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Até tu, Machado?
Oliver
Twist traduzido
por Machado
de Assis: uma porcaria
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| Machado:
e o pior é que ele teve quem completasse seu serviço |
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Veja também |
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Uma
faceta pouco conhecida de Machado de Assis é a de tradutor. Mas
ele a teve. Dedicou-se, sobretudo, aos poetas estrangeiros e deixou algumas
jóias nesse campo, como sua versão para o poema O Corvo,
do americano Edgar Allan Poe. Mais raras foram as ocasiões em que
ele trabalhou sobre textos em prosa. Em 1870, deu início à
tradução de Oliver Twist, do inglês
Charles Dickens. Não foi o seu melhor momento. Machado não
partiu do original, mas de uma versão em francês do romance.
Adotou o procedimento duvidoso de resumir ou cortar passagens inteiras
da obra. Para completar, abandonou a empreitada no meio do capítulo
28 o livro tem 53 no total. Bagunçada desse jeito, a tradução
é uma curiosidade para os machadianos e uma lástima para
quem está interessado em Dickens. A editora Hedra decidiu ressuscitá-la,
tomando uma providência: convidar o tradutor paulista Rnal, mas de uma versão em francês do romance.
Adotou o procedimento duvidoso de resumir ou cortar passagens inteiras
da obra. Para completar, abandonou a empreitada no meio do capítulo
28 o livro tem 53 no total. Bagunçada desse jeito, a tradução
é uma curiosidade para os machadianos e uma lástima para
quem está interessado em Dickens. A editora Hedra decidiu ressuscitá-la,
tomando uma providência: convidar o tradutor paulista Ricardo Lísias
para completar o texto. O problema é que Lísias se imbuiu
do mesmo espírito de Machado. Logo no prefácio, revela que
transformou os três últimos parágrafos do romance
em um só, "procurando evitar passagens excessivamente sentimentais".
Enfim, tornou péssimo o que já era ruim. Com este Oliver
Twist (373 páginas; 40 reais), perdeu-se mais uma oportunidade
de melhorar a estante de Dickens no Brasil. Recentemente, uma editora
carioca lançou O Mistério de Edwin Drood, que o inglês
deixou inacabado ao morrer, com o acréscimo de páginas supostamente
psicografadas, que resolveriam os enigmas da trama. Dickens é um
dos grandes nomes da ficção do século XIX. Quando
vão tratá-lo a sério por aqui?
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