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Edição 2013

20 de junho de 2007
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DVDs

Felicidade (Happiness, Estados Unidos, 1998. Lume) – O diretor americano Todd Solondz se notabiliza pela crueldade, destilada em filmes como Bem-Vindo à Casa de Bonecas, Histórias Proibidas e neste Felicidade. O alvo do cineasta são aquelas pessoas que vão pela vida aos tropeções e almejam tudo que há de medíocre. Esse ponto de vista está longe de atrair o consenso (pode-se argumentar que bater em quem já está por baixo é covardia). Mas o fato é que Solondz trafega por uma linha fina entre a maldade e a compreensão. Aqui, ele acompanha um punhado de personagens, como um psiquiatra pedófilo e uma dona-de-casa que se crê objeto de desejo de todos os homens – e oferece uma espiadela dolorosa e compassiva no despenhadeiro da condição humana.

Divulgação
Em Nome da Honra: o apartheid visto pelas vítimas


Em Nome da Honra
(Catch a Fire,
Inglaterra/África do Sul/Estados Unidos, 2006. Universal) – O negro Patrick Chamusso (Derek Luke) tinha uma tática para sobreviver na África do Sul do apartheid: passar despercebido. Capataz numa refinaria, com bom salário, tinha mais sorte que a maioria. Por causa de uma bobagem, porém – não revelar que estava com a amante numa certa noite, por medo da mulher ciumenta –, foi preso como suspeito num atentado. Acabou sendo transformado pelo regime sul-africano (personificado aqui por Tim Robbins) naquilo que estava longe de ser: um ativista. Inspirado na história verídica de Chamusso e dirigido pelo australiano Phillip Noyce, Em Nome da Honra é o raro filme sobre a África em que não são as experiências dos personagens brancos que importam. Veja cenas.


Nancy R. Schiff/Hulton Archive/Getty Images
Frank Zappa: letras satíricas e vocais ocultos de Tina Turner


Apostrophe/Over-Nite Sensation: Classic Albuns,
Frank Zappa (ST2) – Os discos Apostrophe e Over-Nite Sensation, da década de 70, cristalizaram o estilo que o guitarrista americano batizou de zappa – mistura de jazz, rock e música erudita contemporânea, com letras satíricas. Neste documentário, os familiares do guitarrista, morto em 1993, contam os bastidores das sessões de gravação. O jornalista David Fricke, da Rolling Stone, e o guitarrista Steve Vai falam do impacto que os discos causaram no cenário da época. Os melhores momentos, porém, são as cenas em que Dweezil, filho de Frank Zappa, senta a uma mesa de som e mostra detalhes que passam quase despercebidos – como os vocais de Tina Turner, escondidos numa faixa de Over-Nite Sensation.



LIVROS

Richard Perry/The New York Times
J.M. Coetzee: páginas que valem o Prêmio Nobel

Homem Lento, de J.M. Coetzee (tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 278 páginas; 46 reais) – As primeiras páginas deste novo romance do sul-africano J.M. Coetzee já bastariam para justificar o Prêmio Nobel que lhe foi conferido em 2003. Trata-se da descrição do atropelamento de um ciclista, com base na percepção confusa que ele mesmo tem do evento. Seu nome é Paul Rayment, fotógrafo aposentado em Adelaide, Austrália. Como é comum na produção do autor – basta lembrar sua obra-prima, Desonra –, não há muita esperança em Homem Lento. O romance acompanha a excruciante recuperação de Paul, depois de ter a perna amputada – uma história na qual intervém a escritora Elizabeth Costello, personagem da obra anterior de Coetzee. Leia trecho.

E a História Começa, de Amós Oz (tradução de Adriana Lisboa; Ediouro; 134 páginas; 29,90 reais) – Dar início a um conto ou romance é o momento mais difícil do trabalho de um escritor. Na expressão do israelense Amós Oz, a página em branco é como "uma cratera na face da Lua", um lugar de "vazio e desespero". A insegurança se explica: uma mesma história permite incontáveis maneiras de abrir o relato. Neste livro, resultado de aulas e palestras que Oz proferiu em Israel e nos Estados Unidos, o autor de Fima e Meu Michel, entre outros grandes romances, disserta sobre a arte de começar uma história, com análises minuciosas de uma seleção eclética de autores – de clássicos russos como Gogol e Tchekov a autores israelenses menos conhecidos no Brasil, como S.Y. Agon e Yaakov Shabtai. Leia trecho.



DISCOS

Divulgação
Soundscape: elogios da viúva de Charles Mingus

Uncle Charles, Soundscape (Guandama) – A big band é uma instituição do jazz de São Paulo. Liderada pelo baterista Bob Wyatt, pelo saxofonista Maurício de Souza e pelo trompetista Junior Galante, ela conquistou admiradores por seu virtuosismo instrumental. Uncle Charles, segundo disco da Soundscape, acrescenta um detalhe que faltou no primeiro: uma produção de alta qualidade, na qual se pode notar com clareza a boa performance de Wyatt e os solos do trompetista Daniel D'Alcântara, um dos melhores de sua geração (atente para os solos de Byrd Like e Thermo). A performance da Soundscape no disco ganhou o elogio de uma ouvinte exigente – Sue Mingus, viúva do contrabaixista Charles Mingus, que aprovou a versão deles para Boogie Stop Shuffle.

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Bryan Ferry: Bob Dylan como Bob Dylan nunca sonhou

Dylanesque, Bryan Ferry (EMI) – Discos de releituras existem aos montes, mas poucos conseguem mostrar uma nova faceta do homenageado. Dylanesque, de Bryan Ferry, chegou lá. O intérprete e compositor inglês canta onze faixas de Bob Dylan de uma maneira que o poeta americano jamais sonhou. Ferry extirpou as marcas registradas de Dylan, como os violões e os teclados. No máximo, toca gaita – e nessa categoria se mostra um instrumentista superior. E recrutou artistas de universos musicais opostos à seara folk – caso do produtor e tecladista Brian Eno, que deu uma sonoridade etérea às músicas, e do guitarrista Robin Trower, que faz um solo magistral em All Along the Watchtower. O toque de classe fica por conta dos vocais de Ferry. Um disco à altura de Bob Dylan.

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Navegantes: Laselva; Natal: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.
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