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Livros A
família dos best-sellers Como
a Sextante dominou as listas de livros mais vendidos do país  Jerônimo
Teixeira
Oscar
Cabral
 | | Geraldo,
Marcos e Tomás Pereira: farejadores de obras de sucesso |
A editora carioca Sextante emplacou onze livros na lista de mais vendidos de VEJA
desta semana ou seja, ocupou mais de um terço dela. É um
resultado que vem se repetindo regularmente e confirma a Sextante, empresa de
porte médio que ainda não completou dez anos de atividade, como
o grande fenômeno do mercado editorial na atualidade. Seu maior sucesso
é o thriller O Código Da Vinci, do americano Dan Brown, com
840.000 exemplares comercializados (e mais 30.000 de uma edição
especial ilustrada). No entanto, o Código é um livro excepcional
para a empresa, cujo sucesso está fundamentado num dos nichos mais lucrativos
do mercado: a auto-ajuda. A Sextante que em 2004 faturou 25 milhões
de reais e neste ano espera chegar aos 30 milhões é uma empresa
familiar. Trata-se de uma sociedade entre os irmãos Marcos e Tomás
Pereira e seu pai, Geraldo Pereira. O clã tem tradição na
indústria livreira: Geraldo é filho de José Olympio, um dos
editores mais importantes do país no século XX (veja
quadro). Apesar de serem conhecidos
pela agressividade no mercado, os Pereira têm um jeitão boa-praça,
sereno, muito de acordo com quem leva a vida publicando obras de aconselhamento
espiritual. E sempre tiveram grande faro para garimpar obras de potencial no gênero.
Um exemplo é Um Dia "Daqueles", do australiano Bradley Trevor Greive,
publicado em 2001 um livro simpático mas anódino, com frases
inspiradoras acompanhadas de fotos de bichos. Os irmãos Pereira compraram
os direitos do livro na Feira de Frankfurt, na Alemanha, por um adiantamento de
5.000 dólares. Só depois souberam que o preço era um tanto
extorsivo: outra editora havia pago a mesma quantia para lançar a obra
num mercado bem mais vigoroso, o Japão. "No avião de volta para
o Brasil, eu me remoía de remorso", lembra Tomás. Mas o investimento
foi rapidamente recuperado: Um Dia "Daqueles" é hoje o segundo livro
mais vendido da editora, com 740.000 exemplares.
A fidelidade à linha editorial, aliás, quase custou à Sextante
a perda de seu maior sucesso. Geraldo teve acesso ao livro de Dan Brown em 2003,
antes de seu lançamento nos Estados Unidos. Marcos e Tomás não
se animaram muito em comprar seus direitos, por julgarem-no fora da área
de interesse da Sextante. Mas o pai devorou o livro e cismou que deveriam lançá-lo.
"O argumento que nos convenceu foi que ele prometeu nunca mais insistir para publicarmos
outro thriller", diz Marcos. O livro foi comprado com um adiantamento de 12.000
dólares, oferta que bateu por pouco a de um gigante editorial brasileiro.
Em retrospecto, uma pechincha. Foi
graças a esse faro que a Sextante conseguiu expandir sua vendagem de 250.000
exemplares, em 1998, quando surgiu a empresa, para 2 milhões de livros
no ano passado e isso num período de retração do mercado
(veja quadro abaixo). A família pretende continuar nessa toada.
Neste ano, ainda vai lançar outro livro de Dan Brown, Ponto de Impacto,
e espera fechar 2005 com 2,5 milhões de livros vendidos. No ano que
vem, a Sextante fará sua primeira grande investida na área de não-ficção.
Mas aí, definitivamente, o investimento não será tão
às cegas: uma autobiografia de ninguém menos que Pelé. 
Do Olimpo ao ocaso
editorial Arquivo
pessoal
 | | Olympio,
com Drummond (à esq.) e Bandeira: era de glória |
Geraldo Jordão Pereira, o editor veterano da Sextante, começou sua
carreira no mundo editorial trabalhando na ante-sala de seu pai, José Olympio
(1902-1990), nos anos 50. Não haveria lugar melhor para começar:
por ali cruzavam autores como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Gilberto
Freyre. Criada em 1931, a José Olympio foi uma das mais legendárias
editoras brasileiras. Nos tempos ambíguos do Estado Novo de Getúlio
Vargas, publicou obras do ditador mas também Angústia,
de Graciliano Ramos, lançado quando o autor era preso político
do regime, em 1936. Geraldo lembra de episódios saborosos da época
em que a editora era ponto de encontro de autores. Guimarães Rosa, por
exemplo, era conhecido por cultivar uma bem-humorada vaidade. Certo dia, Geraldo
saudou o autor de Grande Sertão: Veredas logo que ele entrou na
casa: "Como vai o maior escritor do Brasil?". Rosa retrucou de pronto: "Por que
a restrição?". E caiu na gargalhada. A José Olympio foi vítima
da própria expansão: fez apostas arriscadas, como a edição
de coleções ilustradas da Time-Life, caras e de vendagem pouco expressiva.
A crise do petróleo, em 1973, levou a empresa a uma situação
falimentar e no ano seguinte um banco estatal encampou a editora. A José
Olympio seria vendida a investidores privados nos anos 80, e em 2001 foi adquirida
pelo grupo Record, no qual permanece como selo independente. Mas autores como
Manuel Bandeira e Guimarães Rosa, que fizeram os anos dourados da editora,
já não são mais de seu catálogo. | |
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