Dirigida pelo discreto
Jorge Carneiro, a Ediouro absorve outras empresas e cresce no mercado editorial
Jerônimo
Teixeira
Ernani
d'Almeida
Jorge
Carneiro (à esq.) e Luiz Fernando Pedroso, diretores da Ediouro:
oito selos editoriais em sete anos
Jorge Carneiro, diretor-presidente da Ediouro, é uma das figuras mais discretas
da indústria editorial brasileira. Praticante do hipismo e do tênis,
não gosta de fotos nem de entrevistas e muito raramente vai às sessões
de autógrafos dos livros que publica. Em silêncio, porém,
dirige o grupo editorial que mais se expande no país. Em 2001, a Ediouro
comprou a editora Agir e desde então, entre parcerias com outras
editoras, investimento em novos nichos e aquisições, tornou-se um
grande guarda-chuva, abrigando nove selos. O negócio mais vultoso foi a
compra da Nova Fronteira, concluída neste ano, com um investimento total
de quase 20 milhões de reais. A editora também está em negociações
para a compra dos selos editoriais da Siciliano Arx, Futura e Caramelo.
Empresa familiar Jorge Carneiro é sócio de uma irmã
e de dois primos , a Ediouro está crescendo com o propósito
de, no futuro, abrir seu capital e oferecer ações na bolsa. Carneiro,
porém, garante que não está atrás de um parceiro internacional.
"Investidores internacionais geralmente desejam o controle da empresa, e não
queremos perder isso", diz.
Fundada em
1939 pelo pai e por um tio de Jorge Carneiro, a Ediouro montou sua base nas revistas
Coquetel, de passatempos e palavras cruzadas. Elas seguem nas bancas
respondem por 70% do mercado de revistas de passatempo , mas mostram um
fôlego mais curto. "É um negócio maduro, mas que não
tem possibilidades de ampliação. O leitor hoje procura outras opções
de passatempo", diz Luiz Fernando Pedroso, diretor superintendente do grupo. É
nos demais negócios editoriais que o grupo espera crescer. A compra da
Nova Fronteira foi um dos grandes lances nessa direção. Há
dois anos, a Ediouro comprou a metade da Nova Fronteira que pertencia a um fundo
de investimentos administrado pelo ex-presidente do Banco Central Armínio
Fraga. Por cláusula contratual, a editora não pode revelar o valor
do negócio no mercado, porém, sabe-se que o investimento
foi da ordem de 8,5 milhões de reais. A Nova Fronteira era então
uma editora com um catálogo dos mais respeitáveis, incluindo clássicos
como Guimarães Rosa e Thomas Mann. Mas andava um tanto estagnada em seus
lançamentos. Pouco depois da compra, porém, a editora lançou
O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini, um dos maiores best-sellers
dos últimos anos. A segunda metade da editora foi comprada de Carlos Augusto
Lacerda neto do fundador da Nova Fronteira, o jornalista e político
Carlos Lacerda por um valor um pouco superior, entre 9 e 10 milhões
de reais.
Outro grande negócio foi
fechado, no ano passado, com a editora americana Thomas Nelson, especializada
em livros cristãos e de auto-ajuda, para lançar o selo Thomas Nelson
Brasil. E uma segunda parceria internacional foi feita com a DC Comics, gigante
internacional dos quadrinhos, para a publicação de revistas e graphic
novels pelo selo Pixel Media. Também foi montada uma parceria operacional
com a Nova Aguilar, de Sebastião Lacerda (tio de Carlos Augusto). Os próximos
livros da editora, especializada em obras completas em papel-bíblia, sairão
em parceria com a Nova Fronteira, e em três anos a Ediouro terá a
opção de comprar o catálogo completo da Nova Aguilar. O grupo
também está ampliando seus canais de venda, investindo em audiolivros
começando por contos de Nelson Rodrigues lidos pelo ator Milton
Gonçalves a ser vendidos no formato de CD ou por download na internet.
"Estamos buscando não só a ampliação, mas a inovação",
define Pedroso. A Ediouro também está mais agressiva na competição
por títulos de sucesso. Venceu o leilão internacional pelo best-seller
de auto-ajuda O Segredo com um adiantamento de 80.000 dólares. A
expectativa é que todos esses investimentos ampliem a receita anual do
grupo em 30%, na comparação com 2006 de 188 milhões
para 240 milhões de reais. Uma base segura para se lançar no mercado
de ações.
Expansão editorial
Como é a Ediouro, empresa que disputa o posto de maior grupo editorial
do Brasil
Receita bruta em 2006:
188 milhões*
Projeção
para 2007: 240 milhões*
O grupo
compreende nove selos editoriais: Ediouro, Agir, Nova Fronteira, Relume-Dumará,
Geração Editorial, Nova Aguilar, Pixel Media, Prestígio e
Thomas Nelson Brasil
O maior negócio
recente do grupo foi a compra da Nova Fronteira, com um investimento de quase
20 milhões*