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Edição 1 739 - 20 de fevereiro de 2002
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Abril misterioso

Como lamentar por um
filme que ninguém viu?

Isabela Boscov

 
Christian Cravo
José Dumont, em Abril: sem Oscar


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O trailer do filme
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Muito cotado para ficar entre os cinco finalistas do Oscar de filme estrangeiro, Abril Despedaçado, de Walter Salles, terminou fora da corrida. Perdeu o lugar para o melodrama argentino O Filho da Noiva. Também foram surpreendentes as indicações do norueguês Elling e do indiano Lagaan. Os outros finalistas já eram tidos como favoritos: o francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e o bósnio Terra de Ninguém. "Investimos três vezes mais que o habitual na campanha para Abril", disse a VEJA Mark Gill, presidente do estúdio Miramax em Los Angeles. "Ainda acho que ele é superior aos outros, mas talvez neste ano a Academia prefira temas mais leves", completa Gill. Abril trata de disputas de sangue entre duas famílias do Nordeste. É um fato a lamentar que o Brasil não esteja no Oscar – mas, até aqui, só por uma questão de patriotismo. Só em maio, quando Abril chegar aos cinemas, será possível dizer se houve injustiça. À parte uma semana de exibição qualificatória em Salvador, o filme ainda não foi visto pelo público brasileiro. Como uma primeira versão de Abril foi mostrada no Festival de Veneza, em setembro, e a fita foi lançada nos Estados Unidos em meados de dezembro, fica a sensação de que não houve grande empenho em exibi-la no seu país de origem. E que é esquisito torcer ou chorar por um filme que ninguém viu, lá isso é.

   
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