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Tales
Alvarenga A turma da idéia única
"Para os brasileiros, acostumados à
estagnação, crescer a uma taxa de 3,7% pode parecer um grande
feito. Para um país emergente, é pífio. A Índia
cresceu 7,3% no ano passado, a Rússia, 7,1%, a Turquia, 8,1%, e a China,
9,5%" O PT trouxe para o governo quatro
idéias. Prometeu criar 10 milhões de empregos. Disse que ia ampliar
a reforma agrária. Resolveu implantar o sistema de cotas para negros na
universidade. E anunciou o seu programa Fome Zero. As quatro metas foram desmoralizadas
e, agora, não há mais ilusões disponíveis nos arquivos
do PT. A única idéia que une e inspira o petismo hoje é a
reeleição de Lula. Instalado na Presidência por mais quatro
anos, Lula será a garantia de que todos os 30.000 petistas nomeados para
cargos de confiança continuarão infiltrados no serviço público,
ganhando seu salário mensal sem nenhuma ameaça externa.
O governo petista não dispõe de um projeto de modernização
do Brasil. Não reconhece a importância de criar um ambiente favorável
aos negócios no país. Em vez de ficar pensando na implantação
de cotas raciais no ensino, o PT deveria estar preocupado em preparar as futuras
gerações para um mundo no qual a tecnologia terá papel dominante.
O PT também não se empenha em desmontar os entraves à contratação
de trabalhadores que estão inscritos nas leis trabalhistas há mais
de meio século. No campo da Justiça, o partido de Lula continua
perplexo diante da necessidade de torná-la mais ágil. No Brasil,
um processo leva vinte anos para ser julgado. A insegurança jurídica
espanta os investidores. O PT não se atreve
a retomar a reforma da Constituição de 1988. Essa Constituição
montou um Estado que tem excesso de responsabilidades e recursos insuficientes
para enfrentá-las. Porque gasta mais do que arrecada, o Estado mantém
em funcionamento uma extorsiva carga tributária, indecorosa para países
com o nível de desenvolvimento do Brasil.
Por tudo isso, o Brasil tem um desempenho econômico irregular. O crescimento
sólido, sustentável, não ocorrerá no horizonte visível.
O que poderemos ver, com alguma sorte, serão espasmos de crescimento. Essa
fragilidade produz aqui as maiores taxas de juros reais do planeta. Um país
com todos esses entraves estruturais não tem condições de
crescer de forma contínua. Na primeira semana
de janeiro, previ nesta coluna que o ano de 2005 seria medíocre para a
economia brasileira, com um crescimento do PIB ao redor de 3,7%. Era um momento
em que representantes do governo abriam champanhe para comemorar os 5,2% de expansão
do PIB em 2004 e para prometer outro recorde no desempenho de 2005. Na semana
passada, o FMI reviu sua previsão do crescimento do PIB brasileiro
para 3,7%. Agora, na companhia do FMI, não vou rever por enquanto minha
previsão de 3,7%. Para os brasileiros, que
se acostumaram à estagnação econômica por duas décadas
e meia, crescer a uma taxa de 3,7% pode parecer um grande feito. Para um país
emergente, é pífio. A Índia cresceu 7,3% no ano passado,
a Rússia, 7,1%, a Turquia, 8,1%, e a China, 9,5%. Em 2004, o Brasil foi
impulsionado pelo crescimento mundial. O cenário piorou. O mundo está
crescendo menos. Nesse ambiente, o PT continua tratando com desdém os fatores
que produzem desenvolvimento sustentado. Para o partido de Lula, o único
assunto que conta é a reeleição. |