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Férias a 300
km/h
Com 10
000 dólares e gosto por
emoções fortes, descubra o piloto
de Fórmula 1 que há em você
Silvia Rogar
Até
alguns anos atrás, viagem de luxo era aquela que conseguia somar
o máximo de estrelas nos hotéis e restaurantes incluídos
no roteiro. Atualmente, as ofertas dirigidas a turistas abonados em busca
de programas exóticos se diversificam de maneira extraordinária
o caso mais extremo foi o do americano que, no ano passado, pagou
20 milhões de dólares para embarcar num foguete espacial
e ter a incrível sensação de flutuar no espaço.
Perto disso, parece até pechincha os 10.680
dólares cobrados dos brasileiros interessados num roteiro em que
a atração máxima é pilotar um carro de Fórmula.1
de verdade, a 300 quilômetros por hora. Uma agência carioca
se associou à empresa francesa F 1 International e, em meados de
maio, levará para a França o primeiro grupo só de
brasileiros que sonham ser Michael Schumacher por alguns breves mas emocionantes
momentos. São cinco dias com mordomias à altura do preço
do pacote passagem em classe executiva, hotéis caros e traslados
para o pequeno grupo de até dezesseis pessoas. Quatro são
dedicados aos passeios de sempre. Um é inteiramente ocupado com
aulas práticas e teóricas de automobilismo, no Autódromo
de Magny-Cours, a 240 quilômetros de Paris.
João Raposo

Mesquita:
"Fiquei todo dolorido e com hematomas" |
Depois que descobriu o filão de comprar máquinas que não
são mais usadas pelas escuderias, há três anos, a
F 1 International já levou para as pistas 2.400
pessoas: executivos, xeques árabes e famosos, como o cantor Johnny
Hallyday. Os carros são autênticos, mas não há
exigências especiais para os pilotos-turistas. Basta ter carteira
de habilitação válida. São modelos de três
equipes: Benetton 1998, Arrows 1997 e Larrousse 1994, usados, respectivamente,
pelos pilotos Giancarlo Fisichella, Damon Hill e Erik Comas. Todos valem
em torno de 5 milhões de dólares. "Foi uma das grandes emoções
da minha vida. Consegui realizar um sonho de infância", diz o apresentador
Otavio Mesquita, um aficionado de corridas que vestiu capacete e macacão
e, a convite da empresa, deu suas voltinhas por lá no ano passado.
Para acomodar
os sonhos de velocidade de quem nunca pisou nos boxes foram introduzidas
algumas modificações. O cockpit, por exemplo, comporta novatos
de até 1,95 metro, 115 quilos e pé tamanho 45 medidas
bem diferentes das exigidas para os pilotos. A empresa faz um controle
por satélite, que desliga o motor caso o corredor saia da trajetória
do circuito. Antes da largada mais nobre, há aulas teóricas
e uma série de voltas em modelos de Fórmula 3. No carrão
mesmo, são apenas cinco voltas. Quem abusa de manobras arriscadas
recebe advertência. Otavio Mesquita foi um dos engraçadinhos.
Além de levar uma bronca, aprendeu na marra que é preciso
ter bom preparo físico para segurar um carro de F 1. "Fiquei todo
dolorido e com hematomas nos braços", confessa. "Hoje dou muito
mais valor aos pilotos de verdade."
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