Edição 1901 . 20 de abril de 2005

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Carta ao leitor
Rio, passado e futuro

Oscar Cabral
Lucila: a cidade pode vencer seus problemas


Algumas poucas cidades atingem a categoria de símbolo de todo um país e de seu povo, transformando-se no que o historiador italiano Giulio Argan chama de cidades-capitais. São aquelas que, independentemente de ser o centro político-administrativo ou o dínamo econômico de um país, são vitais para a construção e a preservação da identidade nacional. Apesar de todos os seus dolorosos problemas e de décadas submetido a administrações desastrosas, o Rio de Janeiro é a cidade brasileira que mais se aproxima de tal definição.

Nesta edição, VEJA dedica ao Rio de Janeiro uma reportagem especial de dezesseis páginas. A primeira parte da reportagem lembra o passado de glória internacional e relativa paz urbana que o Rio desfrutou até o fim dos anos 50. Na segunda parte, aponta caminhos para sua recuperação. O empuxo histórico, cultural e econômico, sustenta a reportagem, é vigoroso o suficiente para permitir ao Rio de Janeiro superar seus problemas atuais e construir um futuro imponente. A cidade é sede de cinco das dez maiores empresas do país. Concentra setores vitais da economia brasileira, como o de telecomunicações, o petróleo e quase toda a produção audiovisual.

Para fazer essa reportagem, VEJA destacou a jornalista Lucila Soares, 46 anos, editora da sucursal carioca da revista. Durante quatro meses, Lucila consultou bibliotecas, documentos, arquivos de fotografias históricas e entrevistou três dezenas de urbanistas, economistas e estudiosos dos fenômenos urbanos. Valeu-se de estudos do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Banco Mundial – além de contar com análises feitas especialmente para esta reportagem pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

A carioca Lucila, que estudou arquitetura antes do jornalismo, foi escolhida também por uma característica pessoal única. Neta do editor José Olympio, um símbolo da cultura nacional, ela cresceu ouvindo histórias das glórias passadas da cidade. No entanto, em seus vinte anos de profissão, seis dos quais trabalhando em VEJA, só havia escrito sobre as mazelas cariocas. Conclui Lucila: "Voltar ao Rio de meus pais e avós e pensar a cidade das futuras gerações foi um exercício ao mesmo tempo profissional e pessoal".

 
 
 
 
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