
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
É
de morte
De
quem são os versos usados
pelo terrorista McVeigh
Não
é fácil ser poeta. É preciso cortejar as musas, lutar
contra a indiferença do público e a maldade dos críticos.
Com sorte, alguns de seus versos sobrevivem e chegam às gerações
futuras. Mas nem aí sua obra está a salvo. Quando menos
se espera, um assassino resolve lançar mão dela. Foi o que
ocorreu com o poeta inglês William Ernest Henley (1849-1903) na
segunda-feira da semana passada. Nesse dia, pouco antes de ser executado
com uma injeção letal, o terrorista americano Timothy McVeigh,
responsável pelo atentado que matou 168 pessoas em Oklahoma seis
anos atrás, ouviu a pergunta de praxe: "Você quer dizer suas
últimas palavras?". Calado, ele estendeu ao policial uma folha
com um poema escrito a mão. Em tradução literal,
os últimos versos diziam: "Não importa o quão difícil
a passagem/ A quantidade de condenações que recaiam sobre
mim/ Eu sou o mestre do meu destino/ Eu sou o capitão da minha
alma". Não, a iminência da morte não transformou McVeigh
em bardo. Na verdade, ele tomou emprestados os versos do poema Invictus,
obra mais famosa de Henley. No fim do século XIX, esse venerável
cavalheiro vitoriano era uma das principais figuras do meio literário
de seu país. Editou os primeiros escritos de autores como Thomas
Hardy, George Bernard Shaw e H.G. Wells. Também foi grande amigo
do romancista Robert Louis Stevenson, que se inspirou nele, que havia
perdido um pé por causa de uma doença, para criar o pirata
aleijado Long John Silver, personagem do livro A Ilha do Tesouro.
De sua própria lavra, o escritor produziu, além de poemas,
ensaios um dos quais, curiosamente, contra Stevenson. Pobre Henley.
Dedicou a vida a promover a cultura. Acabou usado para glamourizar um
bárbaro.
|
|
 |
|
 |

|
 |