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Carta ao leitor Rio,
passado e futuro
Oscar
Cabral
 | | Lucila:
a cidade pode vencer seus problemas |
Algumas
poucas cidades atingem a categoria de símbolo de todo um país e
de seu povo, transformando-se no que o historiador italiano Giulio Argan chama
de cidades-capitais. São aquelas que, independentemente de ser o centro
político-administrativo ou o dínamo econômico de um país,
são vitais para a construção e a preservação
da identidade nacional. Apesar de todos os seus dolorosos problemas e de décadas
submetido a administrações desastrosas, o Rio de Janeiro é
a cidade brasileira que mais se aproxima de tal definição.
Nesta edição, VEJA dedica ao Rio de Janeiro uma reportagem especial
de dezesseis páginas. A primeira parte da reportagem lembra o passado de
glória internacional e relativa paz urbana que o Rio desfrutou até
o fim dos anos 50. Na segunda parte, aponta caminhos para sua recuperação.
O empuxo histórico, cultural e econômico, sustenta a reportagem,
é vigoroso o suficiente para permitir ao Rio de Janeiro superar seus problemas
atuais e construir um futuro imponente. A cidade é sede de cinco das dez
maiores empresas do país. Concentra setores vitais da economia brasileira,
como o de telecomunicações, o petróleo e quase toda a produção
audiovisual. Para fazer essa reportagem, VEJA destacou
a jornalista Lucila Soares, 46 anos, editora da sucursal carioca da revista. Durante
quatro meses, Lucila consultou bibliotecas, documentos, arquivos de fotografias
históricas e entrevistou três dezenas de urbanistas, economistas
e estudiosos dos fenômenos urbanos. Valeu-se de estudos do Banco Interamericano
de Desenvolvimento e do Banco Mundial além de contar com análises
feitas especialmente para esta reportagem pela Federação das Indústrias
do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). A carioca
Lucila, que estudou arquitetura antes do jornalismo, foi escolhida também
por uma característica pessoal única. Neta do editor José
Olympio, um símbolo da cultura nacional, ela cresceu ouvindo histórias
das glórias passadas da cidade. No entanto, em seus vinte anos de profissão,
seis dos quais trabalhando em VEJA, só havia escrito sobre as mazelas cariocas.
Conclui Lucila: "Voltar ao Rio de meus pais e avós e pensar a cidade das
futuras gerações foi um exercício ao mesmo tempo profissional
e pessoal". |