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20 de junho de 2007
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O império do come-quieto

Dirigida pelo discreto Jorge Carneiro, a Ediouro absorve
outras empresas e cresce no mercado editorial


Jerônimo Teixeira

 

Ernani d'Almeida
Jorge Carneiro (à esq.) e Luiz Fernando Pedroso, diretores da Ediouro: oito selos editoriais em sete anos

Jorge Carneiro, diretor-presidente da Ediouro, é uma das figuras mais discretas da indústria editorial brasileira. Praticante do hipismo e do tênis, não gosta de fotos nem de entrevistas e muito raramente vai às sessões de autógrafos dos livros que publica. Em silêncio, porém, dirige o grupo editorial que mais se expande no país. Em 2001, a Ediouro comprou a editora Agir – e desde então, entre parcerias com outras editoras, investimento em novos nichos e aquisições, tornou-se um grande guarda-chuva, abrigando nove selos. O negócio mais vultoso foi a compra da Nova Fronteira, concluída neste ano, com um investimento total de quase 20 milhões de reais. A editora também está em negociações para a compra dos selos editoriais da Siciliano – Arx, Futura e Caramelo. Empresa familiar – Jorge Carneiro é sócio de uma irmã e de dois primos –, a Ediouro está crescendo com o propósito de, no futuro, abrir seu capital e oferecer ações na bolsa. Carneiro, porém, garante que não está atrás de um parceiro internacional. "Investidores internacionais geralmente desejam o controle da empresa, e não queremos perder isso", diz.

Fundada em 1939 pelo pai e por um tio de Jorge Carneiro, a Ediouro montou sua base nas revistas Coquetel, de passatempos e palavras cruzadas. Elas seguem nas bancas – respondem por 70% do mercado de revistas de passatempo –, mas mostram um fôlego mais curto. "É um negócio maduro, mas que não tem possibilidades de ampliação. O leitor hoje procura outras opções de passatempo", diz Luiz Fernando Pedroso, diretor superintendente do grupo. É nos demais negócios editoriais que o grupo espera crescer. A compra da Nova Fronteira foi um dos grandes lances nessa direção. Há dois anos, a Ediouro comprou a metade da Nova Fronteira que pertencia a um fundo de investimentos administrado pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Por cláusula contratual, a editora não pode revelar o valor do negócio – no mercado, porém, sabe-se que o investimento foi da ordem de 8,5 milhões de reais. A Nova Fronteira era então uma editora com um catálogo dos mais respeitáveis, incluindo clássicos como Guimarães Rosa e Thomas Mann. Mas andava um tanto estagnada em seus lançamentos. Pouco depois da compra, porém, a editora lançou O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini, um dos maiores best-sellers dos últimos anos. A segunda metade da editora foi comprada de Carlos Augusto Lacerda – neto do fundador da Nova Fronteira, o jornalista e político Carlos Lacerda – por um valor um pouco superior, entre 9 e 10 milhões de reais.

Outro grande negócio foi fechado, no ano passado, com a editora americana Thomas Nelson, especializada em livros cristãos e de auto-ajuda, para lançar o selo Thomas Nelson Brasil. E uma segunda parceria internacional foi feita com a DC Comics, gigante internacional dos quadrinhos, para a publicação de revistas e graphic novels pelo selo Pixel Media. Também foi montada uma parceria operacional com a Nova Aguilar, de Sebastião Lacerda (tio de Carlos Augusto). Os próximos livros da editora, especializada em obras completas em papel-bíblia, sairão em parceria com a Nova Fronteira, e em três anos a Ediouro terá a opção de comprar o catálogo completo da Nova Aguilar. O grupo também está ampliando seus canais de venda, investindo em audiolivros – começando por contos de Nelson Rodrigues lidos pelo ator Milton Gonçalves – a ser vendidos no formato de CD ou por download na internet. "Estamos buscando não só a ampliação, mas a inovação", define Pedroso. A Ediouro também está mais agressiva na competição por títulos de sucesso. Venceu o leilão internacional pelo best-seller de auto-ajuda O Segredo com um adiantamento de 80.000 dólares. A expectativa é que todos esses investimentos ampliem a receita anual do grupo em 30%, na comparação com 2006 – de 188 milhões para 240 milhões de reais. Uma base segura para se lançar no mercado de ações.

 

Expansão editorial

Como é a Ediouro, empresa que disputa o posto de maior grupo editorial do Brasil  

Receita bruta em 2006: 188 milhões*

Projeção para 2007: 240 milhões*

O grupo compreende nove selos editoriais: Ediouro, Agir, Nova Fronteira, Relume-Dumará, Geração Editorial, Nova Aguilar, Pixel Media, Prestígio e Thomas Nelson Brasil

O maior negócio recente do grupo foi a compra da Nova Fronteira, com um investimento de quase 20 milhões*

* Em reais

 

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