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Edição 1 739 - 20 de fevereiro de 2002
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Em busca da
rainha de Sabá

Escavação no deserto do Iêmen
procura sinais da mulher que
encantou a corte do rei Salomão

Natasha Madov

A rainha de Sabá é uma das mulheres mais marcantes da Antiguidade. O fascínio que exerce sobre o homem moderno talvez só encontre paralelo em Cleópatra, que conquistou o coração dos romanos Júlio César e Marco Antônio há 2.000 anos. A diferença é que a sensual rainha egípcia teve sua vida razoavelmente documentada. Quase tudo o que se sabe da rainha de Sabá está contido em treze versículos do Velho Testamento e em alguns trechos do Corão, o livro sagrado do Islã. Os islâmicos a chamam de Bilqis, os etíopes de Makeda. A Bíblia, que não revela seu nome próprio, afirma que, em busca de sabedoria, ela visitou a corte do rei Salomão em Jerusalém. Os israelitas ficaram tão impressionados com sua caravana de camelos, carregados de ouro, pedras preciosas e especiarias, que registraram o acontecimento no livro santo. Do ponto de vista arqueológico, a questão sempre foi saber se a rainha de Sabá existiu ou não. Se existiu, onde era seu reino? A resposta pode estar surgindo neste momento no deserto do Iêmen.

Uma equipe internacional de arqueólogos está escavando as ruínas de um colossal templo a 120 quilômetros de Sanaa, a capital do Iêmen. O santuário, chamado Mahram Bilqis, localiza-se nos arredores de Marib, capital do antigo reino de Sabá. "Se a rainha de fato existiu, seus sinais estão aqui", afirma o arqueólogo canadense William Glanzman, coordenador das escavações. Não é a primeira vez que se tenta encontrar por lá a pista da rainha bíblica. Há cinqüenta anos, os trabalhos foram abandonados às pressas quando estourou uma guerra entre tribos iemenitas. A busca concentra-se no templo porque ali se registravam os acontecimentos relevantes. Há por toda parte inscrições num alfabeto já decifrado. Só falta encontrar referências à rainha ou à viagem a Jerusalém. "Se acharmos, estará provado que aqui era seu reino e que provavelmente ela rezou nesse templo", diz Glanzman.

As escavações começaram há quase quatro anos e estima-se serem necessários outros três para alcançar a base das muralhas. Com um pórtico formado por oito colunas de pedra com 7 metros de altura, Mahram Bilqis é uma construção enorme, com 60 000 metros quadrados. Se a rainha é um mistério, o reino de Sabá é bem conhecido. Existiu por 1 800 anos e só desapareceu por volta do ano 600 da era cristã, pouco antes do advento do islamismo. O encontro em Jerusalém teria ocorrido em 950 a.C. Há relatos de que outros reinos da região tiveram rainhas – mas, curiosamente, de Sabá só se conhecem reis. Durante séculos, o reino controlou as rotas das caravanas que transportavam o incenso e a mirra, produtos obrigatórios nos templos da Antiguidade. A visita da rainha a Jerusalém bem poderia incluir um acordo comercial com Israel. De acordo com a Bíblia, o rei e a visitante conversaram sobre temas espirituais. Versões mais apimentadas surgiram depois. A dinastia que reinou na Etiópia até 1974 proclamava-se descendente de um filho da rainha de Sabá e Salomão, chamado Menelik. Talvez as inscrições no Iêmen escondam uma história de amor.

   
 
   
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