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Abril
misterioso
Como lamentar por um
filme
que ninguém viu?
Isabela
Boscov
Christian Cravo
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| José
Dumont, em Abril: sem Oscar |

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Muito
cotado para ficar entre os cinco finalistas do Oscar de filme estrangeiro,
Abril Despedaçado, de Walter Salles, terminou fora da corrida.
Perdeu o lugar para o melodrama argentino O Filho da Noiva. Também
foram surpreendentes as indicações do norueguês Elling
e do indiano Lagaan. Os outros finalistas já eram tidos
como favoritos: o francês O Fabuloso Destino de Amélie
Poulain e o bósnio Terra de Ninguém. "Investimos
três vezes mais que o habitual na campanha para Abril", disse
a VEJA Mark Gill, presidente do estúdio Miramax em Los Angeles.
"Ainda acho que ele é superior aos outros, mas talvez neste ano
a Academia prefira temas mais leves", completa Gill. Abril trata
de disputas de sangue entre duas famílias do Nordeste. É
um fato a lamentar que o Brasil não esteja no Oscar mas,
até aqui, só por uma questão de patriotismo. Só
em maio, quando Abril chegar aos cinemas, será possível
dizer se houve injustiça. À parte uma semana de exibição
qualificatória em Salvador, o filme ainda não foi visto
pelo público brasileiro. Como uma primeira versão de Abril
foi mostrada no Festival de Veneza, em setembro, e a fita foi lançada
nos Estados Unidos em meados de dezembro, fica a sensação
de que não houve grande empenho em exibi-la no seu país
de origem. E que é esquisito torcer ou chorar por um filme que
ninguém viu, lá isso é.
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