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Edição 1 739 - 20 de fevereiro de 2002
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Férias a 300 km/h

Com 10 000 dólares e gosto por
emoções fortes, descubra o piloto
de Fórmula 1 que há em você

Silvia Rogar

Até alguns anos atrás, viagem de luxo era aquela que conseguia somar o máximo de estrelas nos hotéis e restaurantes incluídos no roteiro. Atualmente, as ofertas dirigidas a turistas abonados em busca de programas exóticos se diversificam de maneira extraordinária – o caso mais extremo foi o do americano que, no ano passado, pagou 20 milhões de dólares para embarcar num foguete espacial e ter a incrível sensação de flutuar no espaço. Perto disso, parece até pechincha os 10.680 dólares cobrados dos brasileiros interessados num roteiro em que a atração máxima é pilotar um carro de Fórmula.1 de verdade, a 300 quilômetros por hora. Uma agência carioca se associou à empresa francesa F 1 International e, em meados de maio, levará para a França o primeiro grupo só de brasileiros que sonham ser Michael Schumacher por alguns breves mas emocionantes momentos. São cinco dias com mordomias à altura do preço do pacote – passagem em classe executiva, hotéis caros e traslados para o pequeno grupo de até dezesseis pessoas. Quatro são dedicados aos passeios de sempre. Um é inteiramente ocupado com aulas práticas e teóricas de automobilismo, no Autódromo de Magny-Cours, a 240 quilômetros de Paris.


João Raposo

Mesquita: "Fiquei todo dolorido e com hematomas"


Depois que descobriu o filão de comprar máquinas que não são mais usadas pelas escuderias, há três anos, a F 1 International já levou para as pistas 2.400 pessoas: executivos, xeques árabes e famosos, como o cantor Johnny Hallyday. Os carros são autênticos, mas não há exigências especiais para os pilotos-turistas. Basta ter carteira de habilitação válida. São modelos de três equipes: Benetton 1998, Arrows 1997 e Larrousse 1994, usados, respectivamente, pelos pilotos Giancarlo Fisichella, Damon Hill e Erik Comas. Todos valem em torno de 5 milhões de dólares. "Foi uma das grandes emoções da minha vida. Consegui realizar um sonho de infância", diz o apresentador Otavio Mesquita, um aficionado de corridas que vestiu capacete e macacão e, a convite da empresa, deu suas voltinhas por lá no ano passado.

Para acomodar os sonhos de velocidade de quem nunca pisou nos boxes foram introduzidas algumas modificações. O cockpit, por exemplo, comporta novatos de até 1,95 metro, 115 quilos e pé tamanho 45 – medidas bem diferentes das exigidas para os pilotos. A empresa faz um controle por satélite, que desliga o motor caso o corredor saia da trajetória do circuito. Antes da largada mais nobre, há aulas teóricas e uma série de voltas em modelos de Fórmula 3. No carrão mesmo, são apenas cinco voltas. Quem abusa de manobras arriscadas recebe advertência. Otavio Mesquita foi um dos engraçadinhos. Além de levar uma bronca, aprendeu na marra que é preciso ter bom preparo físico para segurar um carro de F 1. "Fiquei todo dolorido e com hematomas nos braços", confessa. "Hoje dou muito mais valor aos pilotos de verdade."

   
 
   
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