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Edição 1 739 - 20 de fevereiro de 2002
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O vôo letal

Afegãos lincham
ministro
por causa
de avião atrasado


AP
Rahman: morto no aeroporto

É compreensível que passageiros confinados num aeroporto à espera de um vôo atrasado ou cancelado tenham fantasias homicidas em relação ao responsável pelo desconforto. Em países civilizados, a situação nunca vai além da troca de insultos com os atendentes da companhia aérea. No Afeganistão é diferente. Na quinta-feira passada, em Cabul, mais de 1.000 passageiros aguardavam impacientes a chance de embarcar no único avião da companhia estatal com destino a Meca, na Arábia Saudita. Eram afegãos dispostos a enfrentar o frio de zero grau e as filas para concessão do visto saudita para cumprir a peregrinação a Meca que todo muçulmano deve fazer pelo menos uma vez na vida. Muitos haviam pago 1.500 dólares e esperavam pelo vôo fazia dois dias. Foi quando surgiu o ministro da Aviação Civil e do Turismo, Abdul Rahman, acompanhado de uma comitiva. Pouco depois, a notícia correu: o vôo para Meca tinha sido cancelado para que Rahman pudesse viajar para Nova Délhi, na Índia. Revoltados, peregrinos invadiram o avião, retiraram o ministro e o lincharam na própria pista. No dia seguinte, o primeiro-ministro Hamid Karzai apresentou uma explicação conspiratória: a invasão da aeronave havia sido incitada por inimigos do ministro, que aproveitaram a confusão para assassiná-lo. Três pessoas foram presas. Na sexta-feira, o governo providenciou novos aviões para os peregrinos irem a Meca.

 
 
   
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