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Wagner,
por Werner
O alemão Werner Herzog mostra
no Municipal do
Rio sua encenação
da ópera Tannhäuser
Divulgação
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| Cena
da montagem: tecido de pára-quedas, vento e luz |
Cinco
anos atrás, o cineasta alemão Werner Herzog se preparava
para assinar uma montagem da ópera Tannhäuser em São
Paulo, quando o projeto foi subitamente cancelado, por causa de um imbróglio
da prefeitura. O diretor de Fitzcarraldo, contudo, garante que
não guarda a menor mágoa pelo episódio. "Produzir
cultura não é como fabricar carros. Nem sempre as coisas
correm conforme o planejado", diz. Prova de sua sinceridade (e de seu
apego ao Brasil, que considera "maravilhoso" e que lhe deu seu maior ídolo,
o jogador de futebol Garrincha): nesta semana, Herzog estará de
volta ao país justamente para encenar Tannhäuser, que
a partir de sexta-feira ganha cinco récitas no Theatro Municipal
do Rio de Janeiro. Como Herzog gosta de nadar contra a corrente, ninguém
deve esperar uma daquelas montagens megalomaníacas comumente associadas
às obras do compositor alemão Richard Wagner. O diretor
acha que a encenação de uma ópera não deve
sobrepujar a música, mas apenas "dar corpo" às emoções
provocadas pelos acordes da orquestra (que, no caso, será conduzida
pelo suíço Karl Martin). Para Tannhäuser, que
trata de um menestrel dividido entre o amor carnal e o amor sublime, ele
optou por jogos de luz e figurinos em tecido de pára-quedas, que
se tornam esvoaçantes sob o efeito de ventiladores especiais
absolutamente silenciosos. À parte a deusa Vênus, que traja
vermelho, todo o elenco usa vestes brancas.
A montagem foi produzida originalmente para o Teatro de la Maestranza
de Sevilha, na Espanha, e já viajo trata de um menestrel dividido entre o amor carnal e o amor sublime, ele
optou por jogos de luz e figurinos em tecido de pára-quedas, que
se tornam esvoaçantes sob o efeito de ventiladores especiais
absolutamente silenciosos. À parte a deusa Vênus, que traja
vermelho, todo o elenco usa vestes brancas.
A montagem foi produzida originalmente para o Teatro de la Maestranza
de Sevilha, na Espanha, e já viajou por várias cidades européias.
Cenários e figurinos chegaram ao Brasil em quatro contêineres,
num total de 34 toneladas. O maior trabalho, contudo, foi preparar os
134 integrantes do elenco, quase todos brasileiros e pouco habituados
a interpretar Wagner. A soprano paulista Céline Imbert, que faz
Vênus, freqüentou um professor de alemão durante dois
meses com o libreto e a partitura na mão para aprender cada palavra.
Mesmo para os solistas principais já familiarizados com a obra
entre os quais a soprano americana Cheryl Studer, diva do círculo
operístico internacional , Tannhäuser exige sacrifícios.
As árias do personagem-título são tão longas
e complexas que dois tenores se revezam no papel. Um dia sobe ao palco
o austríaco Wolfgang Neumann e, no outro, o finlandês Heikki
Siukola. Enquanto se esfalfam, contudo, tudo flutua, sob o efeito do vento,
das luzes e dos tecidos. "Aí está a marca especialíssima
da direção de Herzog", resume o irmão do diretor,
Lucki Stipetic, coordenador de produção.
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