Edição 1914 . 20 de julho de 2005

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Cinema
Black power

Como Diário de uma Louca
pôs a platéia negra no mapa


Isabela Boscov


Divulgação
Perry: fé e sabedoria de gueto

Antes de começar a revirar os olhos diante de filmes como Diário de uma Louca (Diary of a Mad Black Woman, Estados Unidos, 2005), desde sexta-feira em cartaz no país, é curioso entender o que eles representam. Escrita pelo dramaturgo negro Tyler Perry, de 35 anos (que interpreta três papéis, entre eles o de uma vovó durona), essa história de uma mulher expulsa aos pontapés pelo marido de sua mansão milionária, após dezoito anos de casamento, para dar lugar a uma sirigaita insolente (e ainda por cima branca), mistura sabedoria de gueto, fé cristã, comédia escrachada e conselhos de comadres – uma combinação que o público habitual de cinema tende, com razão, a julgar indigesta. Diário, porém, foi um fenômeno nos Estados Unidos. E um fenômeno alimentado por uma parcela do público que os estúdios nem incluem em suas estatísticas, por julgar que ela tem por regra passar longe das salas de exibição: o espectador negro religioso e "família". Produzido ao custo de 5,4 milhões de dólares, o filme rendeu mais de 50 milhões, 80% deles tirados do bolso dessa platéia cujo potencial permanecia ignorado. Tudo indica que Diário é só o primeiro sintoma de uma mudança. Num ano de movimento fraco, foram os filmes de elenco total ou majoritariamente negro, como Hitch – Conselheiro Amoroso e Are We There Yet?, com Ice Cube, que sustentaram a parte do leão na bilheteria americana.

 
 
 
 
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