Edição 1914 . 20 de julho de 2005

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Brasil
E depois do show?

A defesa do governo contra as provas
de corrupção no PT e na administração
federal está mais organizada, mas
a dinâmica da crise é mais forte
do que se acredita

 

Emanuel Fradin/Reuters
PARA FRANCÊS VER
Gil, o ministro cantor, abraça o presidente Lula no palco em Paris. Enquanto isso, no mundo real...

QUANTO, O QUE E QUANDO LULA SOUBE DO MENSALÃO
O "MESADÃO" QUE OS PETISTAS RECEBIAM NO BANCO
POR QUE ESCONDER DÓLARES NA CUECA VIROU
"QUESTÃO DE ESTADO"

RIR DA CRISE SEMPRE FOI UMA SAÌDA PARA OS BRASILEIROS.
AGORA NÃO É DIFERENTE

Depois de semanas sem rumo, o governo e seus partidários retomaram pelo menos a compostura verbal. Em viagem a Paris, Tarso Genro, o novo presidente do PT, confessou que a crise do partido governista "é de fundamentos e de princípios", para logo adiante aprofundar a análise: "Nós dilapidamos nosso capital moral perante a sociedade". O presidente Lula, também em Paris, disse que o "Brasil não merece o que está acontecendo". Palmas. Ninguém pode discordar das duas afirmações oficiais acima. Mas reconhecer que se enfiou o país em um atoleiro é apenas o primeiro passo para tirá-lo dali. O segundo é entender como se pôde chegar até o ponto em que estamos.

Nas próximas páginas, o leitor vai encontrar uma série de reportagens em que VEJA desnuda com maior clareza as duas vias desse deletério processo que o Brasil "não merece" e que destruiu o "capital moral" do PT. Como se verá nas reportagens seguintes, o processo tinha duas vias. A primeira é o "mesadão". Por esse caminho, o empresário Marcos Valério fazia chegar a partidários do PT pagamentos regulares feitos por meio de saques de uma agência do Banco Rural em Brasília. A segunda é o "mensalão". Por essa segunda via seguiam os pagamentos feitos a parlamentares para que aderissem à base aliada de apoio ou para que votassem com o governo no Congresso. Uma reportagem avança uma hipótese de por que o mesadão era pago via banco e o mensalão, via malas de dinheiro.

O leitor encontrará também a reportagem que embasa a capa da presente edição. É a mais completa e exaustiva tentativa jornalística feita até agora com o objetivo de desvendar quanto Lula sabia sobre desmandos éticos que ocorriam a sua volta. Saber de um crime e nada fazer para coibi-lo e punir os culpados é condição juridicamente suficiente para a abertura de um processo de impedimento de um presidente. A reportagem deixa claro que não existem ainda provas irrefutáveis de que Lula sabia – apenas fortes evidências. Mesmo com a capitulação acima, um presidente só é submetido a processo de impeachment por falta total de apoio político. Não é o caso de Lula. Ao contrário. Os adversários conspiram para que o governo do PT se arraste até o fim experimentando não um desfecho catastrófico mas a morte lenta das árvores.

 
 
 
 
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