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Falta
sal
Oscar 2002 promete ser o
mais morno
em muitos anos
Isabela
Boscov

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Num
ano que não primou pela qualidade dos lançamentos, nada
mais natural que também o Oscar tenha um ar meio chocho. Assim
vai ser a cerimônia de 24 de março, conforme as indicações
reveladas na terça-feira: sem nenhum título capaz de provocar
o fervor da torcida, o páreo ficará entre a fantasia O
Senhor dos Anéis, com treze indicações (boa parte
delas técnicas), e o drama Uma Mente Brilhante, que concorre
em oito categorias. O dado curioso é que o favorito ao prêmio
principal é o segundo colocado, e não o recordista de indicações.
Desde 1992, quando O Silêncio dos Inocentes derrotou Bugsy,
não se vê esse tipo de inversão. É possível
também que Uma Mente Brilhante coloque Russell Crowe no
pedestal dividido até hoje apenas por Spencer Tracy e Tom Hanks
aquele dos atores premiados com o Oscar em dois anos consecutivos
(no ano passado, o australiano ganhou por seu papel em Gladiador).
Contra sua interpretação magnífica, contudo, Crowe
tem um marco histórico: pela primeira vez, há dois negros
Will Smith e Denzel Washington concorrendo nessa categoria.
Uma
boa notícia é a indicação do diretor Robert
Altman a quinta de sua carreira, sem vitórias por
Assassinato em Gosford Park (que soma, no total, sete indicações).
Às vésperas de completar 77 anos, Altman é um dos
mais brilhantes cineastas em atividade e um candidato natural a um daqueles
prêmios especiais da Academia. Muito mais digno, porém, é
ganhar por um filme, e não pelo "conjunto da obra". Por isso, é
provável que Altman fique com a estatueta no lugar de Ron Howard
que, depois de muitos sucessos de bilheteria, está pela
primeira vez entre os finalistas com Uma Mente Brilhante. Outra
categoria em que deve prevalecer o bom senso é a de melhor atriz.
Entre Quatro Paredes, que em breve estréia no Brasil, traz
Sissy Spacek (seis indicações, com uma vitória) numa
atuação monumental, como uma mãe que mergulha no
ressentimento ao perder seu filho adulto. Não são nem os
astros, contudo, nem a inauguração do Kodak Theatre, que
passa a ser a sede do Oscar, que vão dar o que falar. A grande
atração da noite em Los Angeles, ao que tudo indica, será
o rigoroso sistema de segurança com que a Academia, na esteira
dos atentados de 11 de setembro, pretende proteger seus valiosos convidados.



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