmos. Quanto à homossexualidade, minha mãe, a Igreja, já nos fez sofrer mais. Hoje, a prudência é mais notória. Contudo, desaprovo a influência que a Igreja pretende ter nesse assunto junto ao Estado. Afinal, ambas as práticas, catolicismo e homossexualismo, evoluíram. Louvado seja o Cristo!
Juliano Oliveira
São Paulo, SP

Os fundamentos da Igreja estão presos a períodos em que homossexuais eram tratados como doentes e, como conseqüência, eram expostos a "processos de cura". Quem precisa de cura está doente. E posso dizer, com toda a certeza: eu não estou. Doença é não enxergar assuntos que realmente interessam à humanidade, como a fome, a miséria e as guerras. A Igreja precisa se contextualizar. Ela vive na Idade Média. Eu não!
Josean Rego
Boa Vista, RR

Todo o universo é composto de elementos eqüidistantes com funções complementares e harmônicas entre si. Assim como há o homem e a mulher, não existe anatomicamente, geneticamente, funcionalmente, espiritualmente um terceiro ser errático. Sejam homens fortes, sejam mulheres fortes. Guiem-se pelo lado certo. Isso não é preconceito. É conceito. Meus parabéns a Karl Josef Romer por sua lúcida definição sobre esse polêmico assunto.
Frederico Augusto Fleury de Melo
Goiânia, GO

Quando o bispo Karl Josef Romer afirma, em sua entrevista a VEJA, que "...na homossexualidade a expressão sexual, genital, não consegue realizar aquilo que é a ordem fundamental do sexo: a complementaridade e a abertura a uma vida nova", ele esquece ou simplesmente desconhece – até pelo fato de ser, em tese, casto – a grande importância da expressão sexual na manutenção de bons níveis de saúde física e mental.
Edson F. Nascimento
Ribeirão Preto, SP

Só mesmo um bispo católico para apresentar e interpretar com sobriedade e justiça a opinião daquela que, há 2003 anos, forma a consciência moral de homens e mulheres. É de impressionar a verdade e a certeza com que dom Romer trata assuntos tão relevantes para as pessoas. Percebe-se agora por que os católicos não são alvoroçados. Porque aqueles que os guiam sabem onde estão pisando.
Cássio Marinho
Osasco, SP

É revoltante como a decadente Igreja Católica permanece, tal qual um avestruz, enterrada nas trevas do preconceito e da ignorância. Esse senhor com seu discursinho intolerante jamais será um homem de verdade, pois desconhece a intensidade do amor de (e por) um(a) companheiro(a), e nunca constituirá uma família. Mas não deixa de ser uma evolução, uma vez que há muito pouco tempo essa mesma Igreja torturava e assassinava homossexuais.
Luiz Fernandes
São Paulo, SP

 

Luiz Felipe de Alencastro

Concordo em gênero, número e grau com o exposto no artigo "O lugar da violência" (Ponto de vista, 13 de agosto). Todavia, acho que a primeira medida, embora com resultados a longo prazo, é facilitar o planejamento familiar para casais de média e baixa renda. A razão é diminuir a enxurrada de mão-de-obra que diariamente aflui ao mercado de trabalho, e reduzir o círculo vicioso do aumento da oferta, que faz baixar seu valor. Para isso é necessário fornecer conhecimentos e meios para efetivar a redução do número de filhos e vencer a ideologia que se opõe ao controle de natalidade, mais cultural que religiosa.
Cyro Bernardes
Guarujá, SP

 

Sérgio Abranches

Essa é a segunda redução do IPI que o governo federal concede às montadoras. A primeira foi, se não me engano, em outubro do ano passado. Concordo plenamente quando Abranches diz que o consumidor será o último beneficiado pela medida, pois, na ocasião da primeira redução do IPI dos carros novos, as montadoras aumentaram seus preços ("Dois pesos, duas medidas", Em foco, 13 de agosto).
Ricardo Ramiro
Catanduva, SP

 

Previdência

Quando a orquestra começará a tocar? Desde que me conheço por gente, o violino brasileiro está sendo afinado. Depois da reforma ministerial, depois que a crise do petróleo passar, depois das eleições municipais, depois da reforma tributária. Depois, sempre depois. Está na hora de parar de afinar o violino e começar a tocar ("Lula afina a orquestra", 13 de agosto).
Peter Amaro de Sousa
Curitiba, PR

A verdadeira causa do déficit previdenciário jamais será atacada, pois a elaboração e a execução das reformas sempre estarão entregues às mãos de seus verdadeiros causadores. Infelizmente, essa é para inglês ver, ou melhor, para brasileiros incautos verem. Os maiores salários e os verdadeiros privilégios continuam ali, na moita. Mas é um colírio para os olhos da pobre Base da Pirâmide da Iniciativa Privada. Um bálsamo para os olhos. Uma sensação de justiça. Ponto para Lula!
José L. Pinéo Fo
Brasília, DF

Tenho 17 anos e estou fazendo intercâmbio na Alemanha. Já notei muita diferença aqui em relação ao Brasil. E foi muito interessante poder ler a matéria de VEJA dizendo que nosso país está melhorando ao menos no aspecto social. Mas é bom ver daqui de longe, onde tudo parece ser tão resolvido, que o Brasil, em meio a tantas turbulências econômicas, políticas, de segurança, pode sobressair, sendo antes visto como um país do Terceiro Mundo, atrasado e de políticos corruptos. É bom ver que ele está melhorando. Espero poder continuar com esse orgulho de ser brasileira e contar a meus amigos alemães boas notícias da terrinha.
Laura Redondo de Campos
Oldenburg, Alemanha

 

Antiamericanismo

O Brasil está sempre entre os primeiros. Em índice de analfabetismo, violência, exploração do trabalho infantil, e por aí vai. Essa opinião sobre a cultura americana é bastante previsível, uma vez que os entrevistados provavelmente são neo-intelectualóides, eleitores de um presidente espetacularmente contraditório, que irá promover o espetáculo de... só Deus sabe. Que ele tenha piedade de nós ("Aversão ao Tio Sam", 13 de agosto)!
Rodolfo Sarudiansky
Rio Claro, SP

Moro nos Estados Unidos há catorze anos e convivo bastante na comunidade brasileira. Muitos vêm para cá fazer dinheiro para depois voltar para o "paraíso" chamado Brasil. Acho que essa pesquisa deveria ser feita também aqui nos Estados Unidos, perguntando quem gostaria de voltar para o Brasil – mas, antes, informem todos sobre a verdadeira situação do país, pois aqui eles trabalham tanto que não têm tempo de acompanhar como é sobreviver no "paraíso". Que essa pesquisa não seja feita em minha casa, para não se assustarem com a opinião que tenho de tudo isso.
Erico Arcoverde
Miami, Flórida, EUA

 

Arc

Pela segunda semana, Arc parece estar se despedindo de seus leitores. É impressão minha ou estaremos todos perdendo um porta-voz dos terráqueos inconformados e perplexos diante das óbvias mazelas terrenas, simulacro de humanidade, tão bem detectadas por nosso marciano? De qualquer maneira, Arc, boa sorte e sucesso; não perca jamais sua sensibilidade e sua capacidade de indignar-se ("Até a volta, Arc!", 13 de agosto).
Ângela Luiza S. Bonacci
Pindamonhangaba, SP

 

Filhas adolescentes

Percebe-se pela reportagem "Crônica de um pai transtornado" (13 de agosto) que o intuito do escritor americano W. Bruce Cameron é meramente comercial. Tenho quatro filhas que passaram pela adolescência por um caminho bem diferente do das filhas do escritor. Içami Tiba nele!
Luiz Augusto Chein
Petrolina de Goiás, GO

 

Roberto Marinho

A TV Globo se sente gratificada pela reportagem que VEJA publicou sobre a morte de Roberto Marinho, em que se destaca a importância que ele teve para a cultura brasileira. Foi um trabalho respeitoso, em que a revista mostrou seus pontos de vista, nem sempre coincidentes com os nossos. Mas são necessários esclarecimentos. A reportagem diz: "A TV Globo noticiou o comício da Praça da Sé (...) como se fosse parte do aniversário da cidade de São Paulo". Não é fato. A Globo citou a coincidência com o aniversário da cidade, mas, numa longa reportagem no Jornal Nacional, disse que o comício era para exigir as diretas já, mostrou a multidão que lotava a área, destacou a presença de Ulysses, Tancredo, Lula, Brizola e outros. No fim, um trecho do discurso de Franco Montoro, dizendo que o país já conquistara a anistia, já conquistara as diretas para governadores, mas precisava lutar, ainda, pelas diretas para presidente. Todos os atos pelas diretas foram objeto de reportagens nossas. Na página 83, diz-se: "Em 1989, a Globo organizou um debate entre os presidenciáveis Lula e Collor". A Globo nada organizou; o debate foi uma iniciativa de um pool de quatro emissoras. Temos consciência de que a edição do debate, no Jornal Nacional, deixou em muitos a percepção de que Collor foi beneficiado. Mas a intenção da TV Globo foi apenas mostrar que o ex-presidente se saiu melhor. Os responsáveis pela edição repetem sempre que as razões foram jornalísticas e não houve orientação dos acionistas para que a edição tivesse um ou outro enfoque. Sobre o impeachment de Collor, a reportagem diz que a Globo "rendeu-se com atraso ao crescimento da campanha pelo impeachment". Desde o momento em que as denúncias de Pedro Collor eclodiram em VEJA, a Globo noticiou o episódio com o destaque merecido.
Luis Erlanger

Diretor da Central Globo de Comunicação
Rio de Janeiro, RJ

 

Helibras

A nota "Um comprador para a Helibras" (Holofote, 13 de agosto) contém informações equivocadas que podem prejudicar a imagem de nossa empresa Helibras. Em 2002, ela não registrou prejuízo de 52 milhões de reais, como VEJA informou, mas, sim, de 28,3 milhões de reais. Esse resultado, que consta das demonstrações financeiras em reais, é conseqüência da crise econômica que abala o setor e, sobretudo, da desvalorização da moeda nacional diante do dólar americano que se verificou no fim de 2002. Dessa forma, ele não reflete fielmente a real situação econômica da companhia. O texto da nota publicada deixa entender que ela "não tem mais patrimônio para pagar suas dívidas". A esse propósito, cabe esclarecer que o maior credor da empresa é o grupo franco-alemão Eurocopter, que também é o maior acionista da Helibras. É óbvio que o Eurocopter, que em parceria com o governo do Estado de Minas Gerais decidiu há 25 anos realizar no Brasil um significativo investimento de longo prazo, não tem interesse algum em comprometer o patrimônio e o futuro da companhia. Note-se ainda que a Helibras vem se mantendo na liderança do mercado. No ano passado, entregou 31 aeronaves e respondeu por nove dos dez helicópteros novos comercializados no Brasil – mercado que disputam conosco os maiores competidores do setor.
Xavier Poupardin
Eurocopter
Hernani Garcia Gouvea
Bueninvest
Isabel Pereira de Souza
MGI
São Paulo, SP

CORREÇÕES: A frase correta de Ney Matogrosso ao Fantástico é "Cazuza foi uma grande paixão na minha vida", e não "Cazuza foi a grande paixão de minha vida" (Veja essa, 13 de agosto). • Vicky Bloch, qualificada como headhunter na coluna "O que estou lendo" (Guia, 13 de agosto), é consultora de carreiras. • Na nota sobre o cupuaçu da seção Sobe (13 de agosto), o grupo japonês obteve não a patente, mas o registro do nome da fruta como marca.

 

 
Visto americano
O leitor Rafael Scapin, de Descalvado, São Paulo, escreveu: "A informação do senhor Pedro Fortes, vice-presidente da Associação Brasileira de Hotéis, sobre o visto de entrada nos Estados Unidos publicada na seção Cartas (6 de agosto) está incorreta. De acordo com o site oficial do Departamento de Estado dos Estados Unidos (http://travel.state.gov/vwp.html), o governo americano isenta 27 países de visto de entrada em seu território, e não 21. Esses países fazem parte do Visa Waiver Program. O Canadá também é isento de visto de entrada, embora não faça parte do programa, o que eleva o número dos países isentos para 28". Esses países também não necessitam do visto de trânsito para viajantes que precisarem fazer escala em aeroportos americanos, exigência recente do Departamento de Segurança da Pátria e do Departamento de Estado. São os seguintes os países isentos de visto de entrada nos Estados Unidos: América – Canadá; Europa – Alemanha, Andorra, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Liechtenstein, Luxemburgo, Mônaco, Noruega, Portugal, Reino Unido, San Marino, Suécia e Suíça; Ásia – Brunei, Japão e Cingapura; Oceania – Austrália e Nova Zelândia.

 

O avestruz é o bicho!

O quadro "O avestruz não pegou, pelo menos até agora..." (6 de agosto) continua repercutindo entre os criadores e especialistas. Alguns enviaram à redação de VEJA informações que ajudam a entender a situação desse mercado. "Os investidores estão satisfeitos com o mercado e a lucratividade. Os lucros hoje vêm mais do comércio de reprodutores do que do abate", escreveu Rodrigo Ciboto, de Osasco, São Paulo. "Essa atividade teve um crescimento absurdo nos últimos anos, saltando o plantel nacional de 200 avestruzes em 1996 para 100 000 em 2003. Até 2009 teremos uma produção superior à da África do Sul, o maior produtor", diz Adair Ribeiro, da Veredas dos Avestruzes, de São Paulo. "O avestruz nunca concorrerá com carne de frango ou de boi nem terá os mesmos preços, por se tratar de uma carne nobre", explica o criador Marcos Barrozo, de Londrina, Paraná. Marco Aurélio Elmer Lopes, de São Paulo, observa que "1 grama de carne per capita por ano representa uma quantidade superior a 160 toneladas, algo significativo para uma criação de início recente". Para Bety Costa, assessora de comunicação rural no Nordeste (betycosta@uol.com.br), "os produtores da região investem atualmente na formação de pequenos criatórios, na busca de uma escala de produção e no aporte de recursos financeiros para a construção de um abatedouro no agreste pernambucano". Veja Rio, suplemento carioca de VEJA, publicou na semana passada uma reportagem sobre o consumo da exótica ave naquela cidade ("Carne nova no pedaço", 13 de agosto). Os interessados podem ler a matéria na internet: http://veja.abril.com.br/vejarj/130803/gastronomia.html.

 

 
 
 
 
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