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Pompéia pré-histórica

Aldeia soterrada pelo Vesúvio mostra
como italianos viviam há 3 800 anos

Natasha Madov

Com erupções violentas e repentinas, o vulcão Vesúvio, no sul da Itália, produziu espetaculares cápsulas do tempo. As mais conhecidas são Pompéia e Herculano, cidades sepultadas por mais de 6 metros de cinzas e poeira vulcânicas no dia 24 de agosto do ano 79. Escavadas a partir do século XVIII, revelaram em detalhes como viviam os romanos há 2.000 anos. Outra cápsula do tempo produzida pelo Vesúvio, muito mais antiga, está sendo aberta: um vilarejo enterrado pelas cinzas há 3.800 anos, 1 000 anos antes da fundação de Roma. Situado a 30 quilômetros de Pompéia, parece ter sido abandonado às pressas pelos moradores, que deixaram para trás utensílios e animais domésticos. "Esta é de longe a povoação pré-histórica mais bem preservada da Itália e uma das mais conservadas do mundo", diz o arqueólogo italiano Nicola Castaldo, que dirige a escavação em parceria com a francesa Claude Livadie.

A vila descoberta durante sondagens para a construção de um supermercado é composta de três casas, dispostas em forma de ferradura, uma área utilizada como cozinha comunitária e um cemitério. Soterrada sob 6 metros de cinzas, ocupa uma área de 1.000 metros quadrados. Pouco sobrou das estruturas originais de madeira e palha, mas as cinzas e o lodo decorrentes da erupção formaram numa espécie de molde, que preservou o formato das habitações, uma delas com dois andares. Foram achados utensílios feitos de ossos ou pedras e um chapéu de couro enfeitado com dentes de javali. Há também os esqueletos de treze cabras. Várias estavam amarradas pelo pescoço a uma cerca, outras confinadas a um curral. Como o conjunto não resistiria exposto ao ar livre, parte dele será transportado para uma sala especial no Museu de Nápoles.

Quando a aldeia foi destruída pelo Vesúvio, o planeta inteiro tinha 28 milhões de habitantes e ainda não se conhecia a metalurgia do ferro. Mas esses italianos da idade do bronze já cultivavam o trigo e produziam uma cerâmica decorada com apuro artístico. Uma vasilha foi encontrada dentro do forno – provavelmente comida que estava sendo preparada no momento do desastre. Sabe-se muito pouco sobre os habitantes da Itália naquela época. A primeira civilização importante, a dos etruscos, na região da Toscana, só surgiria 1.000 anos depois da erupção que soterrou o vilarejo pré-histórico. Antiga colônia grega, Pompéia já existia muito tempo antes da fundação de Roma, no século VIII a.C. No ano da catástrofe era uma próspera cidade de veraneio, muito freqüentada pelos ricaços de Roma, a 210 quilômetros de distância. Com suas paredes de barro e alguns objetos, a "Pompéia pré-histórica" é um conjunto arquitetônico modesto se comparado à cidade romana, cujos templos e afrescos atraem multidões de turistas. Mas impressiona pelo que revela: um período em que os europeus desconheciam a escrita e viviam em pequenos bandos.

   
 
   
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