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Edição 2113

20 de maio de 2009
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Cinema
Insatisfação plena

Em Desejo, Perigo, Ang Lee retoma seu tema central: a
colisão entre as convenções e a turbulência dos sentimentos


Isabela Boscov

Divulgação
APENAS SEXO Tang, como a ativista que seduz Leung
e é seduzida por ele: uma paixão que não pode de maneira nenhuma dizer seu nome


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Desejo, Perigo (Se, Jie, China/ Taiwan/ Estados Unidos, 2007), desde sexta-feira em cartaz no país, tem uma das mais engenhosas cenas de sedução já vistas: sentada à mesa de um restaurante vazio com o sinistro senhor Yee (Tony Leung), a jovem Wong (Tang Wei) insinua-se com frivolidades e com o simples fato de estar ali com ele. Wong posa de mulher de sociedade, mas na verdade é uma ativista na Xangai de fim dos anos 30; o senhor Yee, um alto oficial do governo, colabora com a ocupação japonesa na China e, portanto, é o alvo de Wong. O plano é que ela o seduza (para tanto, a até então virgem Wong treina fazer sexo com um companheiro de brigada) e o atraia para uma emboscada. Ali, no restaurante, Wong acha que sua missão está tendo pleno sucesso. E está, exceto pelo fato de que ela também já foi seduzida. Assim como em todos os seus filmes, e em particular Razão e Sensibilidade e O Segredo de Brokeback Mountain, o diretor Ang Lee trata aqui da armadilha a que todo ser humano está potencialmente sujeito, e que raras vezes pode ser negociada sem que haja vítimas: o conflito entre um conjunto de convenções que é imperativo e a imperiosidade do desejo.

Ang Lee assinala essa colisão desde a maneira como filma – estudada e elegante durante a aproximação entre Wong e o senhor Yee, brutal nas cenas de sexo. A primeira delas é quase uma violação, ainda mais chocante pela plenitude que proporciona à jovem. As seguintes, muito explícitas, são uma erupção de sentimentos represados e então, logo após o clímax, novamente recolhidos: nas circunstâncias em que se dá o jogo entre Wong e o senhor Yee (que não é nenhum tolo para se deixar enganar pelo disfarce da moça), admitir o que se sente é ainda mais arriscado que senti-lo. Lançado em seguida a Brokeback Mountain, o filme – que chega aqui com dois anos de atraso – foi recebido como um trabalho comparativamente decepcionante de Lee. É menos envolvente, é verdade, até porque segue uma estrutura de suspense que às vezes obscurece seu tema central. Mas, para o espectador que se atém a ele, o diretor continua incomparável na compreensão daquelas aspirações que, por um motivo ou outro, estão fadadas a não ser satisfeitas.

 


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