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Uma ligação
muito perigosa
Como a
indústria do tabaco pagou
Hollywood para promover
o cigarro em seus filmes
20th Century Fox
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Globo Vídeo
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DiCaprio (à esq.) e John Travolta em cena: estímulo
aos novos consumidores
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Veja também |
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Uma
suspeita acaba de ser confirmada: a existência de laços escusos
entre duas das maiores indústrias americanas, a do cinema e a do
tabaco. Entre o fim dos anos 70 e dos 80, pelo menos, elas trocaram favores,
"presentinhos" e até dinheiro no esforço de manter a imagem
socialmente aceitável do cigarro que estava sob ataque
e de recrutar novos tabagistas. Essas conclusões constam de um
estudo feito pelos pesquisadores americanos Stanton Glantz e Curtis Mekemson
e divulgado nesta semana pela revista Tobacco Control, da Associação
Médica Britânica. O estudo se baseou em 1.500
documentos secretos dos fabricantes de cigarro dos Estados Unidos. Há
de tudo neles: desde rascunhos de discursos de executivos do tabaco para
seus funcionários "Sinto-me reconfortado cada vez que vejo
uma estrela;es constam de um
estudo feito pelos pesquisadores americanos Stanton Glantz e Curtis Mekemson
e divulgado nesta semana pela revista Tobacco Control, da Associação
Médica Britânica. O estudo se baseou em 1.500
documentos secretos dos fabricantes de cigarro dos Estados Unidos. Há
de tudo neles: desde rascunhos de discursos de executivos do tabaco para
seus funcionários "Sinto-me reconfortado cada vez que vejo
uma estrela segurando um maço de cigarros na tela", diz um chefão
da Philip Morris International, em 1983 até os termos de
um contrato com Sylvester Stallone, que não chegou a entrar em
vigor. Em troca de 500.000 dólares,
o fortão endossaria uma certa marca em cinco filmes. Esses documentos
foram tornados públicos em 1998. Mas só agora alguém
se deu ao trabalho de compilar uma crônica detalhada desse namoro.
O que está
por trás dessa campanha sub-reptícia é uma constatação
simples: ver um astro fumando estimula o consumidor a imitar seu hábito.
Um estudo publicado na mesma Tobacco Control há um ano mostra
que o fumacê contínuo de um ídolo como Leonardo DiCaprio
pode aumentar significativamente a propensão dos fãs mais
jovens ao vício. Atenta para essa ligação, nos anos
80 a indústria do tabaco bolou esquemas para analisar os roteiros
dos filmes, medir as oportunidades de mostrar seu produto na tela e, então,
fazer propostas aos estúdios. Em 007 Nunca Mais Outra
Vez, por exemplo, os produtores receberam 10.000
dólares para que o espião James Bond (Sean Connery) só
fumasse as marcas Camel e Winston. Outras vezes, era Hollywood que ia
atrás do negócio. Há registro de que, em 1984, a
20th Century Fox procurou a Philip Morris para um acordo no
valor de 100.000 dólares, garantindo
que seus cigarros teriam exclusividade em quatro produções
do estúdio. A empresa recusou. Mas, pelos seus cálculos,
conseguiu ostentar suas marcas em quase 200 filmes entre 1978 e 1988,
muitos deles de censura livre.
Paramount Pictures

Eddie Murphy e caixas de Lucky Strike em Um Tira da Pesada:
o fabricante adorou |
Segundo
o estudo, esses registros de negócios em dinheiro são raros.
O pessoal do cinema achava mais prudente ser presenteado com jóias
e carros. Em alguns casos, o fabricante mandava aos seus amigos suprimentos
contínuos de cigarros viciar astros, diretores, roteiristas
e produtores asseguraria que estes, de vontade própria, enfumaçassem
suas tramas. Para quem acha que essa tática é tosca, uma
surpresa: ela funcionava. Uma empresa contratada pela R.J. Reynolds relatava,
em 1980, que o ator e diretor John Cassavetes gostara tanto de ser abastecido
com a marca Winston que mudara para ela e pretendia incluí-la em
seu filme seguinte. Em 1990, a indústria americana do tabaco se
comprometeu a nunca mais pagar para que seus produtos aparecessem em filmes
ou programas de TV uma decisão que virou lei em 1998. Os
autores do estudo publicado nesta semana, porém, desconfiam que
ela tenha encontrado subterfúgios para continuar usando o cinema
como veículo publicitário: pelas contas deles, desde 1990
aumentou, e muito, o número de filmes que mostram gente de cigarro
na boca.
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