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Brasil E
depois do show? A defesa do governo contra as provas
de corrupção no PT e na administração federal
está mais organizada, mas a dinâmica da crise é mais forte
do que se acredita Depois de semanas
sem rumo, o governo e seus partidários retomaram pelo menos a compostura
verbal. Em viagem a Paris, Tarso Genro, o novo presidente do PT, confessou que
a crise do partido governista "é de fundamentos e de princípios",
para logo adiante aprofundar a análise: "Nós dilapidamos nosso capital
moral perante a sociedade". O presidente Lula, também em Paris, disse que
o "Brasil não merece o que está acontecendo". Palmas. Ninguém
pode discordar das duas afirmações oficiais acima. Mas reconhecer
que se enfiou o país em um atoleiro é apenas o primeiro passo para
tirá-lo dali. O segundo é entender como se pôde chegar até
o ponto em que estamos. Nas próximas páginas,
o leitor vai encontrar uma série de reportagens em que VEJA desnuda com
maior clareza as duas vias desse deletério processo que o Brasil "não
merece" e que destruiu o "capital moral" do PT. Como se verá nas reportagens
seguintes, o processo tinha duas vias. A primeira é o "mesadão".
Por esse caminho, o empresário Marcos Valério fazia chegar a partidários
do PT pagamentos regulares feitos por meio de saques de uma agência do Banco
Rural em Brasília. A segunda é o "mensalão". Por essa segunda
via seguiam os pagamentos feitos a parlamentares para que aderissem à base
aliada de apoio ou para que votassem com o governo no Congresso. Uma reportagem
avança uma hipótese de por que o mesadão era pago via banco
e o mensalão, via malas de dinheiro. O leitor
encontrará também a reportagem que embasa a capa da presente edição.
É a mais completa e exaustiva tentativa jornalística feita até
agora com o objetivo de desvendar quanto Lula sabia sobre desmandos éticos
que ocorriam a sua volta. Saber de um crime e nada fazer para coibi-lo e punir
os culpados é condição juridicamente suficiente para a abertura
de um processo de impedimento de um presidente. A reportagem deixa claro que não
existem ainda provas irrefutáveis de que Lula sabia apenas fortes
evidências. Mesmo com a capitulação acima, um presidente só
é submetido a processo de impeachment por falta total de apoio político.
Não é o caso de Lula. Ao contrário. Os adversários
conspiram para que o governo do PT se arraste até o fim experimentando
não um desfecho catastrófico mas a morte lenta das árvores.
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