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Bom
te ver
Os
pobres de O Clone são
para divertir, não para chatear
Ricardo
Valladares
Divulgação/TV Globo
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| As
beldades lutadoras Karla e Beta: vale-tudo em São Cristóvão |
Ao
contrário da maioria dos autores de novela, que fica mais à
vontade retratando a vida da classe média alta, Glória Perez
sempre reserva um bom espaço de suas tramas para figuras do "povão".
É uma marca registrada, que ela volta a utilizar com sucesso em
O Clone, o folhetim das 8 da Rede Globo. O tempo dedicado aos personagens
que circulam pelo bairro carioca de São Cristóvão
é cada vez maior na novela. E um indício de que eles estão
agradando é o fato de que um bordão já ganhou as
ruas: aquele "Bom te ver" que o trambiqueiro Ligeirinho (Eri Johnson)
não se cansa de repetir.
Glória tem ótimas fontes para criar esse núcleo de
seus enredos. A simpatia com que retrata personagens como a dona de boteco
Jura (Solange Couto) e o galã de gafieira Edvaldo (Roberto Bonfim)
se deve ao fato de ela própria ter um pé na boemia popular.
Glória é freqüentadora da gafieira Estudantina, no
centro do Rio de Janeiro. "Ela exige que todas as cenas de dança
sejam feitas nesse salão. O lugar tem até uma homenagem
à sua filha Daniella, que aprendeu a dançar lá",
conta um produtor da novela. Além de conhecer o mundo de que está
falando, a autora tem seus truques para cativar a audiência. O principal
é mostrar sempre uma versão festiva e um tanto edulcorada
do universo das pessoas mais humildes: elas estão lá para
divertir, e não para chatear os espectadores com lamúrias
sobre as dificuldades cotidianas. Ninguém reclama do preço
da passagem de ônibus ou da falta de emprego.
Em novela de Glória Perez, assunto de pobre é Carnaval,
futebol e mulheres como Karla (Juliana Paes) e Beta (Franciely Freduzeski).
Elas são as musas da São Cristóvão de O
Clone e, para delírio da vizinhança, são lutadoras
de vale-tudo. "Os moradores do bairro existem para equilibrar a história
e evitar que ela fique pesada", diz o diretor Jayme Monjardim. Essas
passagens cômicas serão preciosas nos próximos capítulos,
que abordarão um tema cabeludo: a riquinha Mel (Débora Falabella)
vai se viciar em cocaína e terá até de se prostituir
para comprar a droga. Vida de burguês é mesmo difícil.
Já ser pobre é uma festa. Bom te ver, Glória.
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