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VEJA tem
contribuído muito para o amadurecimento político do cidadão
brasileiro. Os escândalos que envolvem a família de José
Sarney, donatário da capitania hereditária do Maranhão,
deveriam ser motivo para que o PFL condicionasse a permanência de
Roseana na disputa presidencial a uma completa e transparente apuração
dos fatos. Fico perplexo em ver exatamente o contrário, um partido
populista forçando a barra para esconder crimes que vêm solapando
nossa economia e impedindo que um Estado pobre como o Maranhão
deixe de ser detentor de recordes de mortalidade infantil e analfabetismo
("A candidata afundou", 13 de março). Mais uma
vez me sinto profundamente gratificado por ser assinante de VEJA. Com
absoluta imparcialidade, a reportagem de capa da última edição
me fez lembrar que devemos tomar bastante cuidado com campanhas publicitárias
mirabolantes. Infelizmente, ainda existem muitos políticos no país
que insistem em fabricar a miséria a fim de garantir votos em troca
de sacos de farinha. É
inadmissível para alguém que quer comandar o país
exigir que seu partido deixe o governo por não concordar com a
ação da Justiça. Não teria sido mais engrandecedor
se, em vez de exigir julgamento em foro especial, se exigisse a apuração
mais rápida da Justiça? Atenção, eleitores:
a campanha está começando! É
condição imprescindível que o político seja
transparente em seus atos. A senhora Roseana tem a obrigação
de provar que as denúncias são infundadas, sob pena de encolher
mais ainda, até desaparecer. A curiosidade
apresentada por VEJA sobre a compra de madeira é no mínimo
hilária, pois, dividindo-se 1,34 milhão de reais por 600
metros cúbicos de madeira de lei, valor expresso na reportagem
"O novo show do milhão" (13 de março), chega-se a 2.233
reais pelo metro do produto. Como madeireira, desconheço madeira
atualmente explorada com tal valor de mercado. Ainda estou
estupefato com a reportagem sobre a família Sarney do Maranhão
("A família de 125 milhões de reais... e um genro", 13 de
março). Só pensar que grande parte dos brasileiros poderia
dar seu voto a uma pessoa que não consegue esclarecer os próprios
casos contábeis causa-me arrepios na espinha. O cidadão
comum, ao pleitear um financiamento de uns poucos reais no órgão
oficial do governo, a Caixa Econômica Federal, no plano habitacional,
passa pelo constrangimento de ter sua vida vasculhada, seu cadastro pesquisado
e deve comprovar renda, residência etc. Já o político
do Norte/Nordeste para receber as benesses da Sudam/Sudene deve apenas
ter uma governadora como aliada. Como maranhense,
sinto-me indignado. Roseana Sarney fez um grande bem ao Maranhão
ao se lançar como pré-candidata à Presidência
da República, pois somente assim a grande imprensa pôde fazer
cobertura das mazelas de nosso Estado, que hoje fica na lanterna dos indicadores
de desenvolvimento do país. Quero cumprimentar VEJA (sou assinante
há treze anos) pela isenção com que abordou o assunto.
A PPL não
tem conhecimento de nenhum pagamento irregular relacionado à privatização
da Cemar. A oferta de compra da PPL para adquirir a Cemar foi feita através
de leilão público, seguindo o mesmo modelo de todas as privatizações
realizadas no setor elétrico brasileiro. A PPL continua trabalhando
com a Cemar para solucionar as dificuldades financeiras criadas pela recente
crise energética e buscando soluções com diversas
autoridades do setor elétrico ("A família de 125 milhões
de reais... e um genro", 13 de março).
A entrevista
com Marc Lewis (Amarelas, 13 de março) é muito importante
para que pessoas de boa índole e bom caráter não
sigam os exemplos negativos que ele ensina. Parabéns ao repórter
Eduardo Salgado por conseguir tirar do entrevistado informações
fulminantes de como o mal pode vencer o bem. É um vexame saber
que pessoas de sucesso são muitas vezes desequilibradas, falsas
e capazes de pisar no próximo, e dizer que a inveja, a arrogância,
a preguiça, a luxúria, a ira, a avareza e a gula são
a chave para o êxito. O que se
poderia esperar de uma pessoa que, derrubando a hipocrisia da sociedade,
os moralismos banais e as religiões castradoras, motiva o ser humano
a construir sua vida da melhor e mais eficaz forma? Uma legião
de fãs é o mínimo. Marc, me inclua na sua lista.
Ah, saiba que eu o invejo muito! A entrevista
com Marc Lewis foi sensacional. Além de dar um ânimo a empresários
e estudantes, ela demonstra que o que importa é ser o melhor e
o maior, "mesmo que não seja". O termo "prêmio"
não é o que o segurado recebe do segurador em caso de sinistro,
mas o que ele paga ao segurador ao contratar o seguro.
Cumprimento
o senhor Kanitz pelo artigo "Comprar sempre à vista" (Ponto de
vista, 13 de março). A opinião sobre "comprar sempre à
vista" é pertinente, pois temos uma cultura baseada no imediatismo,
desde o mais abastado até o mais pobre. Muitas lojas oferecem prazos
de 24 meses para comprar uma televisão, hoje um produto de primeira
necessidade. Poucas pessoas se preocupam em como pagar. É muito
fácil comprar, difícil é pagar. É
uma idéia ousada, pois contraria o que apregoa a publicidade: compre
hoje e pague a perder de vista. O desfecho dessa ópera conhecemos
muito bem: endividamento, SPC, desespero. Para o comércio há
o fantasma da inadimplência, que já arrastou muita empresa
para o fundo do poço da falência. Existe hoje
uma "cultura de mercado" habilmente criada pelas instituições
financeiras e administradoras de cartão de crédito para
induzir o consumidor ao crediário. Com isso, não somos mais
premiados por poupar. Ao contrário, a inadimplência (que
antigamente era calote e motivo de vergonha para as pessoas de bem) é
tida atualmente como algo normal e aceitável pela sociedade.
Toda semana
fico ansiosa para ver quem Diogo Mainardi vai metralhar. Sua coluna é
um dos motivos de eu comprar a revista. O artigo desta semana ("Não
estou com dengue", 13 de março) sobre a dengue foi sensacional.
Como cidadã
e fã da cultura cuiabana e mato-grossense, eu me senti ofendida
com o artigo "Não estou com dengue", em que o colunista afirma
que, "se um terremoto destruísse todos os monumentos históricos
e todas as obras de arte da Itália, eles reconstruiriam uma civilização
com a espessura cultural de Cuiabá". Quero fazer aqui um convite
ao senhor Mainardi, e a qualquer outro brasileiro, para que venha conhecer
nossa riqueza cultural (inclusive a riqueza da cultura de nossos índios;
estes sim contam a nossa história), que só não é
tão popularizada e divulgada devido ao fato de os meios de comunicação
de alcance nacional priorizarem a cultura do Sudeste do país. Mainardi
critica o projeto de lei do governo sobre o conflito de interesses. O
texto está sendo examinado pelo Parlamento italiano. Mainardi escreve
que "esta lei garante o direito de Berlusconi de governar em benefício
próprio". Não é assim, mas, de qualquer forma, ele
deveria pelo menos esperar para saber o que o Parlamento da nossa República
decidirá. Mainardi acha que, "se um terremoto destruísse
todos os monumentos históricos e todas as obras de arte da Itália,
eles (os italianos) reconstruiriam uma civilização com a
espessura cultural de Cuiabá". Sendo eu supersticioso, gostaria
de pedir a Mainardi para não prever terremotos e outras desgraças
do gênero. E, depois, gostaria de lembrá-lo que é
justamente a criatividade italiana que nos permitiu, em 2001, vender para
o resto do mundo 36 bilhões de dólares de produtos de design,
ou seja, moda e objetos de decoração.
Com interesse
tomei conhecimento da reportagem "O príncipe foge de casa" (13
de fevereiro), que se referiu à casa real neerlandesa. Sendo assim,
julgo oportuno informar que ocorreu um mal-entendido quando o artigo afirma
que sua alteza real o príncipe Claus, marido da rainha Beatrix,
no passado havia sido um nazista militante. Durante a II Guerra Mundial,
os jovens estudantes alemães automaticamente eram filiados a organizações
nazistas, como por exemplo a Juventude Hitlerista. Após a guerra,
uma comissão de purgação política dos Aliados
deu ao príncipe a oportunidade de comprovar que nunca compartilhou
com as idéias nazistas.
Sobre a
carta do doutor Paulo Elias C. Dantas (Cartas, 13 de março), quero
dizer que o anel corneano intra-estromal para correção de
baixas miopias é aprovado pelo FDA, órgão americano
que regulamenta a aplicação de dispositivos médicos
nos EUA e é reconhecido mundialmente. Esse procedimento para correção
do ceratocone vem sendo utilizado em vários países. A indicação
do anel para o ceratocone é ortopédica e visa à correção
da deformidade, não tendo portanto preocupação refrativa.
As complicações dessa técnica são raras e
além disso reversíveis. O Excimer Laser utilizado para correção
de miopias e hipermetropias, embora reconhecido pelo CFM, foi realizado
rotineiramente e cobrado normalmente, nos primórdios de sua aplicação,
quando era considerado ainda experimental. Além disso, pode apresentar
complicações graves como a ectasia corneana pós-Lasik,
que tem no anel corneano a sua correção.
Em nome
da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional São Paulo,
gostaria de ressaltar a importância do alerta feito na matéria
"Corpos à venda" (6 de março), sobre as chamadas "Botox
parties", a mais nova moda dos Estados Unidos e Europa. A "festa do Botox"
induz o público leigo a acreditar que o procedimento, apesar de
no Brasil ser realizado apenas por médicos, seja desprovido de
efeitos colaterais e complicações. Assim como cirurgias
de apêndice ou de câncer, que trazem um benefício para
o paciente, não são comemoradas na ante-sala com "petits-fours
e champanhe", também esse procedimento não pode ser vinculado
a motivo de festa ou "happy hour". Sentimo-nos na obrigação
de esclarecer à população que no Brasil a aplicação
da toxina botulínica só deve ser realizada por profissional
especializado (médico), e que também oferece riscos. Portanto,
é fundamental que sejam tomadas as devidas precauções
em relação a esse procedimento.
A seção
Para usar (Guia, 13 de fevereiro) pode levar a Câmara Municipal
da Estância Turística de Itu a aprovar lei inédita
no país. Após a leitura da seção, que publicou
uma nota sobre como requerer o seguro obrigatório, leitores de
VEJA ligados ao vereador de Itu Levi Clementino sugeriram uma lei municipal
obrigando a afixação de cartazes com orientações
referentes ao seguro obrigatório em alguns pontos estratégicos
da cidade. O vereador acatou a idéia e contatou a assessoria jurídica
para verificar a viabilidade de tal projeto. Após a análise,
surgiu o projeto de lei municipal nº 63/02, que se encontra em tramitação
na Câmara de Vereadores de Itu.
Você
tem razão: a "casa dos políticos" é muito parecida
com a Casa dos Artistas. Mas você se enganou em uma pequena
coisa: eles não têm "edredom", mas já fazem coisas
"por debaixo dos panos" há muito tempo ("Arc e a casa dos políticos",
13 de março).
CORREÇÕES:
O custo de produção da soja indicado no quadro "O que
o Brasil faz melhor" ("Punição
à eficiência", 13 de março) era relativo
ao saco do produto por hectare.
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