Edição 1901 . 20 de abril de 2005

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Tales Alvarenga
A turma da idéia única

"Para os brasileiros, acostumados à
estagnação, crescer a uma taxa de
3,7% pode parecer um grande feito.
Para um país emergente, é pífio. A Índia
cresceu 7,3% no ano passado, a Rússia,
7,1%, a Turquia, 8,1%, e a China, 9,5%"

O PT trouxe para o governo quatro idéias. Prometeu criar 10 milhões de empregos. Disse que ia ampliar a reforma agrária. Resolveu implantar o sistema de cotas para negros na universidade. E anunciou o seu programa Fome Zero. As quatro metas foram desmoralizadas e, agora, não há mais ilusões disponíveis nos arquivos do PT. A única idéia que une e inspira o petismo hoje é a reeleição de Lula. Instalado na Presidência por mais quatro anos, Lula será a garantia de que todos os 30.000 petistas nomeados para cargos de confiança continuarão infiltrados no serviço público, ganhando seu salário mensal sem nenhuma ameaça externa.

O governo petista não dispõe de um projeto de modernização do Brasil. Não reconhece a importância de criar um ambiente favorável aos negócios no país. Em vez de ficar pensando na implantação de cotas raciais no ensino, o PT deveria estar preocupado em preparar as futuras gerações para um mundo no qual a tecnologia terá papel dominante. O PT também não se empenha em desmontar os entraves à contratação de trabalhadores que estão inscritos nas leis trabalhistas há mais de meio século. No campo da Justiça, o partido de Lula continua perplexo diante da necessidade de torná-la mais ágil. No Brasil, um processo leva vinte anos para ser julgado. A insegurança jurídica espanta os investidores.

O PT não se atreve a retomar a reforma da Constituição de 1988. Essa Constituição montou um Estado que tem excesso de responsabilidades e recursos insuficientes para enfrentá-las. Porque gasta mais do que arrecada, o Estado mantém em funcionamento uma extorsiva carga tributária, indecorosa para países com o nível de desenvolvimento do Brasil.

Por tudo isso, o Brasil tem um desempenho econômico irregular. O crescimento sólido, sustentável, não ocorrerá no horizonte visível. O que poderemos ver, com alguma sorte, serão espasmos de crescimento. Essa fragilidade produz aqui as maiores taxas de juros reais do planeta. Um país com todos esses entraves estruturais não tem condições de crescer de forma contínua.

Na primeira semana de janeiro, previ nesta coluna que o ano de 2005 seria medíocre para a economia brasileira, com um crescimento do PIB ao redor de 3,7%. Era um momento em que representantes do governo abriam champanhe para comemorar os 5,2% de expansão do PIB em 2004 e para prometer outro recorde no desempenho de 2005. Na semana passada, o FMI reviu sua previsão do crescimento do PIB brasileiro – para 3,7%. Agora, na companhia do FMI, não vou rever por enquanto minha previsão de 3,7%.

Para os brasileiros, que se acostumaram à estagnação econômica por duas décadas e meia, crescer a uma taxa de 3,7% pode parecer um grande feito. Para um país emergente, é pífio. A Índia cresceu 7,3% no ano passado, a Rússia, 7,1%, a Turquia, 8,1%, e a China, 9,5%. Em 2004, o Brasil foi impulsionado pelo crescimento mundial. O cenário piorou. O mundo está crescendo menos. Nesse ambiente, o PT continua tratando com desdém os fatores que produzem desenvolvimento sustentado. Para o partido de Lula, o único assunto que conta é a reeleição.

 
 
 
 
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