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É a vez de
Serra

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O
tucano rouba o lugar de Roseana Sarney nas pesquisas e deixa mordida
a cúpula do PFL, que só
fala em vingança


Veja também |
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As
últimas pesquisas de opinião divulgadas na semana passada
dão a exata dimensão do prejuízo provocado na candidatura
de Roseana Sarney pela devassa feita pela Polícia Federal em seu
escritório. Em pouco mais de dois meses, de acordo com dados do
Datafolha, Roseana caiu de 21% das intenções de voto para
15%, perdendo o segundo lugar para o candidato tucano, José Serra,
que subiu de 7% para 17%. Serra esperava melhorar sua posição
nas pesquisas aos poucos. Segundo suas contas, lá pelo mês
de junho estaria brigando pelo segundo lugar. Mas acabou tomando o posto
de Roseana já em março. Diante do novo cenário, pode-se
dizer que o tucano abraça chances muito maiores de chegar ao Palácio
do Planalto que aquelas que a filha de José Sarney tinha antes
da batida policial. Mais uma vez, o candidato do PT, Luís Inácio
Lula da Silva, corre o risco de atuar como figurante para valorizar a
vitória do candidato anti-PT. Aconteceu isso em 1989, quando Fernando
Collor e Lula fizeram o segundo turno, mas há agora uma diferença
notável que dificulta ainda mais a missão do petista. Serra
chega à corrida com apoio da máquina do governo, tendo a
empurrá-lo Fernando Henrique Cardoso, cujo prestígio está
ascendente, de acordo com as pesquisas. Outro fator decisivo diz respeito
ao apoio seguro que Serra recebe no meio empresarial paulista. Nesse sentido,
pode-se dizer que chegou a vez de Serra.
Na outra ponta, o PFL está em estado de catalepsia. Perdeu seu
lugar no governo, está perdendo sua esperança de concorrer
com candidato próprio e procura desesperadamente soluções
que evitem sua rendição humilhante ao tucano José
Serra. Na semana passada, a cúpula do partido falava em tomar carona
na candidatura Ciro Gomes. E teve até gente lembrando de apelar
para que Silvio Santos concorra à Presidência com a camisa
pefelê. "Eles sempre pensam no meu nome em momentos de crise", disse
a VEJA o empresário. "Mas não tenho planos de entrar nessa
aventura."
O PFL é portador do vírus governista, para o qual não
se conhece uma vacina. Está em seu DNA aderir de novo. Mas, por
enquanto, é impensável que seus cardeais voltem de cabeça
baixa a procurar o homem a quem atribuem a desgraça de sua candidata.
Enquanto não se decidem pelo que fazer, agarram-se a qualquer chance
de vingança. Na semana passada, os pefelistas entusiasmaram-se
com a criação de uma "CPI do grampo" em união amiga
com o PT, que sempre detestaram, sob o pretexto de que o Ministério
da Saúde, com Serra à frente, contratou uma firma de arapongagem.
Ao mesmo tempo que pressiona, o PFL reza para que o PSDB acabe optando
por uma candidatura alternativa à de José Serra, como a
de Aécio Neves, para que o partido possa aderir sem vexame. Nesse
sentido, também se pode dizer que chegou a vez de Serra
a vez de Serra virar alvo.
Nesse ambiente hostil envolvendo os dois principais partidos da base governista,
espalha-se pelo Brasil afora um clima de delação. Dossiês
recheados de denúncia, na maior parte calúnias, circulam
nervosamente de mão em mão. É a campanha mais lamacenta
que o país já viu desde o fim da ditadura militar. Fernando
Collor apelou para a difamação contra Lula, mas só
fez uso dessa arma insidiosa no fim da campanha. Com um detalhe: ele teve
a coragem de divulgar denúncias contra Lula no próprio programa
eleitoral, correndo o risco de ser punido pelo eleitor em razão
da baixaria. Agora, não. Os apócrifos dossiês, a arapongagem
e a difamação começaram sete meses antes da eleição.
Não há provas nesses dossiês. Aliás, nem é
esse seu propósito. O que eles provam, na verdade, é que
os bandidos são seus autores, e não as pessoas que neles
são denunciadas. O PT acompanha calado a movimentação
e o povo a tudo vê com espanto. Numa pesquisa feita pelo Instituto
Vox Populi, mais da metade dos brasileiros acham que esses dossiês
só servem para intimidar e 75% acreditam que político faz
qualquer coisa para ganhar eleição. Com isso, a campanha
desce do patamar desejável da discussão dos temas relevantes
e se projeta na sarjeta da acusação pessoal. Não
é um padrão civilizado e construtivo, marcado pela busca
de idéias e receitas para melhorar o país.
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