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Cinema
Black power
Como Diário de uma Louca
pôs a platéia negra no mapa

Isabela Boscov
Divulgação
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| Perry: fé e sabedoria de gueto |
Antes de começar a revirar os olhos diante
de filmes como Diário de uma Louca (Diary
of a Mad Black Woman, Estados Unidos, 2005), desde sexta-feira
em cartaz no país, é curioso entender o que eles representam.
Escrita pelo dramaturgo negro Tyler Perry, de 35 anos (que interpreta
três papéis, entre eles o de uma vovó durona),
essa história de uma mulher expulsa aos pontapés pelo
marido de sua mansão milionária, após dezoito
anos de casamento, para dar lugar a uma sirigaita insolente (e ainda
por cima branca), mistura sabedoria de gueto, fé cristã,
comédia escrachada e conselhos de comadres uma combinação
que o público habitual de cinema tende, com razão,
a julgar indigesta. Diário, porém, foi um fenômeno
nos Estados Unidos. E um fenômeno alimentado por uma parcela
do público que os estúdios nem incluem em suas estatísticas,
por julgar que ela tem por regra passar longe das salas de exibição:
o espectador negro religioso e "família". Produzido ao custo
de 5,4 milhões de dólares, o filme rendeu mais de
50 milhões, 80% deles tirados do bolso dessa platéia
cujo potencial permanecia ignorado. Tudo indica que Diário
é só o primeiro sintoma de uma mudança. Num
ano de movimento fraco, foram os filmes de elenco total ou majoritariamente
negro, como Hitch Conselheiro Amoroso e Are We
There Yet?, com Ice Cube, que sustentaram a parte do leão
na bilheteria americana.
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