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20 de junho de 2007
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Cinema
Por um punhado
de dólares a mais

Treze Homens e Um Novo Segredo mantém a tradição
de caça-níqueis da série. Mas isso não é um defeito
 


Isabela Boscov

Divulgação
Damon, Clooney e Pitt: demonstrações explícitas de charme

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Trailer do filme

Depois da ótima surpresa que fora Onze Homens e Um Segredo, quase não houve quem não reclamasse de Doze Homens e Outro Segredo – um filme indolente e auto-indulgente, na opinião da maioria. Tantas foram as críticas que George Clooney e o diretor Steven Soderbergh resolveram ouvi-las com atenção e se prometeram fazer melhor na nova continuação, Treze Homens e Um Novo Segredo (Ocean's Thirteen, Estados Unidos, 2007), que estréia nesta sexta-feira no país. Mas o que, exatamente, significa fazer melhor num caso como esse? Toda a série estrelada por Danny Ocean (Clooney), ladrão que nunca perde a pose, a última palavra ou a vontade de pregar uma peça, é no fundo um caça-níqueis – inspirado e luxuoso, bem entendido, mas que em momento nenhum busca disfarçar sua intenção de ganhar dinheiro em troca de duas horas de diversão honesta. Dado o calibre dos nomes envolvidos, porém (além de Clooney e Soderbergh, Brad Pitt, Matt Damon, Elliott Gould, Don Cheadle, Carl Reiner, Andy Garcia e, neste terceiro episódio, Al Pacino e Ellen Barkin, entre muitos outros), convencionou-se tratar as aventuras de Ocean e seus companheiros como algo mais. Por exemplo, como uma releitura inferior dos filmes do "Rat Pack", o grupo liderado nos anos 50 e 60 por Frank Sinatra e Dean Martin – uma queixa que parte da premissa de que esses filmes eram algo de extraordinário (não eram). Ou como se Clooney fosse um imitador barato de Cary Grant. Ou ainda como se Soderbergh tivesse se rendido à complacência depois de ser ungido por Traffic. No universo de Segredo, tudo isso é um pouco verdade. E nada disso importa de fato.

Onze Homens nasceu como uma brincadeira entre amigos e, em razão do sucesso que se sugeria quase inevitável, como um financiador de projetos mais pessoais destes. Não à toa, portanto, em Doze Homens o roteiro chegou à tela menos lapidado que o do original e as piadas auto-referentes se avolumaram (a exemplo da longa gague, que irritou muita gente, em que a mulher de Danny Ocean, interpretada por Julia Roberts, se passava por... Julia Roberts). A idéia de um novo "Rat Pack" fora amplamente apontada como a melhor sacada do primeiro filme, e é compreensível que o time a tivesse identificado como o aspecto a ser realçado na continuação – sem esperar que ela fosse recebida com tamanha má vontade. Treze Homens, dessa forma, tenta recompor o clima do original, dando mais atenção à trama. Al Pacino, um empreendedor implacável, está construindo um novo hotel-cassino em Las Vegas e passa a perna em Elliott Gould, um dos onze originais, que sofre um infarto de tanta tristeza. Ocean e os amigos resolvem se vingar com mais um plano mirabolante. E, quando o dinheiro para bancá-lo acaba, recorrem a seu inimigo figadal – Andy Garcia, que haviam roubado no primeiro filme, mas que está furioso com o cassino de Pacino porque ele faz sombra em sua piscina.

Seguem-se explicações fascinantes em sua incompreensibilidade sobre como o golpe será dado, vários diálogos absolutamente deliciosos – como aquele em que Casey Affleck inflama os operários de uma fábrica no México, no melhor espanglês –, muita perícia de Soderbergh à câmera e demonstrações explícitas de charme (por parte de Clooney e Pitt) e de canastrice (Pacino, a todo o volume). Quando sobem os créditos, tudo já está meio esquecido. Sobra apenas uma sensação agradável. Que, afinal, é só o que se deve esperar de Segredo, haja quantos homens houver à frente do título.

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