Depois
da ótima surpresa que fora Onze Homens e Um Segredo, quase não houve
quem não reclamasse de Doze Homens e Outro Segredo um filme indolente
e auto-indulgente, na opinião da maioria. Tantas foram as críticas
que George Clooney e o diretor Steven Soderbergh resolveram ouvi-las com atenção
e se prometeram fazer melhor na nova continuação, Treze Homens e
Um Novo Segredo (Ocean's Thirteen, Estados Unidos, 2007), que estréia nesta
sexta-feira no país. Mas o que, exatamente, significa fazer melhor num
caso como esse? Toda a série estrelada por Danny Ocean (Clooney), ladrão
que nunca perde a pose, a última palavra ou a vontade de pregar uma peça,
é no fundo um caça-níqueis inspirado e luxuoso, bem
entendido, mas que em momento nenhum busca disfarçar sua intenção
de ganhar dinheiro em troca de duas horas de diversão honesta. Dado o calibre
dos nomes envolvidos, porém (além de Clooney e Soderbergh, Brad
Pitt, Matt Damon, Elliott Gould, Don Cheadle, Carl Reiner, Andy Garcia e, neste
terceiro episódio, Al Pacino e Ellen Barkin, entre muitos outros), convencionou-se
tratar as aventuras de Ocean e seus companheiros como algo mais. Por exemplo,
como uma releitura inferior dos filmes do "Rat Pack", o grupo liderado nos anos
50 e 60 por Frank Sinatra e Dean Martin uma queixa que parte da premissa
de que esses filmes eram algo de extraordinário (não eram). Ou como
se Clooney fosse um imitador barato de Cary Grant. Ou ainda como se Soderbergh
tivesse se rendido à complacência depois de ser ungido por Traffic.
No universo de Segredo, tudo isso é um pouco verdade. E nada disso importa
de fato.
Onze Homens nasceu
como uma brincadeira entre amigos e, em razão do sucesso que se sugeria
quase inevitável, como um financiador de projetos mais pessoais destes.
Não à toa, portanto, em Doze Homens o roteiro chegou à tela
menos lapidado que o do original e as piadas auto-referentes se avolumaram (a
exemplo da longa gague, que irritou muita gente, em que a mulher de Danny Ocean,
interpretada por Julia Roberts, se passava por... Julia Roberts). A idéia
de um novo "Rat Pack" fora amplamente apontada como a melhor sacada do primeiro
filme, e é compreensível que o time a tivesse identificado como
o aspecto a ser realçado na continuação sem esperar
que ela fosse recebida com tamanha má vontade. Treze Homens, dessa forma,
tenta recompor o clima do original, dando mais atenção à
trama. Al Pacino, um empreendedor implacável, está construindo um
novo hotel-cassino em Las Vegas e passa a perna em Elliott Gould, um dos onze
originais, que sofre um infarto de tanta tristeza. Ocean e os amigos resolvem
se vingar com mais um plano mirabolante. E, quando o dinheiro para bancá-lo
acaba, recorrem a seu inimigo figadal Andy Garcia, que haviam roubado no
primeiro filme, mas que está furioso com o cassino de Pacino porque ele
faz sombra em sua piscina.
Seguem-se explicações fascinantes em sua incompreensibilidade sobre
como o golpe será dado, vários diálogos absolutamente deliciosos
como aquele em que Casey Affleck inflama os operários de uma fábrica
no México, no melhor espanglês , muita perícia de Soderbergh
à câmera e demonstrações explícitas de charme
(por parte de Clooney e Pitt) e de canastrice (Pacino, a todo o volume). Quando
sobem os créditos, tudo já está meio esquecido. Sobra apenas
uma sensação agradável. Que, afinal, é só o
que se deve esperar de Segredo, haja quantos homens houver à frente do
título.