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20 de junho de 2007
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Brasil
Dinheiro no lixo

Pacote para socorrer supostas vítimas
do dólar barato é inútil e caro


Giuliano Guandalini

Divulgação
Fábrica da Coteminas: alta produtividade compensa o câmbio

Há apenas um mês, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, deu um recado ousado a empresários que pediam compensações do governo aos prejuízos que tiveram com o dólar barato. Na ocasião, o ministro declarou ser natural que as empresas ineficientes e antiquadas morram com o real valorizado. "Acredito que um número mínimo de empresas, as mais velhas, as mais obsoletas, as que não investiram, as que têm problemas de velhos equipamentos, pode morrer nesse processo", disse ele. Na semana passada, o governo jogou esse sábio diagnóstico no lixo ao anunciar um pacote de 3 bilhões de reais a um punhado de setores incomodados com a desvalorização do dólar. Escolhidos a dedo, esses setores pagarão menos impostos e terão acesso a uma linha de crédito subsidiado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


 

Os principais beneficiados serão as indústrias têxteis, de confecções, as fabricantes de sapatos e as de móveis. Pela versão oficial, esses setores poderão retomar a competitividade e defender-se da concorrência "predatória" dos importados. Balela. A despeito de algumas empresas de porte menor estarem passando por dificuldades, essas indústrias estão longe de viver um momento de crise. As melhores companhias, aquelas que merecem sobreviver, se modernizaram e têm alcançado resultados invejáveis, mesmo diante da acirrada concorrência asiática. É o caso da Coteminas, do vice-presidente José Alencar, que aparece entre as empresas têxteis mais lucrativas do país. Depois de sua fusão com a americana Springs, em 2005, a empresa se tornou a maior fabricante mundial de artigos para cama e banho. Embora tenha havido um aumento nas importações recentemente, o setor têxtil ainda exibe um folgado saldo na sua balança comercial – ou seja, exporta mais do que importa. O mesmo vale para as companhias de calçados e móveis (veja quadro ao lado), o que torna o pacotinho do governo ainda mais anacrônico. "No Brasil, em vez de premiar os vencedores, aquelas empresas que criam riquezas, existe uma cultura de apoiar os perdedores", afirma Claudio Haddad, diretor da escola de negócios Ibmec São Paulo. "Não faz o menor sentido dar subsídios àqueles que não conseguem competir." Como diria a ministra Marta Suplicy, ao contribuinte, dono do dinheiro, só resta "relaxar e gozar..."

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