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Edição 1 743 - 20 de março de 2002
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Até tu, Machado?

Oliver Twist traduzido por Machado
de Assis: uma porcaria

 
Machado: e o pior é que ele teve quem completasse seu serviço  


Veja também
Trecho da obra de Charles Dickens traduzida por Machado de Assis

Uma faceta pouco conhecida de Machado de Assis é a de tradutor. Mas ele a teve. Dedicou-se, sobretudo, aos poetas estrangeiros e deixou algumas jóias nesse campo, como sua versão para o poema O Corvo, do americano Edgar Allan Poe. Mais raras foram as ocasiões em que ele trabalhou sobre textos em prosa. Em 1870, deu início à tradução de Oliver Twist, do inglês Charles Dickens. Não foi o seu melhor momento. Machado não partiu do original, mas de uma versão em francês do romance. Adotou o procedimento duvidoso de resumir ou cortar passagens inteiras da obra. Para completar, abandonou a empreitada no meio do capítulo 28 – o livro tem 53 no total. Bagunçada desse jeito, a tradução é uma curiosidade para os machadianos e uma lástima para quem está interessado em Dickens. A editora Hedra decidiu ressuscitá-la, tomando uma providência: convidar o tradutor paulista Rnal, mas de uma versão em francês do romance. Adotou o procedimento duvidoso de resumir ou cortar passagens inteiras da obra. Para completar, abandonou a empreitada no meio do capítulo 28 – o livro tem 53 no total. Bagunçada desse jeito, a tradução é uma curiosidade para os machadianos e uma lástima para quem está interessado em Dickens. A editora Hedra decidiu ressuscitá-la, tomando uma providência: convidar o tradutor paulista Ricardo Lísias para completar o texto. O problema é que Lísias se imbuiu do mesmo espírito de Machado. Logo no prefácio, revela que transformou os três últimos parágrafos do romance em um só, "procurando evitar passagens excessivamente sentimentais". Enfim, tornou péssimo o que já era ruim. Com este Oliver Twist (373 páginas; 40 reais), perdeu-se mais uma oportunidade de melhorar a estante de Dickens no Brasil. Recentemente, uma editora carioca lançou O Mistério de Edwin Drood, que o inglês deixou inacabado ao morrer, com o acréscimo de páginas supostamente psicografadas, que resolveriam os enigmas da trama. Dickens é um dos grandes nomes da ficção do século XIX. Quando vão tratá-lo a sério por aqui?

   
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