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Mamãe Bush no Carnaval da dengue Não é brinquedo não: o ímpeto carnavalesco neste ano teve de driblar o Rio de Janeiro inflacionado pela dengue (mais de 7.000 casos registrados) e Salvador esvaziada pela crise argentina, desdobrando-se em momentos de beleza, controvérsia e, claro, bizarrice. Beleza máxima foi a estréia de Luana Piovani na avenida. Controvérsia: o enredo da Imperatriz Leopoldinense cheio de goitacazes, mas sem Campos, a cidade patrocinadora. Bizarrice: a aclamação de Barbara Bush, 76 anos, mãe do presidente americano e insuspeito instinto carnavalesco a Mangueira, escola que aplaudiu de bandeirinha na mão, saiu campeã. Não dava um samba-enredo?
Numa coisa o Carnaval foi bom para Adriane Galisteu: reatou com o namorado Rogério Gallo. No mais, a festa vacilou. Sua escola, a Portela, ficou em oitavo lugar. Sua mais recente inimiga, Narcisa Tamborindeguy, despejou-lhe insultos desvairados, por se julgar maltratada em um programa da rival. E ainda por cima a loira teve de encarar um afoito prefeito Cesar Maia, que ao beijá-la encostou onde não devia e foi prontamente contido pela mãozinha dela.
Estreante na passarela do samba, Luana Piovani encarou logo o posto de madrinha de bateria do Salgueiro. Fez bonito, exibindo duas qualidades raras entre candidatas a celebridade de Carnaval: samba no pé e seios sem silicone, balouçando ao ritmo da dança. "Sou paulistana de alma carioca e coração baiano", autodefiniu-se. Secretário-geral da Presidência, Arthur Virgílio saracoteou no camarote da revista Rio Samba e Carnaval, o de mordomia mais farta no Sambódromo. Esqueceu que a Comissão de Ética Pública proíbe as autoridades de aceitar convites do gênero. Sua assessoria alega que Virgílio pagou 2.500 reais por uma frisa e deu só uma passadinha no camarote. Mas e as fotos com a camiseta-convite? "Fui eu que coloquei nele", defende o empresário Maurício Mattos, dono do camarote e da frisa. Mais direto, o ministro da Integração Nacional, Ney Suassuna, que também circulou em camarote, admite ter aceitado convite, com argumento original: "Não tenho como beneficiar as empresas". Salto de
15 centímetros, passarela molhada e emoção demais
conspiraram para lançar ao chão um dos mais espetaculares
derrières do Carnaval. "Eu sambo muito bem, mas me emocionei
demais. Comecei a chorar, fiquei nervosa e caí", explicou uma inconformada
Viviane Araújo sobre seu tombo à frente da bateria
da Mocidade Independente.
Campeã nacional das operações plásticas, a modelo Ângela Bismarchi nem pisca em admitir: pôs um Botox extra no rosto para sair na avenida. "Foi para disfarçar as rugas de tensão", declara a purpurinada, que no ano passado também deu uma alisadinha na testa para o Carnaval. Botox, aliás, é toxina pequena para quem já fez lipoescultura na cintura, abdome e culotes e aplicou silicone nos seios e na panturrilha. Por enquanto. Num mar de mulheronas de biquíni, Carolina Dieckmann, que está longe de ter medidas de modelo, destacou-se pela performance: fantasiada de bailarina, esfalfou-se em graciosas piruetas na linha de frente da Mocidade Independente. Casada com um homem de circo e veterana de dez anos de ginástica olímpica, Carolina deu a idéia de incluir suas 22 estrelas na coreografia: "Vi que ainda conseguia fazer alguma coisa e sugeri a eles". Pulando e
cantando sem parar, a modelo Gisele Bündchen uniu o útil
ao agradável em Salvador: esbaldou-se no trio elétrico,
engordou a conta bancária com a renovação de um contrato
publicitário milionário e ainda aumentou o índice
de germanismo do Carnaval baiano. Além de várias irmãs
Bündchen, ela também arrastou a sogrona, a alemã Irmalin,
mãe de Leonardo DiCaprio. As loiras todas viraram camarão
debaixo do sol estonteante.
O jogador de vôlei Giovane não agüentou um sacrifício que qualquer mocinha tira de letra. Para encarnar o índio Ajuricaba, com direito a cocar (enorme) e tanga (mínima) de penas, ele removeu os pêlos do peito e da barriga com creme depilatório. "Cera quente dói muito. Achei feio", avaliou. "Tomara que os pêlos cresçam logo."
Editado
por Lizia Bydlowski.
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