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O
vôo letal
Afegãos lincham
ministro por
causa
de avião atrasado
AP
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| Rahman:
morto no aeroporto |
É
compreensível que passageiros confinados num aeroporto à
espera de um vôo atrasado ou cancelado tenham fantasias homicidas
em relação ao responsável pelo desconforto. Em países
civilizados, a situação nunca vai além da troca de
insultos com os atendentes da companhia aérea. No Afeganistão
é diferente. Na quinta-feira passada, em Cabul, mais de 1.000 passageiros
aguardavam impacientes a chance de embarcar no único avião
da companhia estatal com destino a Meca, na Arábia Saudita. Eram
afegãos dispostos a enfrentar o frio de zero grau e as filas para
concessão do visto saudita para cumprir a peregrinação
a Meca que todo muçulmano deve fazer pelo menos uma vez na vida.
Muitos haviam pago 1.500 dólares e esperavam pelo vôo fazia
dois dias. Foi quando surgiu o ministro da Aviação Civil
e do Turismo, Abdul Rahman, acompanhado de uma comitiva. Pouco depois,
a notícia correu: o vôo para Meca tinha sido cancelado para
que Rahman pudesse viajar para Nova Délhi, na Índia. Revoltados,
peregrinos invadiram o avião, retiraram o ministro e o lincharam
na própria pista. No dia seguinte, o primeiro-ministro Hamid Karzai
apresentou uma explicação conspiratória: a invasão
da aeronave havia sido incitada por inimigos do ministro, que aproveitaram
a confusão para assassiná-lo. Três pessoas foram presas.
Na sexta-feira, o governo providenciou novos aviões para os peregrinos
irem a Meca.
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