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Em busca da
rainha de Sabá
Escavação
no deserto do Iêmen
procura sinais da mulher que
encantou a corte do rei Salomão
Natasha Madov
A rainha
de Sabá é uma das mulheres mais marcantes da Antiguidade.
O fascínio que exerce sobre o homem moderno talvez só encontre
paralelo em Cleópatra, que conquistou o coração dos
romanos Júlio César e Marco Antônio há 2.000
anos. A diferença é que a sensual rainha egípcia
teve sua vida razoavelmente documentada. Quase tudo o que se sabe da rainha
de Sabá está contido em treze versículos do Velho
Testamento e em alguns trechos do Corão, o livro sagrado
do Islã. Os islâmicos a chamam de Bilqis, os etíopes
de Makeda. A Bíblia, que não revela seu nome próprio,
afirma que, em busca de sabedoria, ela visitou a corte do rei Salomão
em Jerusalém. Os israelitas ficaram tão impressionados com
sua caravana de camelos, carregados de ouro, pedras preciosas e especiarias,
que registraram o acontecimento no livro santo. Do ponto de vista arqueológico,
a questão sempre foi saber se a rainha de Sabá existiu ou
não. Se existiu, onde era seu reino? A resposta pode estar surgindo
neste momento no deserto do Iêmen.
Uma equipe
internacional de arqueólogos está escavando as ruínas
de um colossal templo a 120 quilômetros de Sanaa, a capital do Iêmen.
O santuário, chamado Mahram Bilqis, localiza-se nos arredores de
Marib, capital do antigo reino de Sabá. "Se a rainha de fato existiu,
seus sinais estão aqui", afirma o arqueólogo canadense William
Glanzman, coordenador das escavações. Não é
a primeira vez que se tenta encontrar por lá a pista da rainha
bíblica. Há cinqüenta anos, os trabalhos foram abandonados
às pressas quando estourou uma guerra entre tribos iemenitas. A
busca concentra-se no templo porque ali se registravam os acontecimentos
relevantes. Há por toda parte inscrições num alfabeto
já decifrado. Só falta encontrar referências à
rainha ou à viagem a Jerusalém. "Se acharmos, estará
provado que aqui era seu reino e que provavelmente ela rezou nesse templo",
diz Glanzman.
As escavações
começaram há quase quatro anos e estima-se serem necessários
outros três para alcançar a base das muralhas. Com um pórtico
formado por oito colunas de pedra com 7 metros de altura, Mahram Bilqis
é uma construção enorme, com 60 000 metros quadrados.
Se a rainha é um mistério, o reino de Sabá é
bem conhecido. Existiu por 1 800 anos e só desapareceu por volta
do ano 600 da era cristã, pouco antes do advento do islamismo.
O encontro em Jerusalém teria ocorrido em 950 a.C. Há relatos
de que outros reinos da região tiveram rainhas mas, curiosamente,
de Sabá só se conhecem reis. Durante séculos, o reino
controlou as rotas das caravanas que transportavam o incenso e a mirra,
produtos obrigatórios nos templos da Antiguidade. A visita da rainha
a Jerusalém bem poderia incluir um acordo comercial com Israel.
De acordo com a Bíblia, o rei e a visitante conversaram
sobre temas espirituais. Versões mais apimentadas surgiram depois.
A dinastia que reinou na Etiópia até 1974 proclamava-se
descendente de um filho da rainha de Sabá e Salomão, chamado
Menelik. Talvez as inscrições no Iêmen escondam uma
história de amor.
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