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Edição 1 739 - 20 de fevereiro de 2002
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Falta sal

Oscar 2002 promete ser o
mais morno
em muitos anos

Isabela Boscov

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Num ano que não primou pela qualidade dos lançamentos, nada mais natural que também o Oscar tenha um ar meio chocho. Assim vai ser a cerimônia de 24 de março, conforme as indicações reveladas na terça-feira: sem nenhum título capaz de provocar o fervor da torcida, o páreo ficará entre a fantasia O Senhor dos Anéis, com treze indicações (boa parte delas técnicas), e o drama Uma Mente Brilhante, que concorre em oito categorias. O dado curioso é que o favorito ao prêmio principal é o segundo colocado, e não o recordista de indicações. Desde 1992, quando O Silêncio dos Inocentes derrotou Bugsy, não se vê esse tipo de inversão. É possível também que Uma Mente Brilhante coloque Russell Crowe no pedestal dividido até hoje apenas por Spencer Tracy e Tom Hanks – aquele dos atores premiados com o Oscar em dois anos consecutivos (no ano passado, o australiano ganhou por seu papel em Gladiador). Contra sua interpretação magnífica, contudo, Crowe tem um marco histórico: pela primeira vez, há dois negros – Will Smith e Denzel Washington – concorrendo nessa categoria.

Uma boa notícia é a indicação do diretor Robert Altman – a quinta de sua carreira, sem vitórias – por Assassinato em Gosford Park (que soma, no total, sete indicações). Às vésperas de completar 77 anos, Altman é um dos mais brilhantes cineastas em atividade e um candidato natural a um daqueles prêmios especiais da Academia. Muito mais digno, porém, é ganhar por um filme, e não pelo "conjunto da obra". Por isso, é provável que Altman fique com a estatueta no lugar de Ron Howard – que, depois de muitos sucessos de bilheteria, está pela primeira vez entre os finalistas com Uma Mente Brilhante. Outra categoria em que deve prevalecer o bom senso é a de melhor atriz. Entre Quatro Paredes, que em breve estréia no Brasil, traz Sissy Spacek (seis indicações, com uma vitória) numa atuação monumental, como uma mãe que mergulha no ressentimento ao perder seu filho adulto. Não são nem os astros, contudo, nem a inauguração do Kodak Theatre, que passa a ser a sede do Oscar, que vão dar o que falar. A grande atração da noite em Los Angeles, ao que tudo indica, será o rigoroso sistema de segurança com que a Academia, na esteira dos atentados de 11 de setembro, pretende proteger seus valiosos convidados.







   
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